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Justiça proíbe Sports Media de condicionar repasses financeiros a clubes do FFU

Decisão liminar barra exigências de assinaturas ou desistência de ações judiciais por parte da investidora da liga

Encontro da LFU na sede da LiveMode, no Rio de Janeiro - Rafael Brito / Divulgação

Dirigentes da então LFU (atual FFU) posam após encontro na sede da LiveMode, no Rio de Janeiro (RJ) - Rafael Brito / Divulgação

⚡ Máquina Fast
  • Juiz determina suspensão imediata do condicionamento dos repasses financeiros da Sports Media aos clubes do Condomínio Forte União.
  • Sports Media pode ser multada em R$ 50 mil por dia por reter verba ou impor condicionamentos ilegais.
  • Disputa judicial revela pressões da investidora sobre clubes, ameaçando autonomia e equilíbrio do campeonato.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

O juiz Carlos Eduardo Batista dos Santos, da 2ª Vara Cível de Brasília (DF), deferiu o pedido de tutela de urgência na ação civil pública movida pelo Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) contra a Sports Media Entertainment S.A..

A decisão, cuja cópia foi obtida pela Máquina do Esporte, determina a suspensão imediata de qualquer condicionamento, direto ou indireto, dos repasses financeiros devidos aos clubes integrantes do Condomínio Forte União à assinatura de documentos, à prática de atos de gestão ou à desistência de ações judiciais.

Multa

A ordem liminar barra condutas desse tipo e proíbe a retenção de verbas. Para a Sports Media, investidora controlada pela gestora Life Capital Partners (LCP), a determinação estabelece uma multa de R$ 50 mil diária por descumprimento.

O processo afirma que a empresa implementou uma conduta sistemática de condicionar os repasses financeiros mensais devidos às agremiações à regularização de assinaturas em documentos internos. Tais recursos decorrem de receitas de direitos comerciais e de mídia que pertencem ao Futebol Forte União (FFU).

O Sinafut argumenta que a engenharia de governança estabelecida confere ao polo investidor o controle dos fluxos de caixa, uma vez que a movimentação da conta centralizadora exige o voto afirmativo de representantes da Sports Media, que aportou cerca de R$ 2,6 bilhões para obter 20% das partes ideais do condomínio. Na realidade, os clubes negociaram diferentes percentuais sobre essa receita, normalmente variando de 10% a 15%.

Amazonas

A petição relata episódios de pressão direta contra o Amazonas ocorridos nos dias 24 e 25 de março deste ano.

De acordo com os documentos incorporados aos autos, o executivo principal da investidora cobrou dirigentes da equipe por ligações telefônicas e mensagens de WhatsApp para que desistissem de ações judiciais movidas contra o FFU, nas quais o clube pedia transparência e acesso aos contratos assinados com a XP Investimentos e o BTG Pactual.

O registro do processo transcreve mensagens enviadas aos dirigentes do clube com as perguntas “Qual vai ser sua posição?” e “Vai retirar?”.

Sports Media

Diante das acusações de conduta intimidatória, a Sports Media limitou-se a declarar nos autos que “faz contatos regulares com os clubes parceiros”, sem responder especificamente sobre as pendências de repasses.

Anteriormente, a empresa manifestou ao mercado que não havia sido citada formalmente e que não detém a responsabilidade direta pela distribuição de recursos aos clubes da liga.

O magistrado destacou em sua fundamentação que o uso de mecanismos econômicos como ferramenta de coerção compromete a autonomia desportiva e afeta o equilíbrio técnico do campeonato, prejudicando o interesse difuso dos torcedores.

Contexto

O contexto da disputa judicial reflete o acirramento das tensões dentro do bloco comercial. Além do caso envolvendo a equipe amazonense, o CSA, que hoje disputa a Série D do Campeonato Brasileiro, acionou órgãos de defesa econômica.

Já conselheiros do Sport formalizaram medidas para rever as regras contratuais do condomínio. As críticas centram-se na cláusula que exige aprovação de 90% das cotas para a tomada de decisões em matérias estratégicas, o que concede poder de veto à investidora minoritária sobre negociações de mídia e acordos institucionais.

O caso também atraiu a participação de entidades como a Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf), admitida como assistente processual.