A história das camisas da Alemanha em Copas do Mundo é, muitas vezes, associada apenas aos modelos desenvolvidos pela Adidas, com quem a Federação Alemã de Futebol (DFB) mantém relações desde 1954. No entanto, até a marca das três listras assumir o fornecimento exclusivo do material esportivo da seleção, no início dos anos 1980, outras empresas chegaram a produzir uniformes de jogo para os alemães.
LEIA MAIS: A evolução das camisas das seleções campeãs mundiais ao longo das Copas do Mundo: Brasil
Uma delas foi a Leuzela, responsável pelas camisas da Alemanha desde o início dos anos 1950 até meados de 1964. Na própria Copa do Mundo de 1954, que marcou o primeiro título mundial dos alemães, a Adidas forneceu apenas as chuteiras dos atletas.

Já nas Copas do Mundo de 1966 e 1970, as camisas da seleção da Alemanha Ocidental foram fornecidas pela Umbro, enquanto as chuteiras seguiram sob responsabilidade da Adidas, que passou a ter relação com os uniformes alemães somente a partir do Mundial de 1974.

A edição de 1974, aliás, representou a primeira vez que a marca das três listras produziu as camisas da seleção alemã no torneio, ainda que o logotipo não estivesse estampado nos uniformes. Já na edição de 1978, a empresa alemã preferiu usar a sua subsidiária Erima como fornecedora do material esportivo da Alemanha Ocidental.
Com isso, foi só a partir de 1980 que a seleção alemã começou a estampar o “Trefoil” da Adidas nos seus uniformes. Desde então, a marca segue assinando e fornecendo com exclusividade o material esportivo da Alemanha. A parceria, porém, já tem data para acabar.

DFB e Nike
Nos últimos anos, o acordo entre DFB e Adidas passou por algumas turbulências geradas pela concorrência. Em 2007, a Nike apresentou uma oferta hostil para assumir o fornecimento da Alemanha a partir de 2011, oferecendo € 500 milhões por um contrato de oito anos, o equivalente a € 62,5 milhões anuais.
À época, o acordo com a Adidas rendia € 11 milhões por ano à DFB. No entanto, como a marca das três listras recorreu à Justiça, alegando a existência de uma cláusula de extensão automática até 2014, a Federação Alemã optou por uma conciliação com a empresa e assinou um novo acordo de € 20 milhões anuais, com previsão de aumento para € 25 milhões a partir de 2011.
O problema é que a recusa da oferta da Nike gerou prejuízos para os clubes da DFL, entidade responsável pela organização das duas primeiras divisões do futebol alemão, que tinham direito a receber, anualmente, 18% do contrato de material esportivo da DFB, ocasionando conflitos políticos internos.
Em 2016, a Adidas foi mais uma vez forçada a reajustar os valores por conta de uma nova investida da Nike. Nesse movimento, a empresa alemã renovou o contrato até 2022. Quatro antes do vencimento, em 2018, as partes estenderam o vínculo outra vez, agora até 2026.
No entanto, o fim da parceria foi oficializado em março de 2024, quando a DFB anunciou a Nike como nova fornecedora global a partir de 2027, em um contrato de oito anos. A oferta da marca norte-americana superou a marca de € 100 milhões anuais.
LEIA MAIS: Alemanha rompe parceria de mais de 70 anos com Adidas e assina com Nike a partir de 2027
A Federação Alemã justificou a decisão pela superioridade financeira da proposta, considerada essencial para a saúde econômica da entidade e para garantir o desenvolvimento do futebol amador. A decisão ainda repercutiu na esfera pública, com o ministro da Economia, Robert Habeck, criticando abertamente a troca e cobrando mais “patriotismo de localidade” da DFB.
Estética
Historicamente, o uniforme titular da Alemanha mantém o branco como cor predominante na camisa e calções pretos. Já o modelo reserva, por sua vez, consolidou o verde-escuro como cor principal pela relação com a tonalidade do fundo do logotipo da DFB.
Contudo, a primeira ruptura com o conservadorismo estético do uniforme alemão aconteceu na preparação para a Copa do Mundo de 1990. Isso porque a designer Ina Franzmann introduziu no uniforme principal uma fita geométrica na altura do peito, cruzada com as cores da bandeira alemã, alterando a tradição histórica dos modelos totalmente brancos.

A camisa marcou a conquista da Alemanha Ocidental no Mundial da Itália e o simbolismo da aproximação de uma unificação do país, o que aconteceu meses depois da decisão do torneio, o que tornou o modelo um ícone da cultura pop e do design no futebol.
Em 1994, a Adidas explorou um padrão tricolor em zigue-zague ao redor da gola e nos calções da camisa titular da Alemanha. Já 20 anos depois, na Copa do Mundo de 2014, a marca criou um modelo principal predominantemente branco contendo uma larga faixa transversal na altura do peito da camisa. O movimento mais disruptivo em termos visuais, porém, aconteceu em 2024, quando a Adidas e a DFB lançaram o uniforme reserva em tons de rosa e roxo para a Euro.
