O gráfico da semana é do estudo “London as a football hub” (“Londres é o centro do futebol”, em tradução livre), da Football Benchmark. Quando se pensa nas maiores potências comerciais do esporte, é comum focar em clubes isolados, mas o relatório traz uma perspectiva geográfica sobre as principais cidades do futebol mundial. Nenhuma delas tem um ecossistema de negócios tão denso, rentável e valorizado quanto a capital britânica.
O estudo mapeou os principais polos econômicos futebolísticos e revelou por que o dinheiro estrangeiro (e o foco das marcas) continua indo para lá:
- Densidade
Uma volta rápida às aulas de Física nos faz lembrar que a densidade é a “quantidade de massa concentrada em um determinado volume de uma substância”. Ou seja, a concentração de algo em algum espaço. Ao contrário de Paris (monopólio do PSG) ou Madri (focada na dupla Real e Atlético), Londres abriga uma concentração gigante de clubes na elite financeira. Com Arsenal, Chelsea, Tottenham, West Ham, Crystal Palace, Fulham e Brentford na Premier League, a cidade concentra grandes clubes no topo do futebol mundial, além de ter alguns outros nas divisões inferiores.
Por isso, Londres fica acima de Manchester, Madri e Liverpool, por exemplo em receitas operacionais. Apesar de, na média, ser a capital analisada com os menores números, por ter várias equipes no topo, o valor acaba sendo maior.
- Precificação
Aqui está um elemento interessante do estudo para o mercado B2B: a precificação. Em dias de jogo, os clubes de Londres tendem a gerar muito mais “Receita por Assento Disponível” (a métrica RevPEPAS) do que clubes com públicos e tamanhos semelhantes em outras cidades.
Por que isso acontece? Porque Londres cobra um “prêmio” de mercado. A cidade atrai um turismo esportivo de altíssimo padrão, possui uma demanda corporativa esmagadora, e os estádios londrinos (como o Tottenham Hotspur Stadium e o Emirates Stadium) são hubs de networking B2B, onde ingressos vips e áreas de hospitalidade são vendidos a preços astronômicos para executivos e multinacionais.
Tudo isso sem contar o poder da moeda britânica…
- Mídia, Turismo e a Fábrica de Talentos
Essa escala comercial cria um ciclo que se retroalimenta. O apelo global da cidade a transforma no principal palco para as emissoras de TV e patrocinadores, e como efeito colateral dessa riqueza e infraestrutura, Londres também se consolidou como a região mais produtiva na formação de talentos de elite, garantindo que os clubes tenham atletas de alto nível rondando por lá.
O estudo traz então, em números, que a localização de um ativo dita o seu teto de receita. Para marcas e investidores, colocar dinheiro no futebol londrino significa comprar acesso à elite financeira global que consome os assentos premium da cidade, e por isso tudo é tão caro e tão saturado.
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