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X3M aposta em regionalizar o XTerra para acompanhar crescimento do trail e interesse das marcas

Empresa quer crescer em tamanho, não em número de etapas, enquanto o trail atrai um público mais velho, que viaja, gasta mais e valoriza a experiência

Etapas do XTerra no Brasil é organizado pela X3M - Divulgação / X3M

⚡ Máquina Fast
  • X3M busca regionalizar o circuito de trail running no Brasil, priorizando provas com experiências diferenciadas e infraestrutura adequada.
  • Perfil dos participantes evolui, com maioria entre 35 e 50 anos, alta participação feminina e preferência por eventos que combinam corrida e turismo.
  • Marcas valorizam o relacionamento prolongado com o consumidor em eventos de trail, investindo em ativações que reforçam inovação e bem-estar.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Em um momento em que o trail running ganha escala no Brasil depois da explosão da corrida de rua, a X3M, empresa de live marketing esportivo que organiza o XTerra no país, busca se posicionar para acompanhar esse crescimento.

Depois de o XTerra reunir cerca de 2,5 mil atletas na etapa Costa Verde, o fundador e CEO da X3M, Bernardo Fonseca, explicou em entrevista à Máquina do Esporte que a estratégia passa por regionalizar o circuito, com provas maiores em cada região e prioridade para destinos que ofereçam experiências diferenciadas, infraestrutura e a chancela do circuito.

A decisão acompanha a transformação do perfil de quem procura a modalidade. Para o executivo, o trail representa uma evolução natural de parte dos praticantes de corrida de rua, que, depois de experimentar provas de 5 km, 10 km e meia maratona, passam a buscar novos desafios e experiências fora dos ambientes urbanos.

“A porta de entrada é a corrida tradicional, de rua. E o trail running é o passo seguinte. Depois que você tem um número grande de pessoas, elas acabam querendo experimentar coisas novas. O asfalto deixou de ser uma novidade para essa pessoa e ela quer uma coisa diferente”, afirmou.

Público

A etapa Costa Verde ilustra essa mudança de comportamento, já que quase 85% dos participantes não eram da região e a escolha de uma prova passa também pelo destino, pelo percurso e pelas possibilidades de aproveitar o local, em contraste com a corrida de rua tradicional, em que a relação costuma ser mais direta com desempenho e evolução de tempos.

“O corredor de rua compra uma inscrição, e o corredor de trail compra um final de semana, com viagem, com dormir fora, com levar família, comer na cidade. A prova do trail vira o motivo da viagem”, resumiu Bernardo.

Esse perfil também se reflete nas características socioeconômicas dos participantes. Aproximadamente 60% do público do XTerra está na faixa entre 35 e 50 anos, parcela que, segundo Bernardo, já conquistou independência financeira e incorporou o hábito de viajar, e a presença das mulheres, embora os homens ainda representem a maioria dos inscritos, passou de aproximadamente 20% para 40% do público.

A combinação de viagem e equipamentos específicos também eleva o tíquete médio desse consumidor em relação ao corredor de rua, já que mochilas, tênis apropriados, bastões e relógios GPS fazem parte de uma cesta de produtos que acompanha a evolução na modalidade. O calendário também entra na conta.

“Um feriado prolongado vende mais do que qualquer campanha”, disse Bernardo, ao destacar a importância de organizar eventos em períodos que favoreçam o deslocamento dos participantes.

O que as marcas procuram

Bernardo aponta que o principal diferencial comercial da modalidade está no tempo de relacionamento com o consumidor. Enquanto uma corrida de rua costuma ocupar algumas horas, uma etapa de trail pode envolver todo um fim de semana, em um ambiente no qual o participante está mais disponível para interagir.

“Para a marca, isso é contexto, não é só exposição. Você consegue não só absorver sobre o comportamento desse consumidor, como passar sua mensagem, testar seu equipamento, fazer parte do dia a dia dele e ajudar de alguma forma a experiência na cidade ou na prova”, detalhou.

Para o CEO da X3M, o mercado empresarial começa a enxergar o praticante de trail como um consumidor com potencial de relacionamento prolongado.

Na Prio, a presença nos eventos da X3M está ligada à cultura de alta performance da empresa, que, no entendimento da companhia, começa pelas pessoas, e mais de 130 colaboradores participaram do XTerra.

“Apoiar eventos como XTerra e Uphill é uma forma de conectar nossa cultura ao esporte, promover qualidade de vida e reforçar nosso compromisso com as pessoas, dentro e fora da companhia”, ressaltou Olivia Richardson, head de comunicação e marketing da Prio.

A Claro, por sua vez, chega ao quarto ano de patrocínio do Uphill Cristo Redentor, evento da X3M marcado para 21 de novembro, no Rio de Janeiro, e dá nome à prova de 21 km, com ativações que incluem lanternas de cabeça para os inscritos e a tecnologia 5G, já implementada pela empresa no Santuário do Cristo Redentor.

“Estamos juntos do Uphill Cristo Redentor em mais um ano para reforçar o compromisso da Claro em conectar inovação tecnológica e esporte”, pontuou Gabriela Derenne, diretora da Claro para a regional Rio de Janeiro e Espírito Santo.

O interesse das marcas alcança projetos que utilizam a corrida como ferramenta de integração e impacto social. É o caso do Braços Abertos, iniciativa da X3M apoiada pela State Grid Brazil Holding, que, para a empresa, representa uma oportunidade de associar o esporte à promoção de saúde e bem-estar, tanto entre os funcionários quanto nas comunidades em que atua.

“As corridas de rua são universais em todos os sentidos, sendo uma modalidade esportiva que contempla todas as faixas etárias. Corridas como a Braços Abertos ajudam no fortalecimento de nossa marca no mercado e destacam nossa cultura corporativa de integração, tornando-se inclusive uma eficiente ação de endomarketing”, avaliou Ramon Haddad, vice-presidente da State Grid Brazil Holding.

Regionalização com padrão

A estratégia da X3M considera a relação com o poder público, o que envolve até mesmo a recusa de propostas para novas cidades se tornarem sede de etapas de eventos. Ainda assim, as prefeituras continuam sendo importantes parceiras, especialmente pelo potencial de movimentação turística dos eventos, mas a escolha dos destinos passou a considerar prioritariamente o interesse do consumidor.

“Nosso futuro aqui não é crescer em volume de etapas, mas sim regionalizar e ter etapas com volumes maiores de pessoas, potencializando um pouco a nossa entrega por região”, defendeu o CEO.

O executivo entende que a diferenciação das provas passa cada vez mais pelo território e pela experiência oferecida, como no Uphill, que leva os participantes ao Cristo Redentor, em uma chegada que se transforma em parte central da experiência.

Bernardo vê a chegada de novos promotores como um movimento positivo para o mercado, mas lembra que organizar uma prova em ambiente natural envolve exigências diferentes das de eventos urbanos, especialmente em resgate, sinalização, logística e preparação das equipes.

“Nem todas as provas têm um porte de um XTerra que garante, por exemplo, resgate aéreo. Com a popularização do trail também aparecem empresas menos preparadas, com estruturas que não atendem ao mínimo necessário para prover segurança para aquele atleta”, alertou.

O executivo acredita que a expansão do trail deve continuar nos próximos anos, impulsionada pela consolidação de uma comunidade de praticantes e pela entrada de novos participantes e empresas.

“Acho que esse boom do trail running vem carregado de quem trabalha nele há 20 anos. O papel da X3M foi solidificar uma base e agora estão aparecendo alguns players que estão usando essa base que foi construída”, comentou.

Com uma próxima etapa prevista para Ilhabela e novas provas planejadas para 2027, Bernardo demonstra otimismo com o futuro da modalidade. “Vai ser a melhor sequência de próximos três anos do trail”, projetou.