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Serie A da Itália: 65% dos clubes fecharam temporada 2024/2025 no prejuízo

Perdas financeiras acumuladas pelas principais equipes do país europeu já somam € 3,9 bilhões desde 2016/2017

Rafael Leão tenta jogada durante partida do Milan contra o Genoa na Serie A Italiana - Divulgação / Milan

⚡ Máquina Fast
  • 65% dos clubes da Serie A italiana fecharam a temporada 2024/2025 no vermelho, totalizando um déficit líquido de €349 milhões.
  • A infraestrutura ultrapassada dos estádios italianos está entre os principais fatores que prejudicam o faturamento dos clubes da Serie A.
  • A Serie A enfrenta crise financeira e precisa urgente de reformulação para se ajustar à modernização do futebol europeu e melhorar sua sustentabilidade.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Campeonato nacional de futebol mais badalado do planeta nas décadas de 1980, 1990 e 2000, por onde desfilaram craques como Maradona, Falcão, Zico, Platini, Pirlo, Baggio, Maldini, Ronaldo, Adriano e Kaká, a Serie A da Itália segue afundada na crise, sem perspectiva de deixar o fundo do poço.

Um levantamento feito pelo site italiano Calcio Finanza mostra que 65% dos clubes que disputaram a primeira divisão do país em 2024/2025 encerraram a temporada com prejuízo.

Ao todo, 13 equipes fecharam no vermelho: Empoli, Verona, Cagliari, Lazio, Napoli, Fiorentina, Genoa, Venezia, Monza, Roma, Parma, Como e até mesmo a Juventus, que, na década passada, estava com as finanças organizadas e conquistou nada menos que nove edições da Serie A, organizadas entre 2010/2011 e 2020/2021.

Apenas sete times italianos registraram superávit em 2024/2025: Lecce, Bologna, Torino, Udinese, Internazionale, Milan e Atalanta. Os três últimos, aliás, têm protagonizado as melhores campanhas do futebol italiano nas copas europeias em anos recentes.

Vale lembrar que desde a temporada 2009/2010 um time da Serie A não conquista a Champions League (a última vez foi com a Internazionale). A partir daí, o modelo de gestão adotado no futebol italiano entrou em crise, em meio a diversos escândalos e à própria dificuldade do país em acompanhar as mudanças ocorridas nas nações vizinhas.

O déficit líquido agregado dos clubes da Serie A em 2024/2025 foi de € 349 milhões. Considerando-se o acumulado desde a temporada 2016/2017, os times do país registraram perdas totais de € 3,9 bilhões, média de € 427 milhões por ano.

Na visão de Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças do futebol, a Serie A parece ter demorado a acompanhar a modernização estrutural e comercial vista em outros mercados, especialmente em outras ligas europeias.

“A Serie A enfrenta problemas em infraestrutura, dificuldades de expansão de receitas e aumento dos custos operacionais, custos específicos e gerais, como em todo o mercado do futebol. Como consequência, o desequilíbrio financeiro se tornou recorrente, com prejuízos ano após ano e crescimento do endividamento dos clubes, tornando urgente uma reformulação baseada em sustentabilidade e reposicionamento internacional”, avaliou o especialista.

Infraestrutura ultrapassada

O faturamento das equipes italianas é prejudicado pela infraestrutura ultrapassada existente no país. Atualmente, grande parte dos estádios da Itália encontra-se abaixo dos padrões exigidos pela União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) e pela própria Federação Internacional de Futebol (Fifa).

Em maio do ano passado, Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, referiu-se aos estádios italianos como sendo “uma vergonha” e afirmou que o país teria, de longe, a pior infraestrutura de toda a Europa, ficando atrás até mesmo de nações como a Albânia.

A Itália sediará, ao lado da Turquia, a Euro 2032 e corre contra o tempo para adequar seus estádios para o torneio. Das dez praças propostas pelo país como possíveis sedes do evento, apenas o Allianz Stadium, da Juventus, foi considerado dentro dos padrões.

Hoje, por exemplo, em comparação à Premier League, os clubes italianos faturam 40% menos em dias de jogo (matchday).

“A rentabilidade das arenas e estádios é um ponto crucial para o desenvolvimento financeiro dos clubes no futebol mundial. A capacidade de gerar receita para além dos dias de jogo é essencial, tanto para atrair novas marcas parceiras quanto para promover ativações e ações inovadoras junto aos torcedores. Hoje, as equipes italianas enfrentam um momento financeiro delicado, fruto de estádios pouco rentáveis”, afirmou Heraldo Evans, diretor comercial da Recoma, empresa especializada em infraestrutura esportiva.