O futebol nunca esteve tão próximo da tecnologia de ponta. A recente parceria entre Real Madrid e Apple é a prova mais clara disso, unindo tradição esportiva com inovação digital em um projeto ambicioso que pode redefinir como os fãs vivem o jogo.
Anunciado no último mês de novembro, o acordo gira em torno de um conceito inovador popularmente chamado de “Infinite Bernabéu”, uma plataforma de experiência imersiva que promete permitir que torcedores em qualquer lugar do mundo sintam a emoção de estar no estádio sem sair de casa.
A ideia é simples, mas ambiciosa: com o uso de tecnologias de realidade virtual e conteúdo audiovisual de altíssima qualidade, os torcedores poderão “entrar” virtualmente no Bernabéu (novo nome oficial do estádio do clube, com a mudança tendo sido motivada por razões comerciais), acompanhar jogos em primeira pessoa, vivenciar atmosferas de partidas e até explorar áreas como túnel, banco e bastidores, como se estivessem fisicamente presentes.
Essa colaboração vai muito além de um simples conteúdo: ela sinaliza um movimento estratégico que pode impactar o esporte como produto de entretenimento global.
Com uma base de fãs gigantesca, o Real Madrid está apostando na tecnologia para ultrapassar as limitações físicas dos estádios. A iniciativa pode servir de modelo para outros clubes e ligas ao redor do mundo, criando uma “torcida sem fronteiras” conectada de maneiras inéditas.
Experiências imersivas e conteúdos exclusivos representam um novo ativo comercial para clubes e plataformas tecnológicas. Vendas de ingressos virtuais, assinaturas de conteúdo premium e parcerias de tecnologia podem gerar fluxos de receita que extrapolam o modelo tradicional de bilheteria e de direitos de transmissão.
A parceria com a Apple, empresa referência em hardware e serviços, permitirá ao Real Madrid coletar insights valiosos sobre preferências e comportamentos dos fãs, potencializando estratégias de marketing personalizado e ofertas segmentadas.
Não se trata apenas de ser “tecnologicamente moderno”, mas de usar a tecnologia para ampliar a experiência esportiva. Em um mercado em que entretenimento e esporte convergem, quem liderar essa fronteira terá vantagem competitiva clara, seja em audiência, seja em fidelização global.
O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
André Stepan é executivo de marketing esportivo, especialista em marketing digital, estratégia e novos negócios, além de atuar na área acadêmica como professor
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