O crescimento do running no Brasil tem despertado o interesse de empresas de diferentes setores por provas da modalidade.
De acordo com projeções da Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (Abraceo), o número geral de eventos dessa modalidade cresceu 85% entre 2025 e 2026, com o total de provas disparando de 2.827 para 5.241.
Nesse período, a quantidade de permits (modo como são conhecidas as autorizações oficiais das federações de atletismo) aumentaram 47%, em um sinal de que os organizadores estão buscando cada vez mais oficializar seus eventos.
Estado mais rico e populoso do país, São Paulo atualmente concentra o maior número de corridas de rua, com 1.311 eventos.
A estimativa é de que as corridas de rua ao redor do país reúnam cerca de 15 milhões de participantes, o que acaba por atrair o interesse de grandes marcas, que desejam dialogar de perto com esse público.
Um dos setores que têm apostado nesse tipo de evento é o das empresas de comunicação. Por muitos anos, elas se limitaram a cobrir as corridas, mas hoje também investem na promoção de eventos proprietários.
UOL Run
O UOL é um dos exemplos mais recentes de empresa de mídia que resolveu lançar sua própria corrida de rua.
A primeira edição do UOL Run, que celebra os 30 anos de lançamento do portal, está marcada para ocorrer no dia 18 de outubro.
O evento terá circuitos de 3 km, 5 km, 10 km e 15 km, com direito a uma prova aberta a pets. A expectativa dos organizadores é reunir aproximadamente 6 mil participantes.
No caso do UOL, investir em um evento proprietário se mostra uma decisão estratégica. O portal afirma possuir um contingente de 300 mil usuários que acessam conteúdos sobre corrida e caminhada, com tempo médio de permanência de 32 minutos.
Outras provas
Em março de 2026, a Folha de S. Paulo, que pertence ao mesmo grupo do UOL, promoveu a Corrida Folha, em celebração aos 105 anos do jornal.
Organizada pela Vega Sports, a prova teve largada e chegada no Vale do Anhangabaú e percorreu marcos arquitetônicos e turísticos relevantes do centro histórico da capital paulista, incluindo Viaduto do Chá, Teatro Municipal, Mosteiro de São Bento, Farol Santander e a própria sede do jornal, na Alameda Barão de Limeira.
Os inscritos receberam, além dos itens tradicionais como medalha e camiseta, pacotes de benefícios que davam direito a assinatura digital gratuita do jornal.
O canal por assinatura Sportv, do Grupo Globo, também passou a contar com seu próprio circuito de corridas de rua, com provas em São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), as duas maiores cidades do país.
Com trajetos de 5 km e 10 km, o Circuito Sportv Run é organizado pela Yescom e conta com a presença de jornalistas, narradores e comentaristas famosos do canal, estúdios interativos, transmissões especiais e cenários instagramáveis voltados para os fãs de esporte.
Relação é antiga
As provas proprietárias de grupos de mídia vêm crescendo nos últimos anos, na esteira da expansão do running no país.
Mas a relação desse setor com as corridas de rua é antiga, como lembra o CEO da Abraceo, Guilherme Celso, que considera positivo esse movimento.
“Na verdade, os veículos de comunicação sempre tiveram uma participação importante no desenvolvimento da corrida de rua no Brasil. A prova mais antiga do país nasceu ligada à imprensa, com a Gazeta, e depois vieram outros grandes exemplos, como a Tribuna de Santos e a Corrida Integração da EPTV. Então, não vejo isso como uma novidade, mas como um amadurecimento e uma percepção mais clara do potencial que o mercado de corrida de rua alcançou nos últimos anos”, pondera.
Para o executivo, os veículos entenderam que a corrida é muito mais do que um evento esportivo.
“Ela cria comunidade, gera conteúdo, aproxima marcas e promove hábitos saudáveis. Quando um grupo de comunicação decide investir em uma prova proprietária, ele amplia o alcance da modalidade e ajuda a atrair novos corredores, fortalecendo todo o ecossistema”, afirma.
Celso acredita que esse movimento de provas proprietárias de grupos de mídia tende a crescer nos próximos anos.
“Não porque os veículos queiram se tornar organizadores de eventos, mas porque enxergaram que a corrida é uma excelente plataforma para se conectar com sua audiência. E, quando isso acontece em parceria com organizadores especializados, quem mais ganha é o participante e o mercado como um todo”, avalia.
