A Lyst divulga a cada trimestre um índice de marcas e produtos que mais estão gerando desejo, busca e conversa ao mesmo tempo, o chamado Lyst Index. No segundo trimestre deste ano, o boné do New York Knicks, atual campeão da NBA, liderou o ranking global de produtos, superando bolsas de luxo e peças de passarela, em um salto de busca que a própria Lyst atribuiu diretamente ao momento cultural do título da liga norte-americana de basquete conquistado pelo time. O caso interessa justamente por borrar a linha entre “produto de torcedor” e “item de moda”, algo que já vemos há alguns anos, mas talvez não nesta intensidade.
Um dos principais motivos é também o mais óbvio: o esportivo. Um título depois de mais de cinco décadas transforma o escudo do time em símbolo de pertencimento, o tipo de evento que faz a compra representar “eu estive em um momento histórico”. Essa explicação é razoável, mas parece incompleta sozinha, pois times ganham títulos o tempo todo sem que o boné vire fenômeno de moda global.
Assim, a camada que talvez explique melhor o salto é a cultural. Durante toda a campanha do New York Knicks na NBA, o Madison Square Garden, arena do time em Nova York, contou com Taylor Swift, Kylie Jenner, Timothée Chalamet, Ben Stiller e Spike Lee ocupando com frequência a fileira reservada às celebridades. O fenômeno ficou tão grande que, depois dos jogos das finais de conferência em Cleveland, as cadeiras usadas por eles foram parar em um leilão (e a de Taylor Swift, sozinha, ultrapassou os demais lances, para quem quiser saber). Quando um item de torcida aparece repetidamente ao lado desse tipo de nome, ele passa a comunicar Nova York e status, além do recado esportivo original.

A terceira camada, por sua vez, ajuda a entender por que foi justamente um boné, e não uma camisa ou uma jaqueta, o item que capturou essa atenção. Boné é um produto de baixo custo, fácil de comprar, presentear, fotografar e combinar, o tipo de peça que já circula há muito tempo e é um item esportivo que funciona como vestimenta no dia a dia, longe da arquibancada. Some-se a isso uma estética de herança (o boné de um time como peça vintage e institucional), e o resultado parece ser um item que já estava pronto para o momento em que a cultura decidisse validá-lo.
Por fim, vale mencionar também que a camisa da parceria entre a Adidas e o estilista Willy Chavarria também entrou no Top 10 de produtos do trimestre.
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