A publicidade de setores como sites de acompanhantes e casas de apostas ao esporte pode atingir valores importantes dos clubes de futebol, como integridade, inclusão e proteção de públicos vulneráveis.
A proibição desses segmentos de veicularem suas mensagens publicitárias no esporte em geral e no futebol em particular é o que defende Heloisa Rios, CEO da Universidade do Futebol e sócia-fundadora da InConnection.
“É uma questão de princípios e valores. É o comércio de gente. Não estou julgando se está legalizado ou não. É uma expressão forte. Se existe o comércio de mulheres e de homens é porque existem consumidores”, afirmou a executiva, em entrevista à Máquina do Esporte.
A CEO da Universidade do futebol participou de um debate sobre boas práticas de governança em entidades esportivas durante o Fórum Sustentabilidade em Campo, no Museu do Futebol, em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (3).
Patrocínio
Em junho, o Corinthians, um dos clubes de maior torcida do Brasil, anunciou acordo com a Fatal Fans, plataforma da Fatal Model que comercializa vídeos, principalmente eróticos, sendo concorrente do OnlyFans.
No início do ano, o Vitória, outro clube da Série A do Campeonato Brasileiro, trocou o patrocínio da Fatal Model por outro site de acompanhantes, o Skokka. A Fatal Model, por sua vez, é patrocinadora do Remo, outro time da elite do Brasileirão.
Há um projeto de lei, apresentado em julho pela deputada federal Sâmia Bonfim (PSOL/SP), que busca proibir esse tipo de publicidade em eventos esportivos.
“O mundo do futebol é um ambiente muito machista, e esse tipo de conteúdo atinge o menor de idade, porque está em placa de campo, está na camisa de time. Isso acaba replicando ainda mais esse tipo de valor que a gente quer combater”, analisou Heloisa Rios.
A executiva também é presidente do Conselho de Administração do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), mas ressaltou que não fala pela entidade. O porta-voz é José Antônio Freire, ex-jogador da seleção brasileira de futebol de cegos, que assumiu a presidência do CPB no ano passado.
Ludopatia
Heloisa também defendeu uma maior restrição da publicidade de plataformas de apostas no futebol brasileiro, em vista dos problemas decorrentes do excesso de visibilidade do setor: problemas de endividamento entre famílias de baixa renda e vício em jogos.
“Quando você entra nesse mundo digital de isolamento e de tantas questões de saúde mental, ativa jogos e leva à ludopatia. Então, sou contra [publicidade de bets]”, enfatizou a executiva, ressaltando que o esporte deve preservar valores educacionais e inclusivos.
