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Uefa, AFC e Concacaf querem renúncia de Gianni Infantino da presidência da Fifa

Três das principais confederações continentais publicaram uma carta conjunta cobrando a saída do dirigente após crise na entidade

Frente e verso: Gianni Infantino, presidente da Fifa, cumprimenta Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol - Reprodução/Instagram @gianni_infantino

Frente e verso: Gianni Infantino, presidente da Fifa, cumprimenta Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, durante visita a Cáli, na Colômbia - Reprodução / Instagram (gianni_infantino)

⚡ Máquina Fast
  • Uefa, AFC e Concacaf exigem a renúncia imediata de Gianni Infantino da presidência da Fifa devido a acusações de quebra de confiança e engano.
  • Confederações discutem a criação de competições alternativas em resposta ao boicote institucional à Fifa, ameaçando torneios como a Copa do Mundo Feminina Sub-20.
  • Fifa rebate acusações, classificando a pressão contra Infantino como campanha de desinformação, enquanto Conmebol e CAF mantêm apoio ao presidente.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa), a Confederação Asiática de Futebol (AFC) e a Confederação da América do Norte, Central e do Caribe (Concacaf) se uniram para pressionar pela renúncia imediata de Gianni Infantino do cargo de presidente da Fifa.

A medida ocorre após a publicação de uma carta aberta assinada pelos principais dirigentes das três entidades, que acusam Infantino de quebra de confiança por meio de engano e criticam a omissão da federação internacional diante do projeto Football Forward Enterprise (FFE), que previa a venda de 21% dos direitos comerciais do futebol a investidores ligados ao presidente dos Estados Unidos Donald Trump.

As confederações iniciaram discussões preliminares sobre a organização de novas competições alternativas, caso o boicote institucional aos torneios da Fifa seja mantido, o que pode afetar a realização da Copa do Mundo Feminina Sub-20, marcada para a Polônia, em setembro.

Carta aberta

A carta aberta, assinada pelos presidentes Aleksander Ceferin (Uefa), xeque Salman bin Ibrahim Al Khalifa (AFC) e Victor Montagliani (Concacaf), aponta que a conduta recente de Infantino reflete uma visão distorcida sobre a gestão do esporte.

“Liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de deter – ou exigir – poder. É um dever de serviço à família do futebol que o confia”, afirma um trecho da carta.

“Quando a confiança é quebrada por meio do engano, quando um indivíduo se coloca acima do coletivo que lhe confiou autoridade, esse dever foi abandonado”, completa o documento.

Os presidentes também criticaram a resposta da Fifa à crise, descrita na correspondência interna como uma falha de comunicação, e exigiram que a investigação independente sobre o caso seja conduzida por um terceiro totalmente imparcial.

“[A Fifa] trata isso como uma falha de comunicação, quando o que o futebol testemunhou foi uma falha de julgamento”, critica o documento.

“Não reconheceu que a proposta em si era intrinsecamente errada. Permanece sem o reconhecimento de que tentar vender uma participação na Copa do Mundo da Fifa foi uma profunda falha de julgamento – não apenas um deslize processual, mas uma quebra fundamental de confiança com as próprias instituições que a Fifa existe para servir”, completa a missiva.

Além disso, a aliança de confederações destacou que o impasse institucional não comprometerá o repasse de recursos financeiros às associações membros, rejeitando argumentos de alarmismo, e estabeleceu que as decisões sobre o calendário e a expansão de torneios tomadas coletivamente serão mantidas.

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Pressão

A pressão internacional sobre a gestão de Infantino ganhou novos apoiadores com o pronunciamento da presidente da Federação Norueguesa de Futebol, Lise Klaveness, que solicitou publicamente a demissão imediata do dirigente.

Lise argumentou que a liderança atual carece da estabilidade institucional necessária para conduzir o esporte e apontou controvérsias adicionais envolvendo a atribuição de sedes e processos disciplinares.

“Ele não tem a confiança institucional necessária para governar a Fifa de forma estável nos tempos em que vivemos. Não há volta para Gianni Infantino”, afirmou a dirigente, em coletiva de imprensa.

No mesmo sentido, o presidente da LaLiga, Javier Tebas, manifestou apoio à saída do dirigente e criticou os impactos dos projetos da federação internacional sobre os campeonatos nacionais.

O espanhol afirmou, em entrevista ao jornal Le Monde, que a gestão atual afeta a estrutura competitiva do esporte.

“Para mim, o tempo de Gianni Infantino já passou há muito tempo. Não digo isso por causa dos acontecimentos recentes; venho observando esse estilo de gestão há muito tempo, embora pareça que todos só estejam se dando conta disso agora”, alertou.

Defesa

Em resposta às críticas generalizadas, a Fifa emitiu comunicados oficiais classificando as investidas contra o seu presidente como um esforço concentrado para minar a instituição e seu mandato.

A entidade declarou que relatórios recentes continham acusações sem fundamento e reiterou que não vai tolerar campanhas de desinformação destinadas a desestabilizar a governança global do esporte.

A federação argumentou que as mudanças promovidas frequentemente desafiam interesses estabelecidos, mas defendeu a legalidade de seus procedimentos administrativos.

“A Fifa acolhe com satisfação o escrutínio legítimo. Mas o escrutínio não é uma licença para distorcer os fatos, amplificar acusações sem fundamento ou criar distrações destinadas a minar o progresso. Quando as notícias forem imprecisas ou enganosas, a Fifa irá contestá-las direta e vigorosamente”, afirmou a entidade em nota oficial.

Enquanto a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) e a Confederação Africana de Futebol (CAF) mantiveram apoio formal à continuidade da gestão, o cenário político permanece polarizado rumo às eleições da entidade marcada para março de 2027. Desde que assumiu o poder, Infantino nunca havia enfrentado uma oposição tão severa.