O Real Madrid apresentou um orçamento para a temporada 2026/2027 que estabelece um novo recorde de investimento esportivo.
O clube espanhol prevê destinar € 707 milhões para salários e amortizações de transferências de jogadores, maior valor já registrado pela instituição e equivalente ao montante projetado pelo PSG.
Receitas
O crescimento dos gastos é sustentado por uma receita estimada em € 1,405 bilhão, também a maior da história do clube. Desse total, € 1,250 bilhão virão das operações recorrentes, enquanto € 154,8 milhões estão previstos com receitas não recorrentes, ou seja, venda de direitos federativos de jogadores.
Mesmo com o avanço das despesas, o Real Madrid estima encerrar o exercício com lucro líquido de € 14,2 milhões. O resultado projetado é inferior aos € 26,3 milhões obtidos em 2025/2026, quando o clube foi beneficiado pela reversão de provisões relacionadas a uma disputa judicial envolvendo um terreno em Las Tablas (na parte norte de Madri).
O orçamento esportivo representa 57% da receita total e 50% do faturamento consolidado, índice considerado confortável dentro dos parâmetros de controle financeiro da Uefa.
Grande parte da expansão financeira está associada ao Estádio Santiago Bernabéu. O clube espera gerar € 420,1 milhões com atividades ligadas ao estádio, incluindo bilheteria, programas de hospitalidade, museu, eventos e outras experiências comerciais.
Os contratos de patrocínio também seguem como um dos pilares do crescimento. O Real Madrid renovou acordos estratégicos com Adidas, Emirates e Mahou, além de firmar novas parcerias comerciais nos últimos anos.
Outro destaque é a contribuição de La Fábrica, centro de formação do clube. As vendas de atletas como Gonzalo García, César Palacios, Nico Paz, Jacobo Ortega e Víctor Muñoz ajudaram a elevar a projeção de receitas com transferências a um recorde de € 154,8 milhões.
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Futebol feminino
Apesar da expansão das receitas, o futebol feminino do Real Madrid continua operando no vermelho. A equipe encerrou a temporada 2025/2026 com prejuízo de € 785 mil, revertendo o lucro de quase € 1 milhão registrado no exercício anterior. Ainda assim, a divisão alcançou receita recorde de € 14,4 milhões.
A área comercial segue como principal fonte de faturamento. Patrocínios e merchandising responderam por € 11,8 milhões, equivalentes a 82% da receita total do departamento feminino.
O desempenho na Champions League Feminina também contribuiu para os números da temporada. A participação até as quartas de final elevou as receitas de competições para € 1,6 milhão, crescimento de 53% na comparação anual.
Os custos acompanharam o avanço das operações. O investimento em salários e amortizações de transferências chegou a € 8,5 milhões, enquanto a folha salarial total da alcançou € 9,5 milhões.
Para 2026/2027, o Real Madrid projeta aumentar o faturamento do futebol feminino para € 16,2 milhões. O braço comercial deverá representar € 13,9 milhões desse total, ou 86% das receitas da modalidade.
Mesmo com a expansão dos negócios, a previsão é de novo resultado negativo. O orçamento estima déficit de € 1,3 milhão, influenciado pelos investimentos na equipe principal e na estrutura de formação de atletas.
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Basquete
O departamento de basquete também seguirá operando com prejuízo, apesar da expectativa de crescimento das receitas.
Na temporada 2025/2026, a modalidade registrou perdas de € 33,2 milhões. Para 2026/2027, o Real Madrid ampliará o orçamento do setor para € 67,2 milhões.
Somente a folha de pagamento do elenco e da comissão técnica está projetada em € 52,7 milhões, sendo € 44,4 milhões destinados diretamente aos atletas e funcionários da equipe principal.
Em contrapartida, a receita do basquete alcançou € 27,4 milhões na última temporada, impulsionada principalmente pelo crescimento dos direitos de transmissão e dos contratos de patrocínio.
Para o novo exercício, o clube espera um salto na distribuição de receitas da Euroliga. A projeção é que a receita de televisão ultrapasse € 7 milhões pela primeira vez, superando a arrecadação com ingressos.
Os acordos comerciais também continuam em expansão. O departamento conta com parceiros como Emirates, Adidas, Reale Seguros, BMW, Louis Vuitton, Sanitas, Unicaja, Mahou e Solán de Cabras.
Apesar do avanço das receitas, o futebol masculino segue sendo responsável por absorver o déficit operacional do basquete, cuja estratégia esportiva inclui o fortalecimento do elenco em meio às discussões sobre o futuro do clube entre a permanência na Euroliga e uma possível adesão ao projeto da NBA Europa.
