A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa), a Confederação Asiática de Futebol (AFC) e a Confederação da América do Norte, Central e do Caribe (Concacaf) se uniram para pressionar pela renúncia imediata de Gianni Infantino do cargo de presidente da Fifa.
A medida ocorre após a publicação de uma carta aberta assinada pelos principais dirigentes das três entidades, que acusam Infantino de quebra de confiança por meio de engano e criticam a omissão da federação internacional diante do projeto Football Forward Enterprise (FFE), que previa a venda de 21% dos direitos comerciais do futebol a investidores ligados ao presidente dos Estados Unidos Donald Trump.
As confederações iniciaram discussões preliminares sobre a organização de novas competições alternativas, caso o boicote institucional aos torneios da Fifa seja mantido, o que pode afetar a realização da Copa do Mundo Feminina Sub-20, marcada para a Polônia, em setembro.
Carta aberta
A carta aberta, assinada pelos presidentes Aleksander Ceferin (Uefa), xeque Salman bin Ibrahim Al Khalifa (AFC) e Victor Montagliani (Concacaf), aponta que a conduta recente de Infantino reflete uma visão distorcida sobre a gestão do esporte.
“Liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de deter – ou exigir – poder. É um dever de serviço à família do futebol que o confia”, afirma um trecho da carta.
“Quando a confiança é quebrada por meio do engano, quando um indivíduo se coloca acima do coletivo que lhe confiou autoridade, esse dever foi abandonado”, completa o documento.
Os presidentes também criticaram a resposta da Fifa à crise, descrita na correspondência interna como uma falha de comunicação, e exigiram que a investigação independente sobre o caso seja conduzida por um terceiro totalmente imparcial.
“[A Fifa] trata isso como uma falha de comunicação, quando o que o futebol testemunhou foi uma falha de julgamento”, critica o documento.
“Não reconheceu que a proposta em si era intrinsecamente errada. Permanece sem o reconhecimento de que tentar vender uma participação na Copa do Mundo da Fifa foi uma profunda falha de julgamento – não apenas um deslize processual, mas uma quebra fundamental de confiança com as próprias instituições que a Fifa existe para servir”, completa a missiva.
Além disso, a aliança de confederações destacou que o impasse institucional não comprometerá o repasse de recursos financeiros às associações membros, rejeitando argumentos de alarmismo, e estabeleceu que as decisões sobre o calendário e a expansão de torneios tomadas coletivamente serão mantidas.
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Pressão
A pressão internacional sobre a gestão de Infantino ganhou novos apoiadores com o pronunciamento da presidente da Federação Norueguesa de Futebol, Lise Klaveness, que solicitou publicamente a demissão imediata do dirigente.
Lise argumentou que a liderança atual carece da estabilidade institucional necessária para conduzir o esporte e apontou controvérsias adicionais envolvendo a atribuição de sedes e processos disciplinares.
“Ele não tem a confiança institucional necessária para governar a Fifa de forma estável nos tempos em que vivemos. Não há volta para Gianni Infantino”, afirmou a dirigente, em coletiva de imprensa.
No mesmo sentido, o presidente da LaLiga, Javier Tebas, manifestou apoio à saída do dirigente e criticou os impactos dos projetos da federação internacional sobre os campeonatos nacionais.
O espanhol afirmou, em entrevista ao jornal Le Monde, que a gestão atual afeta a estrutura competitiva do esporte.
“Para mim, o tempo de Gianni Infantino já passou há muito tempo. Não digo isso por causa dos acontecimentos recentes; venho observando esse estilo de gestão há muito tempo, embora pareça que todos só estejam se dando conta disso agora”, alertou.
Defesa
Em resposta às críticas generalizadas, a Fifa emitiu comunicados oficiais classificando as investidas contra o seu presidente como um esforço concentrado para minar a instituição e seu mandato.
A entidade declarou que relatórios recentes continham acusações sem fundamento e reiterou que não vai tolerar campanhas de desinformação destinadas a desestabilizar a governança global do esporte.
A federação argumentou que as mudanças promovidas frequentemente desafiam interesses estabelecidos, mas defendeu a legalidade de seus procedimentos administrativos.
“A Fifa acolhe com satisfação o escrutínio legítimo. Mas o escrutínio não é uma licença para distorcer os fatos, amplificar acusações sem fundamento ou criar distrações destinadas a minar o progresso. Quando as notícias forem imprecisas ou enganosas, a Fifa irá contestá-las direta e vigorosamente”, afirmou a entidade em nota oficial.
Enquanto a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) e a Confederação Africana de Futebol (CAF) mantiveram apoio formal à continuidade da gestão, o cenário político permanece polarizado rumo às eleições da entidade marcada para março de 2027. Desde que assumiu o poder, Infantino nunca havia enfrentado uma oposição tão severa.
