O Atlético-MG acredita que a criação de uma liga unificada para o futebol brasileiro pode potencializar suas receitas em até 50%. No Maquinistas, podcast da Máquina do Esporte, Pedro Daniel, CEO da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube, posicionou o Galo como defensor deste caminho.
Atualmente, o Atlético-MG faz parte da Libra, com contrato válido até 2029. O clube também vendeu 10% dos direitos de transmissão para investidores do Futebol Forte União (FFU), antiga Liga Forte União (LFU). Para Pedro Daniel, porém, a solução para o mercado brasileiro é a unificação dos blocos.
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“Acreditamos que precisamos da centralização dos direitos, de uma liga unificada. O Brasil é talvez o último grande centro do futebol mundial onde o produto não é a competição como um todo. Isso é muito ruim, porque deixamos muito dinheiro na mesa. Ainda não temos um inventário organizado para saber o que pertence à competição e o que pertence ao clube”, analisou.
O posicionamento da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como mediadora deste processo também é visto com bons olhos pelo Atlético-MG.
“Acredito que a CBF deve fazer esse ‘meio-campo’ para que a gente possa ter um produto melhor. E aí é uma relação benéfica para todo mundo, no sentido estrutural e comercial. Tudo que a gente quer é ser mais atrativo para o mercado, ter mais dinheiro. Com mais dinheiro, teremos melhores atletas e infraestrutura. Enfim, é o que a gente chama de ‘ciclo virtuoso'”, apontou o executivo.
“Não existe liga independente. Todas as vezes que os clubes tentaram, foram incompetentes, não conseguiram chegar em um ponto no qual o bolo vai crescer, e todos vão ganhar. É sempre ‘qual é o tamanho do meu pedaço’. E a CBF tem a visão do futebol brasileiro como um todo”, destacou.
A expectativa de Pedro Daniel é de que as propriedades já estejam unificadas para o próximo ciclo de negociações, a partir de 2030. O CEO entende que o ideal é que outras propriedades além dos direitos de transmissão estejam envolvidas, como direitos internacionais, placas de publicidade e o uso estatístico das casas de apostas.
“Que a gente aproveite essa oportunidade e consiga desenvolver em conjunto esse nó que é fundamental para o próximo passo do desenvolvimento do futebol no Brasil”, pontuou.
Receitas
O Atlético-MG projeta ganhos significativos com a negociação centralizada de propriedades comerciais, que seria possibilitada por uma liga unificada. Pedro Daniel apontou que o Galo vê um potencial estrutural de aumento de receita de 50% na mudança de ciclo.
“Atualmente, somos apenas a sétima ou oitava liga do mundo pensando em valor, mas acredito que, com investidores sérios, um mercado regulado com Fair Play [Financeiro] e uma liga estabelecida, consigo valorizar esse produto muito rápido. Acredito que o Brasil pode se colocar no Top 3 tranquilamente”, avaliou.
O CEO exaltou que a adoção de uma visão societária para o futebol brasileiro como produto, em que o sucesso dos concorrentes fortalece o campeonato que é vendido em conjunto, possibilitaria a contratação de novas estrelas e, consequentemente, uma atração mais efetiva dos novos consumidores, dos fãs aos causais.
“O Galo tem 9 ou 10 milhões de torcedores. Se você pegar um clube médio da Premier League, tem menos torcedores, mas fatura muito mais, por que ele está sentado na mesa da Premier League. Quando geramos uma visão de sociedade, aí começamos a entender em qual mesa queremos sentar”, explicou.
Futuro
Os próximos passos do Atlético-MG começarão com a utilização de um aporte de R$ 530 milhões realizado pela família Menin. O valor será utilizado principalmente para o pagamento de dívidas bancárias, que representam R$ 600 milhões dos cerca de R$ 1,7 bilhão devidos pelo clube.
“Dentro do nosso plano de negócios, a meta é pagar todos os credores, então não há redução de dívida, só reperfilamos as dívidas. Mudamos nossa estrutura organizacional para ter mais eficiência. São muitas coisas acontecendo simultaneamente, mas com boas perspectivas”, afirmou Pedro Daniel.
O futuro do Atlético-MG será pautado pelo projeto “Galo 2030”, plano de negócios que mira o crescimento sustentável por meio do investimento em infraestrutura, categorias de base e modernização da Arena MRV.
“Estamos falando de um investimento de quase R$ 35 milhões em infraestrutura só neste ano. É quase uma transformação dentro do clube, com perspectivas muito boas”, contou o CEO.
“O Galo 2030 é uma construção. Não vamos apenas esperar chegar em 2030 para ver as coisas acontecerem. Já visualizamos alguns avanços na estrutura de capital e na organização”, concluiu.
Durante a participação ao podcast, Pedro Daniel também abordou a evolução das Sociedades Anônimas do Futebol no Brasil e debateu assuntos como Fair Play Financeiro e o trabalho do Atlético-MG na comunicação e no relacionamento com seus torcedores.
O podcast Maquinistas, apresentado por Erich Beting e Gheorge Rodriguez, com a participação de Pedro Daniel, CEO do Atlético-MG, já está disponível no Spotify e também no canal da Máquina do Esporte no YouTube.
