A transição de carreira e a construção de um legado financeiro e mental duradouro têm se tornado pautas urgentes no ecossistema esportivo. Para Bruno Fratus, ex-nadador e medalhista olímpico de bronze em Tóquio 2020, trata-se de um processo que merece mais atenção de todos os envolvidos neste universo.
No Maquinistas, podcast da Máquina do Esporte, o ex-atleta detalhou seu amadurecimento ao gerenciar a própria imagem e explorou a realidade da saúde mental dos atletas aposentados.
Negando a ideia de que o atleta “morre duas vezes”, sendo a primeira delas quando se aposenta, Fratus exaltou os desafios impostos aos atletas quando deixam o esporte, algo que impacta todos os aspectos de sua vida.
“O atleta não aposenta só a atividade física, ele aposenta uma identidade e uma forma de expressão. No meu caso, desde os 11 anos me olho no espelho e vejo um nadador. E quem é o nadador quando ele não está nadando?”, questionou.
Comercialmente, com os olhos voltados para a vida fora das piscinas e diante dos desafios da aposentadoria, Fratus apontou ter assumido uma postura mais estratégica na hora de negociar a sua imagem com os patrocinadores. O modelo tradicional, em que apenas posava para fotos, deixou de ser atrativo.
“Hoje em dia, não me interessa só a campanha, não me interessa só aquela coisa pontual. Tenho ido muito atrás da campanha, lógico, mas sempre procuro a possibilidade da campanha com um papel de embaixador da marca, em que a gente tenha umas palestras institucionais atreladas”, explicou.
Em busca de garantir maior longevidade midiática, Fratus tem mirado modelos em que ele vira “sócio” do negócio, o chamado “media for equity”, buscando capitalizar seu aprendizado além do esporte.
“Quero começar a participar e a criar ‘equity’ de fato, a criar uma liquidez mais para o futuro e uma oportunidade de aprender sobre vários outros negócios de investir”, ressaltou.
Saúde mental
Bruno Fratus também exaltou o choque psicológico e o vácuo de identidade que impactam os ex-atletas ao final de suas carreiras. Para o ex-nadador, trata-se de um ponto de atenção para o universo esportivo.
“Legal, você conquistou tudo isso, você é esse animal, esse competidor, esse predador, esse louco. E agora, como é que você vai voltar a ser um ser humano funcional para a sociedade e para quem está do seu lado?”, indagou o medalhista olímpico sobre o dilema.
“Existem casos de suicídio com ex-atletas olímpicos e não são casos isolados. São atletas que não conseguem sair e entram na espiral. É um estresse pós-traumático”, acrescentou, em outro momento.
Como um dos “ativistas” da saúde mental dos atletas, Fratus trabalha junto ao Comitê Olímpico Internacional (COI) nesta frente. O ex-nadador defende que os esportistas precisam ter espaço em suas carreiras para falar sobre o tema e lidar com este tipo de problema.
“Uma das causas [de falta de saúde mental] é a falta de espaço para tomada de decisão. Não costumava existir esse tempo e espaço para pensar durante a carreira, mas é algo que, com um pouco de trabalho e sorte, estamos conseguindo mudar”, salientou.
O podcast Maquinistas, apresentado por Erich Beting e Gheorge Rodriguez, com a participação de Bruno Fratus, ex-nadador medalhista olímpico, já está disponível no canal da Máquina do Esporte no YouTube:
