Se tem algo que o esporte sempre fez como poucos foi unir. Une estranhos num abraço em um gol, transforma uma camisa em símbolo de identidade, faz de um time uma família — cada um com sua personalidade, seu estilo, sua tribo. O esporte é magia, é espetáculo, é pertencimento.
Mas estamos vivendo um momento em que essa conexão precisa ser renovada. A geração que cresceu com o celular na mão não se contenta em apenas assistir, ela quer participar, comentar, recortar, remixar. É uma geração que consome em velocidade, prefere o react ao ao vivo, e que, embora ainda acesse o futebol pela TV aberta, se engaja mesmo é pelo conteúdo que cabe no bolso e tem a sua linguagem. E como manter a chama acesa sem perder o ritmo dessa nova audiência?
Alguns projetos têm conseguido traduzir esse espírito com inteligência e timing. A informalidade e interatividade da CazéTV transformou o esporte em experiência de comunidade online, a reformulação da Flamengo TV trouxe ao canal uma nova identidade e programação pensada para o digital, e a presença criativa do Time Brasil nas Olimpíadas de Paris, com a parceria entre COB e Play9, são exemplos de como é possível respeitar a essência do esporte e, ao mesmo tempo, falar a língua de quem está chegando agora.
Nos últimos quatro anos, mergulhada no universo dos e-Sports, aprendi que não existe “a” GenZ, existem muitas. Cada comunidade com seus códigos, suas referências, seus criadores e sua forma de viver o entretenimento. O segredo para marcas e organizações esportivas hoje não está em gritar mais alto, mas em escutar melhor. Entender cada comunidade como única, moldar-se com respeito aos seus valores, e estar presente com autenticidade, não só nos grandes momentos, mas nas pequenas interações do dia a dia. Não é apenas aparecer, é pertencer.
Porque no fim das contas, o que mantém o torcedor fiel não é assistir ao jogo inteiro, e sim sentir que faz parte de algo vivo, atual e divertido. É isso que garante a magia, mesmo com 30 segundos de vídeo.
Roberta Coelho é CEO da equipe de e-Sports MIBR e criadora da WIBR, ecossistema de ações que busca trazer mais mulheres para o universo dos games. Além disso, é cocriadora e ex-CEO da Game XP e ex-head de desenvolvimento de negócios e ex-diretora comercial do Rock in Rio
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