Se Nova York e Nova Jersey se garantiram como palco da final da Copa do Mundo de 2026 por conta da relevância midiática e diversidade cultural, Los Angeles chega ao Mundial da Fifa com o objetivo de reafirmar a posição como capital global do entretenimento e realizar um “teste de estresse” definitivo para os Jogos Olímpicos de 2028.
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Terceira cidade analisada na série especial da Máquina do Esporte sobre as sedes da Copa do Mundo, a metrópole californiana viverá um cenário de contrastes como destino da competição. Isso porque, ao mesmo tempo em que oferece o SoFi Stadium, arena esportiva mais cara da história, ao torneio da Fifa, Los Angeles também luta nos bastidores contra a divisão de receitas e adaptações estruturais.
Escolhida para receber oito partidas do torneio, incluindo a estreia da seleção dos Estados Unidos, que será contra o Paraguai, no dia 12 de junho, Los Angeles trata o evento como uma forma de validar a operação para os Jogos Olímpicos que a cidade receberá em 2028.
Além disso, a estratégia do comitê local se baseia na conexão de elementos da cultura pop com ativos esportivos, utilizando ícones do entretenimento norte-americano para garantir que o evento tenha um apelo urbano e comercial relevante, bem como seja capaz de superar os desafios logísticos de uma cidade voltada para o deslocamento por meio de carros.
“Meca” das franquias
A cultura esportiva de Los Angeles é moldada por um grande número de franquias de elite em todas as principais ligas norte-americanas. A cidade abriga marcas globais como o Los Angeles Lakers, da NBA, que tem uma grande base de fãs internacional graças aos 17 títulos conquistados na liga e à presença de grandes nomes do basquete, como LeBron James.
No beisebol, a cidade conta com o Los Angeles Dodgers, da MLB, que carrega um simbolismo cultural profundo, historicamente impulsionado pela comunidade latina e pelo jogador mexicano Fernando Valenzuela nos anos 1980, que ajudou a popularizar a modalidade na região ao conduzir a franquia ao título da World Series em 1981. Além disso, Los Angeles também é a casa dos Rams e dos Chargers, da NFL, assim como dos Kings, da NHL.
Já no mercado do futebol, Los Angeles conseguiu atingir um sucesso comercial único na Major League Soccer (MLS). A rivalidade “El Tráfico”, configurada pela disputa entre o Los Angeles Galaxy e o Los Angeles FC, se tornou um ativo valioso para a liga.
O Los Angeles FC ainda redefiniu os parâmetros financeiros da MLS, ao se tornar a primeira franquia da liga a ser avaliada em mais de US$ 1 bilhão, segundo a revista Forbes. No futebol feminino, a cidade também dita tendências com o Angel City FC, da NWSL, que, a partir de investidoras como a atriz Eva Longoria, implementou um modelo de patrocínio em que 10% das receitas são revertidas para a comunidade local.
Conflito com a Fifa
O centro das operações de Los Angeles para a Copa do Mundo de 2026 será o SoFi Stadium. Casa dos Rams e dos Chargers na NFL, trata-se do estádio com o maior custo de construção do mundo, com valores que superam a marca dos US$ 5 bilhões.
Apesar disso, a relação entre a Kroenke Sports & Entertainment (KSE), empresa proprietária do estádio, e a Fifa foi marcada por tensões. Isso porque Stan Kroenke, dono da KSE, travou disputas com a entidade máxima do futebol mundial sobre os termos de partilha das receitas, chegando a ameaçar a retirada do estádio do torneio.
Além das questões financeiras, o SoFi Stadium ainda enfrentou desafios técnicos e estruturais para se adequar aos padrões exigidos pelo Mundial. A largura do campo, projetada para o futebol americano, é estreita demais para os padrões da Fifa. Dessa forma, foram necessárias reformas para a remoção de assentos próximos ao gramado, o que reduziu a capacidade de público do estádio.
As adequações feitas no SoFi Stadium serão temporárias e incluirão também a instalação de grama natural sobre a superfície artificial original da arena, exigindo ainda a implementação de sistemas de irrigação e ventilação específicos.
Marketing estrelado
Diferentemente de outras sedes que apostam apenas na infraestrutura, a estratégia de marketing do comitê anfitrião de Los Angeles envolve a definição de embaixadores que vão além do esporte para engajar a comunidade. O rapper Snoop Dogg foi nomeado como “Presidente Comunitário”, com a função de dar ao evento um apelo interessante e urbano.
A campanha ainda envolve lendas do esporte norte-americano, como Magic Johnson, e Luka Doncic, uma das principais estrelas atuais da NBA, escalado para conectar os fãs de basquete ao futebol, além da atriz Eva Longoria e o ex-jogador Cobi Jones, que defendeu a seleção de futebol dos EUA.
Com uma projeção de impacto econômico estimada em até US$ 594 milhões para o Condado de Los Angeles, a operação do evento precisou ser adaptada à geografia dispersa da cidade e aos desafios de mobilidade, agravados pelo cancelamento de projetos de transporte público na região do SoFi Stadium.
A solução encontrada foi descentralizar as celebrações e ativações da Fifa. Com isso, o Exposition Park foi confirmado como local principal do Fan Festival da entidade máxima do futebol mundial por ser servido por uma linha de metrô, facilitando o acesso ao centro e à região de Santa Monica.
Em paralelo, o Universal Studios Hollywood realizará as “Fan Fest Nights”, criando pacotes híbridos de turismo e entretenimento para capturar famílias e turistas nos dias de descanso da tabela de jogos do Mundial.
