Espanha vive febre de São Silvestre, com quase 1.300 corridas no último dia do ano

Quem diria? Encerrar o ano correndo a São Silvestre virou febre entre os espanhóis. Antes da pandemia, cerca de 1,5% da população participava de uma das 1.293 provas de rua que têm esse nome e acontecem no último dia do ano na Espanha. Os maiores eventos têm orçamento que chegam a € 1 milhão.

A mais conhecida é a São Silvestre Valllecana, que acontece na Villa de Vallecas, em Madri. O evento de 2020 foi realizado para apenas 335 atletas por causa da Covid-19. No ano passado, mesmo com mais normalidade, ainda teve limitação de participantes por causa da crise sanitária. Neste ano, porém, espera atrair 40 mil corredores.

“Estabelecemos o limite de 40 mil participantes, que era o máximo controlável para que as pessoas tivessem a melhor experiência de corrida. Normalmente, em corridas massivas de 10 quilômetros é preciso limitar algumas coisas. No nosso caso, por causa do ambiente de Vallecas, que possui ruas mais estreitas”, conta Óscar Villa, diretor geral da Last Lap, promotora do evento.

Números

Com mais de meio século, a São Silvestre Vallecana é, de longe, a principal corrida de rua da Espanha que leva esse nome. Segundo o II Estudo EDP da San Silvestre Energy, cerca de 60% das provas espanholas contam com mais de 300 corredores. São mais de 700 mil pessoas que se despedem do ano correndo. Já o número de eventos não parou de crescer durante a última década, principalmente entre 2016 e 2018, quando dobrou.

O número de mulheres também tem crescido. Elas já são responsáveis por 45% do pelotão. Já 35% dos participantes são crianças.

Castela e León (noroeste do país) é a região com mais provas organizadas em 2019, com 177. A Comunidade Valenciana

Por territórios, Castilla y León é onde mais provas foram organizadas em 2019 com até 177 San Silvestres, seguida da Comunidade Valenciana (148) e da Andaluzia (133).

São Silvestre Vallecana

A São Silvestre Vallecana atualmente provoca impacto econômico na capital espanhola. Segundo estimativas da Câmara Municipal de Madri, o evento gera € 4,5 milhões. Além disso, desde 2021, a competição é considerada de interesse geral pela cidade tanto por causa de sua antiguidade (começou a ser disputada em 1964) como pela alta participação do público.

A corrida conta com patrocínio principal da Nationale-Nederlanden e patrocínio técnico da Oysho. Em 2022, duas novas empresas chegaram à lista de apoiadoras: Cabreiroá (água) e Sanicentro (produtos de limpeza).

Além disso, a Tanqueray (marca de bebidas alcoólicas) é parceira do evento, realizando ativação com o público com a campanha Frecuencia 0.0 em que usa a marca Tanqueray 0.0 (bebida sem álcool).

São Silvestre de Barcelona

Em Barceona, a Motorpress Ibéria e a La Sansi se juntaram através de uma União Empresarial Temporária (UTE) para a organização da Cursa dels Nassos ou São Silvestre de Barcelona para as edições de 2022 e 2023. A UTE é um mecanismo utilizado na Espanha no qual duas ou mais empresas se unem para a realização de uma atividade ou serviço.

O valor do contrato é para € 391 mil por dois anos, mas inclui a possibilidade de prolongamento até 2025, o que aumentaria o valor do acordo para perto de € 1 milhão.

A La Sansi, que está com a responsabilidade pela parte técnica da prova desde 2014, irá manter essa função, enquanto a Motorpress Ibérica se encarregará da promoção do evento.

A Câmara Municipal de Barcelona estima uma previsão de receitas com inscrições de € 118.980 por edição, o que significa que a UTE necessitará de ao menos € 76.558 euros em patrocínios para obter lucro.

Neste ano, são patrocinadores do evento a Coca-Cola e a Águas de Barcelona, ​​que se encarregarão da hidratação dos corredores, e a Adidas, como patrocinador de material esportivo.

A Cursa dels Nassos é considerada a segunda maior São Silvestre da Espanha. A prova atingiu seu recorde de participação em 2013 com 11,5 mil corredores. Para esta edição, apesar de a participação ter sido limitada a 10 mil atletas, as perspectivas são boas para os próximos anos.

“Provavelmente vai bater o recorde de inscrições da sua história pela evolução que está vivendo”, afirma José Luis Blanco, presidente da La Sansi e ex-atleta olímpico.

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