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Entenda por que a Puma decidiu usar monges budistas para se diferenciar no mercado de corrida

Marca alemã apostou em monges budistas e trail running para reforçar uma narrativa de bem-estar ao invés de performance

Monges budistas com tênis da Puma - Divulgação

⚡ Máquina Fast
  • Puma veste 40 monges budistas com tênis de trilha em campanha que conecta meditação e corrida na Maratona de Ladakh.
  • No mercado global de calçados de corrida, Puma tem participação modesta de cerca de 2%, atrás de Nike e Adidas.
  • Estratégia da Puma foca em apelo lifestyle e autoexpressão, aproveitando momento de queda da Nike na liderança cultural do segmento.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

A Puma vestiu 40 monges budistas do Monastério de Thiksey, no Ladakh Indiano, com o tênis de trilha Deviate Pure Nitro, e construiu em cima disso a campanha “Meditação em Movimento”. A peça conecta a rotina contemplativa dos monges com o ato de correr, aproveitando o embalo da Maratona de Ladakh, prova de alta altitude que a marca patrocina há três anos. Não tem atleta de elite, não tem discurso de performance, mas tem gente de túnica e óculos escuros falando sobre respiração e presença, o oposto do que a categoria de running costuma vender.

E é justamente nesse ponto que a campanha se torna interessante do ponto de vista de mercado. O segmento global de calçados de corrida movimentou algo em torno de US$ 15,5 bilhões, considerando-se dados de 2024. É um mercado concentrado no topo: a Nike lidera com participação estimada entre 22% e 26% globalmente, a Adidas vem em seguida com cerca de 20%, e o restante se fragmenta entre marcas especializadas como Hoka, Asics, New Balance, On e Brooks, que disputam espaço principalmente em canais especializados em corrida.

A Puma, nesse recorte específico de running, aparece com uma participação modesta, na casa de 2%, um número que evidencia por que a marca dificilmente competirá de igual para igual com Nike ou Adidas pela via tradicional de performance e tecnologia de solado.

Faz sentido, então, que a estratégia passe por outro caminho. Em calçados esportivos de forma mais ampla, incluindo o apelo “fashion” e “lifestyle”, a Puma já se dá melhor, com uma fatia perto de 8%. A campanha dos monges segue exatamente essa lógica e reforça um posicionamento que a marca alemã já vinha sustentando desde “Go Wild“, campanha global de 2025 construída sobre a ideia de ver o esporte como desfrute e autoexpressão, e não apenas rendimento.

Essa aposta em diferenciação ganha ainda mais peso considerando-se o momento da Nike, cuja saída do índice S&P 100 neste mês, como expusemos na Máquina do Esporte, expôs a perda de relevância cultural e o avanço de concorrentes menores e mais especializados.

Quando o líder histórico da categoria mostra sinais de queda justamente na narrativa que sustentava sua liderança, é indício de espaço para a Puma e outras marcas poderem competir por outros caminhos.

O conteúdo desta publicação foi retirado da newsletter semanal Engrenagem da Máquina, da Máquina do Esporte, feita para profissionais do mercado, marcas e agências. Para receber mais análises deste tipo, além de casos do mercado, indicações de eventos, empregos e mais, inscreva-se gratuitamente por meio deste link. A Engrenagem é produzida por Theodoro Montoto, profissional de marketing, estratégia, planejamento e análise de mercado, e conta com uma nova edição todas as quintas-feiras, às 9h09.