A Fifa monitora a escalada do conflito no Oriente Médio a pouco mais de três meses do início da Copa do Mundo 2026. A entidade máxima do futebol mundial avalia cenários para substituir a seleção do Irã no torneio, que será sediado por Estados Unidos, México e Canadá.
O impasse surge após o início de uma campanha militar conjunta entre Estados Unidos e Israel contra alvos em território iraniano no último sábado (28 de fevereiro).
A situação gera um momento de tensão para Gianni Infantino, presidente da Fifa, que mantém relação próxima com o governo norte-americano. Em dezembro, o dirigente entregou o primeiro Prêmio da Paz da Fifa ao presidente Trump. Até o momento, Infantino não se posicionou sobre o impacto da guerra na competição. Trump, por sua vez, demonstrou indiferença sobre a participação do Irã na Copa.
“Eu realmente não me importo. Acho que o Irã é um país muito derrotado. Eles estão à beira do colapso”, afirmou o presidente norte-americano ao portal Político.
O Irã tem partidas agendadas em Los Angeles e Seattle, cidades que possuem grandes comunidades da diáspora iraniana.
Embora atletas e comissões técnicas tivessem isenção em uma proibição de viagens imposta pelos Estados Unidos em junho de 2025, o conflito ativo coloca em dúvida o desembarque da delegação. Autoridades de segurança dos Estados Unidos afirmaram que tratarão dos jogos de futebol após a conclusão das operações militares.
Pessimismo
A federação iraniana manifestou pessimismo quanto à disputa da Copa do Mundo pela seleção local após os bombardeios a Teerã.
“O que é certo é que, após este ataque, não podemos esperar que encaremos a Copa do Mundo com esperança”, declarou Mehdi Taj, presidente da Federação Iraniana de Futebol e vice-presidente da Confederação Asiática de Futebol.
Taj já havia enfrentado dificuldades diplomáticas anteriormente, tendo o visto negado para o sorteio dos grupos, em dezembro.
Seria a primeira vez, na história das Copas, que uma seleção classificada desiste do Mundial por entrar em guerra com o país anfitrião.
Substituto
Caso a desistência do Irã se confirme, a Fifa deve seguir protocolos para preencher a vaga no Grupo G, no qual o Irã enfrentaria Nova Zelândia, Bélgica e Egito.
O regulamento permite alterações na competição, incluindo a transformação do grupo em uma chave com apenas três equipes. Essa alternativa, porém, geraria riscos de descumprimento de contratos de direitos de transmissão por conta da redução no número de jogos.
A substituição por outra seleção asiática é a alternativa mais provável. O Iraque, que disputa a repescagem intercontinental contra o vencedor de Bolívia x Suriname em 31 de março, é um candidato direto.
No entanto, a seleção iraquiana também enfrenta dificuldades: o técnico Graham Arnold está retido nos Emirados Árabes Unidos devido ao fechamento do espaço aéreo, e embaixadas fechadas impedem a emissão de vistos para a delegação entrar no México, local da partida decisiva.
Impactos
O conflito impacta outras esferas do esporte internacional. A Fórmula 1 precisou remarcar voos de cerca de mil funcionários de equipes que se deslocavam para a abertura da temporada, no próximo fim de semana, na Austrália.
No tênis, torneios nos Emirados Árabes foram suspensos após ataques de drones, enquanto seleções europeias avaliam a transferência de jogos preparatórios marcados para o Catar e Arábia Saudita, no fim deste mês.
