A reunião convocada pelo comando do Futebol Forte União (FFU) para a tarde desta segunda-feira (16) e que, inicialmente, decidiria sobre a entrada do Grêmio no bloco, perdeu o caráter deliberativo, já que a votação envolvendo o Tricolor Gaúcho foi suspensa.
Apesar disso, o encontro pode vir a ter impactos mais decisivos para o futuro do FFU do que a própria definição acerca da chegada (ou não) do time porto-alegrense.
Pressionada por um princípio de rebelião envolvendo parte de seus membros, o bloco comercial decidiu acenar para a Liga do Futebol Brasileiro (Libra) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
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Os clubes do FFU elaboraram um documento em que propõem a criação de um comitê de clubes, que ficaria encarregado de negociar com o bloco rival e a entidade máxima do futebol brasileiro a respeito da criação de uma liga unificada no país.
No documento, os clubes do FFU reconhecem que o diálogo com Libra e CBF é fundamental para que a ideia da liga se concretize. Além disso, eles admitem a necessidade de superar o modelo atual, com dois blocos comerciais, o que, segundo eles, limita a capacidade de avanço coletivo.
Por enquanto, ainda não foi definido quais times integrarão esse comitê. Nos próximos dias, o FFU deve enviar uma carta à CBF e à Libra, manifestando a intenção de dialogar sobre o tema.
Grêmio
A reunião desta segunda-feira foi convocada no último dia 11, pelo diretor-presidente do FFU, Alessandro Barcellos (que também é mandatário do Internacional), para decidir a entrada do Grêmio no bloco.
Nesta terça-feira (17), os membros do Conselho Deliberativo do Tricolor Gaúcho decidirão se autorizam a saída do clube da Libra e sua migração para o FFU, além da venda de 10% de seus direitos comerciais e de mídia à investidora Sport Media Participações, pelo prazo de 50 anos.
Goiás
A movimentação envolvendo o Grêmio deixou à mostra rachaduras internas no FFU, a começar pelo questionamento público feito pelo Goiás, que exigiu a realização de votação para decidir o ingresso de um novo membro.
Ao mesmo tempo, times da Série B, integrantes do grupo, passaram a alegar um suposto favorecimento que estaria sendo oferecido aos clubes recém-chegados.
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A Convenção do Condomínio Forte União prevê que a entrada de novos membros depende de quórum de aprovação de 90% para ser aceita.
O Goiás também enviou ao comando do FFU uma notificação contestando o prazo entre a publicação do edital de convocação e a data de realização da reunião, que era de cinco dias.
O clube alega que o Estatuto do FFU estabelece que Assembleias Gerais do bloco precisam ser convocadas com no mínimo oito dias de antecedência, para serem válidas.
CSA
Outro impasse envolvendo a reunião foi a liminar obtida pelo CSA na Justiça de Alagoas, que estendeu ao clube o direito a voto na Assembleia Geral.
O Estatuto do FFU prevê que só membros das Séries A e B do Brasileirão podem participar de tais encontros na condição de votantes.
Porém, o juiz Jamil Amil Albuquerque de Hollanda Ferreira, da 7ª Vara Cível de Maceió, acolheu os argumentos do CSA, de que a norma estaria em desacordo com o Código Civil.
Dessa forma, ele deferiu o pedido de tutela de urgência, determinando que o FFU permitisse o comparecimento do clube à Assembleia Geral, na condição de votante, mesmo disputando a Série C do Brasileirão.
Após a notificação feita pelo Goiás e a liminar obtida pelo CSA, outros clubes passaram a questionar o FFU, solicitando que a reunião fosse adiada ou perdesse o caráter deliberativo.
