Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Luka Modric e Neymar estão provavelmente disputando a última Copa do Mundo de suas carreiras.
Além de protagonistas dentro de campo, foram ícones de uma era em que o futebol se consolidou como um dos maiores produtos globais de entretenimento, gerando audiência, engajamento, patrocinadores e narrativas em escala exponencial.
Então, agora que essa geração começa a sair de cena, a pergunta é inevitável: quem ocupará esse espaço?
Clubes, ligas, emissoras e patrocinadores sabem que o futebol depende de nomes capazes de gerar interesse em torno do jogo. E todo esporte precisa de protagonistas.
Nesse cenário, já temos candidatos a novos ídolos, como Erling Haaland e Lamine Yamal. E rapidamente se manifesta um padrão: sempre que surge um talento acima da média, a indústria tenta imediatamente posicioná-lo como “o próximo Lionel Messi” ou “o novo Cristiano Ronaldo”.
Esse movimento tem efeito direto nas marcas. As esportivas, por receio de perder o novo ídolo, assinam contratos de patrocínio com jogadores cada vez mais jovens. Recentemente, um garoto brasileiro de 10 anos teve um contrato assinado com a Puma.
As marcas não esportivas também estão atentas. Afinal, esses atletas são potenciais celebridades, influenciadores e criadores de conteúdo, em um ambiente em que cada publicação pode alcançar milhões de fãs e consumidores.
O problema é que essa comparação tem um efeito perigoso: ela antecipa expectativas. E, no futebol, expectativa nunca é neutra.
Já vimos esse filme antes, com jogadores jovens sendo colocados em narrativas desproporcionais. Alguns conseguem suportar, enquanto outros passam anos tentando se libertar de uma comparação que nunca escolheram.
O ponto não é culpar a comparação, mas sim entender o que ela faz com o tempo de desenvolvimento de um atleta.
Porque tudo muda. Muda a forma como a imprensa cobre. Muda a forma como o torcedor cobra. Muda a forma como o patrocinador se posiciona. E, inevitavelmente, muda a forma como o próprio jogador é percebido antes mesmo de chegar ao seu auge.
Há uma pressa quase angustiante em encontrar substitutos para uma geração que marcou profundamente o futebol. Mas substituir Lionel Messi ou Cristiano Ronaldo é um erro de premissa.
Os grandes ídolos não surgiram como herdeiros diretos. Pelé não substituiu Di Stéfano. Maradona não substituiu Pelé. Messi não substituiu Maradona.
Cada um deles não preencheu um espaço, mas criou um novo.
O desafio não é encontrar o próximo Lionel Messi ou o próximo Cristiano Ronaldo, mas entender se o futebol ainda permite que um novo protagonista simplesmente aconteça, sem precisar ser comparado com alguém.
Porque, no fim, a indústria do futebol não parece sofrer por falta de talento, mas sim por excesso de expectativa.
O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
Eduardo Corch é diretor-geral da EMW Global e professor do Insper. Tem 25 anos de experiência no mercado esportivo, com passagens por Adidas, Grupo BRF e Bridgestone, além de agências como Havas Sports & Entertainment. Foi líder de projeto na Copa do Mundo do Brasil 2014 (Adidas) e Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016 (Bridgestone), e gerenciou contratos de patrocínios com clubes, atletas e entidades esportivas
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