A Lacoste decidiu ampliar a atuação esportiva para além do tênis, com uma entrada mais forte no padel e até com uma nova linha de running. As duas frentes buscam utilizar a mesma “herança” da marca, mas parecem carregar objetivos bem diferentes.
Uma marca que nasceu dentro da quadra
A Lacoste nasceu do tênis: a marca surgiu em 1933 a partir da camisa polo que o campeão francês René Lacoste usava em quadra, com o crocodilo bordado em referência ao seu apelido. Desde então, consolidou essa origem com patrocínios de peso, como Roland Garros desde 1971 e Novak Djokovic desde 2017, o que sustenta essa “aura” premium e francesa.
Padel: Construir presença antes que o mercado se feche
De olho em um esporte similar, a Lacoste lançou sua primeira coleção completa de padel recentemente, com as raquetes L.Max e L.Soft desenvolvidas junto à Tecnifibre, que assina a engenharia, enquanto a marca francesa ficou responsável pelo design e pela distribuição, o que permite entrar em uma categoria sem precisar construir esse conhecimento do zero.
O padel ainda está em formação como negócio. Atualmente, são cerca de 19,4 milhões de praticantes, crescendo perto de 16% ao ano, segundo o World Padel Report 2026, mas a distribuição do esporte ainda não está dominada por nenhum player, seja fabricante técnico ou marca de moda. É exatamente esse tipo de mercado em aberto que favorece o tipo de entrada que a Lacoste vem construindo: quadras permanentes de padel dentro de destinos turísticos e de hospitalidade.
Em Courchevel, nos Alpes franceses, a marca instalou duas quadras junto ao estádio de slalom da estação de esqui, com uma coleção feita em esquema de coparticipação com o destino. Já o resort W Bali – Seminyak recebeu o Club Lacoste como um espaço próprio dentro de sua estrutura, com quadras, vestiário e boutique operando ali dentro. Tudo isso para transformar o padel em “desculpa” para o consumo, com o jogo servindo como porta de entrada para vestuário, acessórios e experiência de marca ao redor da quadra.

Corrida de rua: Manter a marca relevante no dia a dia
Neste ano, a Lacoste também lançou um tênis de corrida, sabia? Pois é. O Neo Run 2 tem um visual diferente, com a construção do cabedal reproduzindo a textura piqué da polo, peça que fundou a marca em 1933. A corrida também é outro mercado gigantesco, que movimenta US$ 55 bilhões globalmente, mas já dominado há décadas por marcas como Nike, Adidas e Asics, sem muito espaço aberto para quem está chegando agora. A Lacoste dificilmente quer brigar ali por performance técnica.

Em resumo, padel e corrida de rua acabam puxando a Lacoste para direções diferentes. Enquanto uma modalidade constrói presença em lugares onde a marca ainda pode ser protagonista, como a quadra de um resort, a outra mantém a empresa no armário de quem já é cliente, mesmo sem disputar liderança técnica.
