Pular para o conteúdo

VAR faz árbitros irem de “vilões” do jogo a vitrines para as marcas

Estaduais 2026 ficaram marcados pela explosão nos contratos de patrocínio voltados para os uniformes dos trios de arbitragem

Uniforme da arbitragem do Paulistão 2026 conta com sete patrocinadores - Pedro Zacchi / Agência Paulistão / Sua Foto No Jogo

⚡ Máquina Fast
  • O VAR impulsionou o crescimento dos patrocínios nos uniformes da arbitragem nos Campeonatos Estaduais de 2026, aumentando a exposição das marcas nas transmissões.
  • O Paulistão registrou o maior número de patrocinadores nos uniformes dos árbitros em 2026, com sete marcas associadas à arbitragem.
  • Patrocínios em uniformes de árbitros são uma tendência global, adotada em ligas europeias, mas com menos patrocinadores do que nos campeonatos estaduais brasileiros.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Os principais Campeonatos Estaduais de 2026 chegam ao fim nesta semana, marcados pela explosão nos patrocínios de uniforme para os trios de arbitragem.

Por muito tempo vistos como espécies de “vilões” em campo (por conta de decisões por vezes questionáveis e que influenciam o resultado das partidas), os árbitros se converteram recentemente em importantes vitrines para as marcas.

A introdução do árbitro assistente de vídeo (VAR, na sigla em inglês) foi decisivo para que o mercado despertasse para o potencial adormecido existente nas camisas de “juízes” e “bandeirinhas”.

Em entrevista concedida à Máquina do Esporte no ano passado, Camilo Leles, gerente de comunicação, branding e digital da Saint-Gobain Produtos para Construção, já havia comentado a respeito dessa estratégia.

Atualmente, a empresa patrocina o uniforme da arbitragem do Paulistão, com as linhas Quartzolit, Placo e Brasilit.

“Durante a checagem dos lances, o árbitro acaba sendo focado por um bom tempo nas transmissões, aumentando a exposição das nossas marcas”, afirmou o executivo.

Poder do VAR

Renê Salviano, CEO da Heatmap e especialista em patrocínios e ativações de marketing esportivo, concorda com a tese de que o VAR serviu para valorizar os uniformes dos árbitros.

“Com a chegada do VAR, os árbitros passaram a ocupar um tempo ainda maior nas transmissões”, avalia.

Pelo quinto ano consecutivo, a agência por ele comandada fechou parcerias para o Campeonato Mineiro, para propriedades que incluem os uniformes da arbitragem.

“O Campeonato Mineiro tem crescido a cada ano e batido recordes de audiência nas transmissões e em médias de público. Todos os anos realizamos um trabalho minucioso e incansável para viabilizar parcerias que sejam positivas para a competição e para as marcas”, diz.

Entre as marcas patrocinadoras estão GiroAgro, Vero, Brasilux, MGL Leilões, Uniube, SestSenat e Rio Branco Combustíveis.

“Pensamos em projetos que nos conectassem ao esporte por meio da exposição em propriedades que vão além das camisas dos clubes. O patrocínio aos uniformes dos árbitros traz uma visibilidade muito grande, mas queremos ir além disso ao ativar e conectar nossa marca as* duas paixões nacionais: o agro e o futebol”, afirma Leonardo Sodré, CEO do Grupo GiroAgro.

A publicidade nos uniformes da arbitragem pode ser observada em outros Estaduais. Caso do Gauchão, que tem as marcas Biscoitos Zezé, Sicoob e Farmácias São João ocupando essa propriedade.

Paulistão

Em 2026, o Paulistão atingiu o maior número de parcerias envolvendo a arbitragem, com sete marcas estampadas no uniforme: Quartzolit, FutFanatics, Placo, Unisa, Smart Fit, Brasilux e Bis.

Um dos realizadores deste contrato foi o sócio-diretor da Wolff Sports, Fábio Wolff, que fez o acordo de patrocínio da Unisa com a Federação Paulista de Futebol (FPF). Ele também é adepto da tese de que o VAR valorizou esse tipo de contrato.

“A arbitragem possui grande evidência durante o jogo de futebol, especialmente depois da criação do VAR. Por conta disso, diversas empresas que desejam investir em publicidade no meio esportivo optam pelo uniforme do juízes. É algo positivo tanto para os organizadores do campeonato quanto para as companhias”, analisa Wolff.

No Brasil, os patrocínios aos uniformes da arbitragem tiveram início em 2015, com a Semp Toshiba (atualmente TCL) ocupando essa propriedade em jogos nas Séries A, B, C e D do Brasileirão e na Copa do Brasil (masculina e feminina).

“É uma forma de gerar conexão e novas receitas com todos os envolvidos no espetáculo do jogo, seja pela exposição comercial, mas principalmente pela possibilidade de criar novas ativações de marcas que querem fazer parte do momento esportivo. Os árbitros são parte fundamental do espetáculo, e acredito que o público saiba fazer a diferenciação destes patrocínios com a performance do árbitro na partida. O mercado vem evoluindo e consegue cada vez mais capitalizar esse potencial”, afirma Reginaldo Diniz, CEO e sócio-fundador da End to End, que também é colunista da Máquina do Esporte.

“A propriedade dos árbitros ainda é explorada mais como espaço publicitário de exposição simples do que sob o aspecto de uma real conexão que tais marcas estão buscando com a arbitragem que é um dos atores importantes do espetáculo e apesar de algumas vezes polêmica, é composta por seres humanos, profissionais que tem suas histórias, jornadas, batalhas que também poderiam ser contadas pelas marcas”, aponta Ivan Martinho, professor de marketing esportivo da ESPM, presidente da WSL na América Latina e colunista da Máquina do Esporte.

Europa

Em outras competições ao redor do mundo, a publicidade nos uniformes dos árbitros também é adotada, mas com quantidades de patrocinadores menores que as observadas nos Estaduais brasileiros.

A LaLiga, da Espanha, possui patrocínios nas mangas e costas da camisa, com a Würth e a BKT. Já a Premier League (Inglaterra) tinha acordo com a EA Sports, que foi substituída pela Huws Gray, como única marca presente nas camisas dos apitadores.

A Serie A (Itália) possui parceria com a Net Insurance e a Lete, enquanto a Ligue 1 (França) tem contrato com a LaPoste, de serviços postais. Na Bundesliga (Alemanha) o patrocínio é feito pela Das Örtliche, empresa de telecomunicações.

“A visibilidade estratégica para as marcas nos uniformes dos árbitros é inegável, já que eles estão sempre em destaque durante as partidas, seja em lances decisivos ou polêmicos, garantindo exposição em transmissões globais. Além disso, essa prática reforça a modernização e profissionalização do futebol, mostrando que as ligas estão alinhadas com as tendências de mercado e buscando novas fontes de receita”, pondera o publicitário Thales Rangel Mafia, especialista em gestão e negócios do esporte e gerente de marketing da Multimarcas Consórcios.