A NBA deve votar ainda nesta semana a proposta de criação de uma liga na Europa. A ideia é que a direção da liga norte-americana de basquete fique com 50% do negócio e venda 50% para investidores.
Essa estrutura é semelhante ao que havia sido implantado na WNBA, a liga feminina de basquete dos EUA, até sua abertura a capitais externos, em 2022.
A proposta é vista como uma estratégia importante para a expansão dos negócios da NBA nos próximos anos. Segundo o site Sportico, a nova liga teria, inicialmente, a presença de 8 a 10 equipes.
Desse total, haveria até quatro vagas para os melhores times da Euroliga, principal torneio europeu de clubes de basquete, que conta com Real Madrid e Olympiakos, entre outras equipes.
Entre os setores da economia que a NBA quer atrair estão empresas de private equity, fundos soberanos, magnatas ou clubes europeus já existentes.
O projeto será examinado na reunião entre os proprietários de franquias, marcada para esta semana, em Nova York. A discussão ocorre mais de um ano depois da NBA iniciar as discussões sobre como maximizar seus negócios na Europa.
Negócios
Atualmente, a liga de basquete consegue arrecadar algumas centenas de milhões de dólares todos os anos no Velho Continente. No entanto, acredita que o potencial de mercado seja muito maior. A direção da liga crê que o mercado de basquete na Europa e no Oriente Médio possa render até US$ 3 bilhões por temporada.
Anteriormente, a NBA estudou fechar parcerias mais fortes com a Euroliga e a Federação Internacional de Basquete (Fiba). Uma das alternativas seria aproveitar as operações comerciais e de marketing da NBA para ajudar a Euroliga a arrumar patrocinadores.
Outra alternativa estudada seria promover uma competição que contasse com times além da Europa. Discussões sobre a constituição de uma nova liga aconteceram simultaneamente.
Ásia e África
As ações no exterior têm sido uma prioridade para a NBA nas últimas quatro décadas, desde que a liga fez seu primeiro acordo na China, nos anos 1980.
Em 2021, a NBA lançou a Basketball Africa League (BAL), operada em parceria com a Fiba. A NBA África atraiu grandes investidores, incluindo um consórcio liderado por Tunde Folawiyo, presidente do Yinka Folawiyo Group, e Tope Lawani, um dos CEOs da Helios Fairfax Partners.
Pioneira, a BAL é a primeira liga independente da NBA fora da América do Norte.
Globalização
A NBA já jogou 40 jogos de temporada regular fora dos EUA e Canadá, locais em que possui franquias, desde a década de 1990. Além disso, houve a promoção de dezenas de outras competições de pré-temporada.
A estreia dos jogos oficiais na Europa aconteceu em Londres, em 2011. Só na França, outro mercado importante para a liga, houve cinco partidas de temporada regular nos últimos anos.
A atual temporada da NBA conta com 125 estrangeiros em ação, número recorde na história da liga. Esse montante inclui 62 atletas europeus, incluindo astros como o sérvio Nikola Jokic, o esloveno Luka Doncic e o francês Victor Wembanyama.
Os últimos seis jogadores eleitos MVPs (melhor jogador, em tradução livre) da temporada foram estrangeiros. Antes disso, apenas quatro jogadores de fora do país haviam conquistado essa premiação.