Com margens pressionadas e mais regulação, o mercado de apostas entra em uma nova fase.
O jogo mudou. E quem vive o mercado sabe disso.
Há poucos anos, o segmento de apostas esportivas parecia disposto a qualquer coisa para ganhar espaço. Contratos inflados, negociações aceleradas e uma sensação quase permanente de que o dinheiro não teria fim. Hoje, o cenário é outro — mais duro, mais racional e bem menos tolerante a exageros.
O retrato mais evidente dessa virada está logo no início do Campeonato Brasileiro. Seis clubes da Série A começam a competição sem patrocínio de casas de apostas. Um dado que, até pouco tempo atrás, soaria improvável. Não por falta de interesse no futebol, mas porque o ambiente mudou.
A combinação entre regulamentação, aumento de carga tributária e pressão por resultado reduziu margens e forçou as bets a reverem suas estratégias. O dinheiro continua existindo, mas já não é distribuído com a mesma facilidade. O critério ficou mais rígido — e isso muda tudo.
Esse impacto, porém, não se limita a clubes e torneios. Ele é sentido também no mercado de influência esportiva. A bolha estourou. Ativos que, há um ou dois anos negociavam contratos na casa de R$ 2 milhões por ano, hoje sentam à mesa para discutir redução de 10%, quando antes falavam em aumentos de 20%. A lógica da escalada infinita simplesmente deixou de fazer sentido.
E aqui vale um alerta importante: quem aumentou custo de vida ou de operação contando com contratos de bet como algo garantido vai precisar rever conceitos. O mercado ficou mais seletivo, menos emocional e muito mais atento a retorno real.
Nos clubes, o movimento segue a mesma lógica. Propriedades que saltaram de R$ 15 milhões para R$ 30 milhões e depois chegaram a R$ 50 milhões, em poucos ciclos, certamente não manterão essa curva de crescimento no próximo contrato. A tendência é clara: renegociações mais duras, valores revisados e expectativas ajustadas à nova realidade.
Para os clubes, o recado é duro, mas necessário. A dependência crescente das bets como principal fonte de patrocínio criou uma sensação de conforto que o mercado atual não sustenta mais. Quando a margem encolhe, a negociação muda de patamar — e quem não entrega valor claro sente primeiro.
Isso não é uma crise do setor. É maturidade. O mercado de bets saiu da fase de ocupação desenfreada e entrou na fase da eficiência. Menos apostas no escuro, mais cálculo. Menos euforia, mais estratégia.
Para quem vive do mercado esportivo, a leitura é simples: o dinheiro ficou mais exigente. E, como em qualquer jogo de alto nível, quem não se adapta ao novo ritmo acaba ficando para trás. Por isso a importância de ter parceria com agencias que entendam essa nova dinâmica.
No fim das contas, o jogo ficou mais caro — e mais sério. Quem entender que o dinheiro agora exige entrega, consistência e valor real continuará no tabuleiro. Quem insistir em negociar como se ainda estivéssemos em 2022 corre o risco de descobrir, tarde demais, que a partida já mudou de ritmo.
O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
Bernardo Pontes, executivo de marketing com passagens por clubes como Fluminense, Vasco, Cruzeiro, Corinthians e Flamengo, é sócio da Alob Sports, agência de marketing esportivo especializada em intermediação e ativação no esporte, que conecta atletas e personalidades esportivas a marcas
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