A Fifa distribuiu a seus 211 membros um documento de vendas de 25 páginas intitulado Materiais para Membros da Fifa Forward Enterprise, que defende a criação da nova empresa para administrar as operações comerciais da entidade.
O plano prevê a venda de 20% da companhia a investidores externos, incluindo o empresário norte-americano Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro de Donald Trump.
Plano
Segundo o material, cujos detalhes foram divulgados pelo jornal The Guardian, o crescimento financeiro da Fifa seria sustentado por mais torneios, aumento no preço dos ingressos e financiamento por dívida.
O prospecto foi elaborado em parceria com o banco JP Morgan, que já havia participado da tentativa de criação da Superliga Europeia.
O documento prevê ainda pagamentos de adesão de US$ 20 milhões às federações nacionais e aumento dos repasses do programa Fifa Forward para US$ 24 milhões por ciclo até 2039.
A proposta inclui a duplicação do número de torneios globais, passando de 200 para 450 por ano, o que poderia impactar diretamente a carga de trabalho dos jogadores.
Receitas
A Fifa também considera ampliar a monetização dos direitos de mídia, com possibilidade de transferir a cobertura da Copa do Mundo para canais por assinatura ou plataformas de streaming.
O JP Morgan argumenta que a entidade está “submonetizada”, comparando sua receita anual de US$ 3,6 bilhões com os ganhos da NFL (US$ 21,2 bilhões), MLB (US$ 13,1 bilhões) e NBA (US$ 12,5 bilhões).
Essas comparações foram questionadas por dirigentes, que destacaram a diferença entre uma entidade reguladora mundial e ligas privadas. Outro ponto levantado foi a necessidade de contrair dívidas, mesmo com reservas de caixa de US$ 4 bilhões e receitas acumuladas de US$ 15 bilhões no ciclo atual.
Futebol feminino
Apesar de detalhar planos de expansão e novos torneios, o documento faz apenas uma referência à Copa do Mundo Feminina em suas 25 páginas. Essa ausência foi apontada como uma omissão relevante, considerando o crescimento da modalidade nos últimos anos.
O material indica que investidores terão acesso a informações iniciais em agosto, antes da votação das federações filiadas à Fifa. No entanto, há pouca menção à identidade dos investidores, às projeções de retorno ou às condições de saída do negócio. Procurada pelo diário britânico, a Fifa não se pronunciou.
