Os adversários de Gianni Infantino intensificaram os movimentos para a montagem de uma nova estrutura de governança do futebol mundial.
A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa), a Confederação da América do Norte, Central e do Caribe (Concacaf) e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) trabalham em conjunto na elaboração de um documento que propõe mudanças profundas na administração da Fifa.
Crise
A iniciativa surge após o presidente da entidade ignorar pedidos de revisão independente, especialmente depois da polêmica tentativa de vender 21% dos direitos comerciais do futebol a investidores ligados a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.
Segundo fontes próximas às negociações, as confederações discutem questões como o papel da Fifa, modelos de governança e distribuição financeira entre as federações. A reserva atual da entidade é estimada em US$ 5 bilhões.
Caso Infantino não aceite dialogar, o projeto pode servir de base para um candidato de oposição nas eleições presidenciais do próximo ano.
A Uefa já sinalizou boicote às competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo Feminina Sub-20, marcada para a Polônia, em setembro, caso não haja garantias jurídicas contra a repetição dos problemas recentes.
Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, tem se reunido com dirigentes europeus para reforçar a unidade em torno da exigência de mudanças.
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Trump
Em meio à pressão, Infantino recebeu apoio de Trump. Em uma publicação no Truth Social, o presidente norte-americano afirmou que substituir o dirigente seria “um erro terrível” e destacou que a última Copa do Mundo foi a “mais bem-sucedida de todos os tempos”.
Infantino enfrenta críticas por seu plano de privatizar a Copa do Mundo, criando uma entidade comercial para gerir direitos de transmissão, patrocínios e ingressos. O projeto previa remuneração milionária ao presidente da Fifa e tinha como principal investidor Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro de Trump.
A proposta foi abandonada após forte reação de AFC, Concacaf e Uefa, que classificou a iniciativa como uma “linha vermelha”.
Apesar do apoio de Trump, federações da Concacaf, incluindo Estados Unidos, Canadá, União Caribenha de Futebol (CFU) e União Centro-Americana de Futebol (Uncaf), se alinharam à posição da Uefa e da AFC, exigindo mudanças significativas na governança da entidade.
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México
Dentro da Concacaf, porém, há uma voz dissidente. O México se isolou ao apoiar Infantino. A Federação Mexicana de Futebol (FMF) divulgou comunicado afirmando que não reconheceria processos fora da estrutura institucional da Fifa e reforçou apoio ao presidente.
Fontes internas apontam que o apoio mexicano está ligado à promessa de Infantino de conceder ao país a sede da Copa do Mundo de Clubes 2029, decisão que não cabe apenas ao presidente da Fifa.
A posição da FMF gerou desconforto regional, já que a maioria das federações da Concacaf se posicionou contra Infantino.
Atualmente, apenas México e Trump se mantêm como apoiadores declarados do presidente da Fifa na região, enquanto cresce a pressão internacional por sua saída e por mudanças estruturais na entidade.
