A Stock Car divulgou atualização do SNG01, carro que estreou na temporada passada e foi pivô de polêmicas ao longo do ano. O modelo fabricado pela Audacetech, braço de tecnologia da Vicar, dona da categoria, passou por evoluções técnicas aplicadas.
As modificações foram direcionadas aos sistemas de proteção ao piloto e ao conjunto mecânico, resultantes de testes conduzidos pela categoria. Problemas relacionados à segurança foram alvos das principais críticas sofridas pela Stock Car durante 2025.
Para orientar o desenvolvimento dessas estruturas, a organização instituiu uma comissão de segurança multidisciplinar, formada por representantes da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), corpo médico e profissionais de engenharia das empresas parceiras do campeonato, como a ArcelorMittal.
No aspecto estrutural, a ArcelorMittal implementou reforços no chassi tubular para elevar a absorção de impactos. A estrutura central e os dissipadores de energia dianteiros e traseiros receberam especificações de aço de alta resistência.
“Os tubos feitos em aço avançado de alta resistência cumprem um papel central na segurança do carro: formar uma gaiola de segurança capaz de evitar ao máximo intrusões em caso de impacto, preservando assim espaço do piloto em cenários de alta exigência”, disse Jetson Ferreira, pesquisador da ArcelorMittal envolvido no processo de desenvolvimento da solução em aço para os veículos da Stock Car.
“Os absorvedores de energia localizados na região frontal e traseira do carro são compostos de tubos feitos a partir do aço DP780. Seu conceito principal é aproveitar a deformação plástica programada dos componentes de forma a atenuar a desaceleração em eventual colisão”, explicou.
A proteção do habitáculo foi complementada por polímeros da marca DuPont e isolantes térmicos da Aspen Aerogels. Para resguardar as portas contra batidas laterais, as equipes aplicaram uma combinação de Kevlar e Tensylon.
“Tanto o Tensylon quanto o Kevlar apresentam alta resistência mecânica e podem contribuir para a retenção de objetos e para a dissipação da energia gerada em impactos. Quando utilizados de forma combinada e adequadamente integrados ao projeto, esses materiais auxiliam na mitigação dos efeitos iniciais de um impacto e na dissipação de energia ao longo da estrutura”, detalhou Allan Gorham, líder de tecnologia de Kevlar e Tensylon.
Motor
O motor utilizado pelos carros da principal categoria do automobilismo nacional é uma das principais mudanças para a temporada de 2026. Conforme anunciado no ano passado, a Stock Car retornou ao uso das unidades de potência V8 aspiradas, capazes de gerar 600 cavalos de potência.
A transição incluiu a integração de centrais eletrônicas da marca australiana Motec e sistemas de exaustão manufaturados pela unidade Tuper da ArcelorMittal.
“O novo motor e a eletrônica trouxeram mais confiabilidade pela faixa de potência e de torque mais amplas que agora podemos utilizar. Os pilotos passaram a ter respostas imediatas sem o atraso típico de um motor turbo, algo crucial em saída de curva, por exemplo”, comentou José Avalone Neto, engenheiro que fez parte da comissão de desenvolvimento do novo modelo.
“Isso auxilia o piloto no uso do equipamento em situações críticas, como ultrapassagens ou defesa de posição. Outro ganho vem para as equipes: mais robustos para suportar os altos regimes de rotação ao longo de toda uma corrida, os V8 são mais confiáveis e duráveis por conterem menos componentes complexos e críticos, como turbinas, wastegates ou intercoolers”, seguiu.
Recuperação
A temporada de 2026 poderá funcionar como um ano de recuperação de imagem para a Stock Car. Em 2025, quando introduziu um novo carro baseado em SUVs, a categoria passou por dificuldades causadas pela diferença de desempenho e confiabilidade dos veículos, além da segurança.
Conforme a Máquina do Esporte apurou em dezembro do ano passado, a crise de imagem chegou a ameaçar a manutenção de patrocinadores e investimentos, criando dúvidas para 2026.
Com as mudanças, a categoria da Vicar dá uma resposta prática aos problemas observados no ano passado, o que pode colocar a maior categoria do automobilismo nacional de volta aos trilhos.
