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Projeto do Parque dos Corais em Maceió prevê R$ 600 milhões em investimentos e estádio para 30 mil torcedores em jogos

Novo complexo esportivo seria viabilizado com recursos privados, ocupando área de 372 mil m² no litoral norte da capital alagoana

Maquete digital do estádio do Complexo Parque dos Corais - Reprodução / Instagram (@rodrigocunhaal)

⚡ Máquina Fast
  • Projeto do Parque dos Corais prevê complexo esportivo multiuso em Maceió com capacidade para 30 mil pessoas e investimento privado de R$ 600 milhões.
  • Complexo será inspirado nos recifes de coral e no filé alagoano, com parque público gratuito, esplanada para eventos e possibilidade de exploração hoteleira.
  • Estudo considera fragilidade do Estádio Rei Pelé e busca apoiar a economia local com geração de empregos e atração de 1,5 milhão de visitantes por ano.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

A cidade de Maceió (AL), com uma população estimada de 995 mil habitantes, pode estar em vias de ganhar um novo e moderno complexo esportivo, batizado por enquanto de Parque dos Corais.

A Máquina do Esporte teve acesso ao projeto, que foi proposto à prefeitura da capital alagoana pelas empresas Think Viabilidade de Negócios, Jaime Lerner Arquitetos Associados, Effect Arquitetura e Gerenciamento, Vallya Advisors e Amaral, Paes de Andrade & Figueirêdo Advogados.

Elas reúnem experiência em projetos como os Estádios do Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ), e Nacional, de El Salvador, além do Parque da Orla do Guaíba, em Porto Alegre (RS), a concessão de parques públicos na capital fluminense e as Parcerias Público-Privadas (PPPs) do Hospital do Coração e do Centro Administrativo de Maceió.

A iniciativa parte de um recente estudo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que aponta o Estádio Rei Pelé (conhecido como Trapichão, palco dos jogos do CSA e do CRB, os maiores clubes do estado) fragilizado em estrutura e logística.

O projeto também aponta outras questões nas áreas de lazer, esportes e entretenimento na cidade, como teatros com infraestrutura insuficiente, Jaraguá sem apoio de logística e estacionamento, orla saturada, Centro de Convenções com agenda comprometida, baixa atração de eventos nacionais e internacionais e demanda reprimida por um novo equipamento.

A justificativa para a criação do novo complexo estaria no potencial de Maceió, com mais de 1 milhão de habitantes na capital e região metropolitana, aeroporto internacional com malha aérea consolidada, vocação turística forte, rede ampla de hotéis e locação por temporada, estradas duplicadas, torcidas engajadas e turistas.

Como seria o projeto

A proposta prevê que o Parque dos Corais será instalado em uma área de 372 mil m² na região do Riacho Doce, no litoral norte de Maceió.

O complexo de esporte, eventos e lazer contará com um parque público, que ficará aberto gratuitamente aos visitantes todos os dias do ano.

A expectativa é de que a estrutura receberá R$ 600 milhões em investimentos da iniciativa privada, viabilizando a construção de uma arena multiuso que atenda aos padrões da Federação Internacional de Futebol (Fifa) e possa receber até 30 mil torcedores em dias de jogos, além de 40 mil pessoas em shows e demais eventos.

De acordo com os autores da proposta, toda a lógica arquitetônica das estruturas a serem construídas deverá ser pensada e inspirada para ser branca, orgânica e vazada, inspirada nos recifes de coral e na relação direta com o mar. As fachadas, o sombreamento e a textura urbana devem remeter à tramas, vazios e desenhos de rede inspirados no filé alagoano.

O projeto contempla ainda uma esplanada para receber eventos noturnos, feiras ao ar livre, estruturas temporárias, pré-jogo, corridas de rua e shows.

Está prevista ainda a possibilidade de exploração hoteleira na região mais próxima à praia, como um possível reforço à viabilidade econômico-financeira do projeto.

Números e datas

Os autores da proposta acreditam que o projeto deverá gerar 5 mil postos de trabalho na implantação e execução das obras, além de 2 mil empregos diretos, indiretos e induzidos na operação do complexo, sem contar em torno de 1 mil contratações temporárias em dias de grandes eventos ou jogos.

Eles esperam que o local deverá receber 1,5 milhão de pessoas ao ano, propiciando uma movimentação econômica de R$ 200 milhões anuais e uma arrecadação de R$ 10 milhões à Prefeitura de Maceió.

Se o cronograma proposto pelas empresas for cumprido à risca, o leilão para as companhias interessadas em assumir as obras ocorrerá ainda no primeiro semestre de 2027. A data para a inauguração do Parque dos Corais ainda não está definida, pois depende dos editais que virão a ser publicados.

Aprender com lições de outras arenas

No projeto, as empresas proponentes afirmam ter analisado as realidades de oito arenas brasileiras: Castelão e Presidente Vargas (CE), Fonte Nova (BA), Mineirão (MG), Arena das Dunas (RN), Balbinão (BA), Arena Pernambuco (PE) e Arena MRV (MG).

Eles teriam identificados quatro lições que norteiam a proposta do Parque dos Corais. A primeira delas é que, sem entorno, o estádio vira despesa. Os autores citam o caso do Castelão, cuja concessão foi devolvida ao estado do Ceará após um investimento de R$ 519,6 milhões na obra. “Sem esplanada e sem comércio, sobra manutenção”, pontuam.

O segundo aprendizado é que receita acessória é o que fecha a conta. “Fonte Nova, Mineirão e Arena das Dunas sustentam a operação com naming rights, esplanada, salas e coworking, não com bilheteria”, argumentam.

Já a terceira lição é que o calendário é a demanda âncora. “Na Arena das Dunas, o futebol ocupa metade do ano; onde o clube tem estádio próprio, o custo de operação ficou com o estado”, observam.

Já a quarta é de que o arranjo contratual define quem paga a conta. “Na Arena MRV, R$ 1,08 bilhão privados com receita pouco ativada; sem desempenho contratado, o risco volta ao público”, dizem.

Para as empresas proponentes, “arenas sustentáveis não são estádios, são plataformas de entretenimento, hospitalidade e negócios”.