A Fórmula 1 deixou de ser apenas uma competição esportiva para se consolidar como uma das maiores propriedades de entretenimento e negócios do planeta. A jornada de valorização tem como marco fundamental a mudança de mentalidade promovida pela Liberty Media, que deixou para trás alguns conceitos valorizados por Bernie Ecclestone, mas que seguravam o desenvolvimento da categoria.
Ao Maquinistas, podcast da Máquina do Esporte, o jornalista Reginaldo Leme analisou como essa transição multiplicou o valor da categoria e alterou a forma como o produto é consumido pelos fãs.
O modelo de negócios da F1 moderna foi desenhado inicialmente por Bernie Ecclestone, que organizou as equipes e centralizou as negociações. Do ponto de vista de Reginaldo Leme, um dos principais jornalistas especializados em automobilismo do Brasil, Ecclestone deu o primeiro grande passo para a explosão da categoria ao perceber que o verdadeiro potencial de receita não estava nas arquibancadas, mas sim nas transmissões de televisão para o mundo todo.
“Ele entendeu que o público no autódromo não trazia a grana toda, quem trazia era a televisão. O público no autódromo era na casa de 60 mil ou 50 mil, talvez em Monza chegasse a 70 mil pessoas no fim de semana. Então, ele começou a cobrar uma fortuna das televisões e virou o grande negócio”, lembrou.
Mesmo com o negócio altamente consolidado na TV, a Fórmula 1 ainda precisava de um novo salto para se conectar com os fãs mais jovens e diversificar as fontes de receita. No entendimento de Reginaldo Leme, é aí que entra a grande importância da Liberty Media, que mudou o foco para a digitalização, as redes sociais e a criação de novas narrativas de entretenimento.
“O que que a Liberty Media fez de diferente foi olhar o que o Bernie Ecclestone não está tava olhando, de novas gerações, de digital”, exaltou Reginaldo Leme.
O sucesso das estratégias da Liberty Media não apenas engajou o público no ambiente digital, mas gerou um efeito de retroalimentação nos eventos físicos. A aproximação com os fãs causou um retorno do público aos autódromos, quebrando recordes de bilheteria e transformando as corridas em megaeventos muito mais robustos comercialmente.
“Hoje esse negócio está mantido, continua sendo a mesma coisa com a televisão, só que graças à Liberty Media esse público dos autódromos bate recordes. O Brasil que tinha 50 mil pessoas registrou 340 mil no fim de semana, Austin, no Texas, dá 550 mil. Hoje virou um grande negócio”, concluiu o jornalista.
O podcast Maquinistas, apresentado por Erich Beting e Gheorge Rodriguez, com a participação de Reginaldo Leme, jornalista especializado em automobilismo, já está disponível no canal da Máquina do Esporte no YouTube:
