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Título da Espanha na Copa do Mundo de 2026 consagra ressurreição do Barcelona na era pós-Messi

Clube cedeu oito jogadores à seleção campeã, maior predomínio desde 2010, quando espanhóis também ergueram a taça com elenco de atletas blaugranas

Jogadores do Barcelona ajudaram a Espanha a conquistar a Copa do Mundo de 2026 - Reprodução / Instagram (@fcbarcelona)

⚡ Máquina Fast
  • O Barcelona cedeu oito jogadores para a Espanha campeã da Copa do Mundo de 2026, igualando o feito de 2010 e consolidando-se como clube com mais atletas em uma seleção campeã do século 21.
  • A crise financeira do Barcelona foi agravada pelo contrato milionário de Messi, que custou ao clube mais de 500 milhões de euros e contribuiu para dívida superior a US$ 1 bilhão.
  • Após a saída de Messi em 2021, o Barcelona recuperou seu equilíbrio financeiro, projetando para 2025/2026 receitas superiores a 1 bilhão de euros e melhor controle da folha salarial.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

O título da Espanha na Copa do Mundo de 2026, conquistado neste domingo (19) diante da Argentina de Lionel Messi, teve um sabor especial para o Barcelona.

Depois de se afundar numa grave crise financeira nos últimos anos – agravada pela pandemia da Covid-19 e também pelos gastos exorbitantes com folha de pagamento, durante a “Era Messi” -, o clube catalão conseguir ressuscitar dentro de campo, impondo sucessivas derrotas ao arquirrival Real Madrid, na LaLiga e na Copa do Rei.

De quebra, consolidou-se como o time que mais cedeu jogadores a uma seleção campeã de Copa do Mundo, no século 21. O elenco da Espanha, neste Mundial, contava com oito atletas do Barcelona: Joan García, Pau Cubarsí, Eric García, Gavi, Pedri, Dani Olmo, Ferran Torres e Lamine Yamal.

Com isso, o clube blaugrana igualou seu próprio feito na Copa do Mundo de 2010, quando também cedeu oito jogadores à Espanha, na conquista do primeiro Mundial do país: Piqué, Puyol, Busquets, Xavi, Iniesta, Pedro e Villa, todos titulares, além do goleiro reserva Victor Valdés.

Apenas um time neste século conseguiu se aproximar dessa marca. Trata-se do Bayern de Munique, que, em 2014, contava com sete atletas na seleção da Alemanha, na conquista da Copa realizada no Brasil: Manuel Neuer, Philipp Lahm, Jérôme Boateng, Bastian Schweinsteiger, Toni Kroos, Thomas Müller e Mario Götze, autor do gol do título.

Da glória ao caos com Messi

Em 2010, primeira vez em que serviu de base para a Espanha campeã, o Barcelona iniciava o auge da “Era Messi”, quando o argentino se consolidou como o maior craque da história da equipe.

“La Pulga” chegou à Catalunha em 2004 e participou da conquista da Champions League na temporada 2005/2006, ainda que na condição de coadjuvante de nomes como Ronaldinho Gaúcho, Deco e Samuel Eto’o.

Com a saída de Ronaldinho do time (de quem o argentino herdou a camisa 10) e a chegada do técnico Pepe Guardiola, a partir de 2008, Messi foi ganhando o status de protagonista, em um time que já trazia diversos dos atletas que ajudariam a Espanha a conquistar a Copa de 2010.

A partir do título da Champions League 2010/2011, o argentino atingiu um patamar quase que de divindade no Barcelona. Era muito amor envolvido, mas irrigado com somas cada vez mais milionárias, que passaram a drenar as receitas do clube, sem que o retorno viesse necessariamente dentro de campo.

Em 2017, ano em que o Real Madrid levantava sua segunda Champions League seguida (numa sequência de três, obtidas sob a liderança do técnico Zinedine Zidane e do craque português Cristiano Ronaldo), Messi assinava com os blaugranas uma renovação descrita pela imprensa espanhola como “o contrato faraônico que arruinou o Barcelona”.

Válido por quatro anos, o permitiria ao argentino alcançar a soma máxima global de € 555.237.619, com ganhos fixos de € 72,1 milhões, que poderiam atingir o teto de € 138 milhões por temporada, caso atingisse as metas previstas em contrato.

Isso sem contar os bônus de renovação, de € 115,2 milhões, apenas por aceitar prolongar o vínculo com a equipe, e de fidelidade, no valor de € 77,9 milhões, referente a metas a ser batidas no decorrer do acordo.

Como no período em questão 92% das metas estipuladas foram alcançadas, o Barcelona acabou pagando a Messi € 511 milhões nesse contrato, fato que acabou por pressionar as finanças do clube, resultando numa dívida superior a US$ 1 bilhão.

A perda de receitas ocasionada pela pandemia da Covid-19, que paralisou campeonatos e fechou estádios, fez com que a folha salarial elevada do clube ficasse em desacordo com a regra de fair play financeiro da LaLiga, impedindo-o de registrar uma nova renovação de contrato com o argentino.

Para contornar a situação, Messi aceitou reduzir seu salário em 50% para seguir no Barça, mas a medida não seria suficiente para que o clube se adequasse às normas da LaLiga.

A organização esportiva chegou a oferecer uma injeção de capital do fundo CVC, que detém percentuais minoritários dos direitos audiovisuais da maioria dos clubes da competição.

Em troca, porém, o Barcelona teria de abdicar do projeto da Superliga Europeia (que acabou de fato fracassando) e ceder ao fundo de investimentos uma parte de seus direitos de mídia. A proposta foi recusada pelo presidente Joan Laporta, segundo quem, o acordo acabaria por hipotecar o futuro da equipe.

O caos se aprofunda

Mesmo diante desse cenário sombrio, a diretoria do Barcelona encaminhou com os representantes do atleta a renovação do contrato. Antes que a assinatura ocorresse, porém, o clube comunicou que, após analisar as planilhas finais, chegou à conclusão de que o negócio era matematicamente inviável.

E assim, em 8 de agosto de 2021, Messi deu adeus ao Barcelona, transferindo-se para o PSG. Mais tarde, um vazamento de mensagens WhatsApp enviadas em 2020 por dirigentes do clube (episódio conhecido como Barçagete) revelaria o quanto a saída do craque havia sido traumática para os dois lados.

Messi era acusado pelas cartolas de haver prejudicado financeiramente a equipe, ao se recusar a reduzir o próprio salário durante a pandemia e ainda pressionar a diretoria por privilégios para si e também por renovações vantajosas aos seus colegas de elenco.

Numa das mensagens vazadas, Román Gómez Ponti, então chefe dos serviços jurídicos do Barcelona, utilizou termos como “rato de esgoto” e “anão hormonizado” para se referir a Messi, afirmando ainda que ele faria “grosserias e chantagens” aos dirigentes.

O Barcelona vivia o caos completo, depois de ser goleado por 8 a 2 pelo Bayern de Munique, nas quartas de final da Champions League 2019/2020.

Passados 11 dias desse vexame histórico, Messi enviou um documento oficial (conhecido na Espanha como “burofax”, termo que passou a ser usado para definir esse escândalo) ao clube, exigindo a rescisão unilateral de seu contrato, sob a alegação de que teria sido enganado pela diretoria.

O contrato de Messi continha uma cláusula que permitia sua saída de graça ao término de cada temporada, desde que ele comunicasse o clube até o dia 10 de julho de cada ano.

Seus advogados alegavam que, por conta da paralisação do calendário ocasionada pela pandemia, aquela temporada só teria sido encerrada em agosto. Na visão deles, o espírito do contrato permitiria que ele saísse sem custas, após o encerramento das competições.

O Barcelona, porém, ameaçou judicializar o caso e cobrar de Messi (ou de quem viesse a contratá-lo) uma multa de € 700 milhões. Para evitar uma batalha prolongada nos tribunais, o jogador cedeu permaneceu no clube, até que o fair play enfim consumou o divórcio, em 2021.

A polêmica com o craque custou caro ao então presidente Josep Maria Bartimeu, que precisou renunciar ao cargo em outubro de 2020, a fim de evitar sofrer processo de impeachment movido pelos sócios da equipe.

Recuperação financeira

Fora do Barcelona, Messi continuou a fechar contratos milionários, primeiro com o PSG e mais recentemente com o Inter Miami, dos Estados Unidos. Hoje, ele é o maior astro e a grande fonte de receitas da Major League Soccer (MLS).

Ele enfim passou a empilhar troféus com a seleção argentina, incluindo o da Copa do Mundo de 2022, feito nunca obtido nos tempos em que o atleta esteve no Camp Nou.

Nesse meio tempo, o Barcelona encarava os efeitos amargos da crise financeira, vendo o arquirrival Real Madrid reinar na Champions League.

Mais recentemente, o clube catalão conseguiu reequilibrar a correlação de forças no futebol espanhol, levando a melhor sobre os merengues nas últimas cinco edições do El Clásico. O time é ainda atual bicampeão da LaLiga.

O planejamento financeiro divulgado em outubro do ano passado mostra que o clube tem conseguido reequilibrar suas finanças.

Para a temporada 2025/2026, a projeção é de que a receita operacional ficará em € 1,075 bilhão, € 81 milhões a mais que no período anterior.

Já as despesas operacionais devem atingir € 1,019 bilhão, com uma folha salarial fixada em € 565 milhões, permitindo que os blaugranas voltassem a cumprir a regra 1:1 do fair play financeiro, que possibilita a um time reinvestir em contratações de atletas cada euro economizado ou arrecadado a mais durante a temporada.

O crescimento das receitas do Barcelona é impulsionado por fatores como o avanço nas áreas comercial e de patrocínio, que devem injetar € 543 milhões no caixa do clube, além da venda de camisas, que tem uma projeção de faturar € 277 milhões, maior cifra entre as equipes europeias.

A reabertura do Estádio Spotify Camp Nou também contribuiu para elevar os ganhos do Barcelona, com uma arrecadação prevista de € 266 milhões, relativos a bilheteria e matchday.

Por fim, o clube ainda esperava ganhar € 241 milhões com direitos de transmissão. O cenário parece ser promissor para o Barcelona, que volta a respirar sem ajuda de aparelhos e conta com uma das gerações mais vitoriosas da Espanha, capaz de turbinar seus resultados esportivos (e financeiros) no curto e médio prazo.

Ainda assim, as finanças do clube continuam a ser uma questão delicada. Em julho deste ano, a diretoria firmou um pedido de empréstimo de € 210 milhões, buscando dar mais fôlego para a equipe contratar novos reforços, sem sofrer restrições com base no fair play. Como garantia nessa operação, o Barcelona ofereceu as receitas futuras de seus direitos de mídia.