A Maratona do Rio quer deixar de ser apenas uma das principais provas de corrida de rua do Brasil para ganhar relevância também no mercado internacional. A estratégia da Dream Factory, responsável pelo evento, combina presença em maratonas no exterior, aproximação com os principais organizadores do setor e uma série de mudanças na operação da prova para adequá-la aos padrões das World Marathon Majors, circuito que reúne algumas das principais maratonas do mundo.
Duda Magalhães, presidente e sócio da Dream Factory, participou do TS Summit 2026, evento realizado pela Ticket Sports em São Paulo (SP), e detalhou a estratégia de internacionalização da prova, bem como o interesse em se tornar uma “Major”.
O movimento ganhou força a partir de 2024 e foi batizado pela organização de “Major Dream” (“O sonho do Major”, em tradução livre). A ambição é fazer da Maratona do Rio, que teve mais de 70 mil inscritos em 2026, uma futura candidata a integrar o circuito, embora ainda não exista uma vaga aberta e a prova não tenha sido formalmente convidada para o processo.
“Independentemente de virarmos uma Major ou não, pois há aspectos que fogem ao nosso controle, a decisão principal foi remar, porque essa onda por si só já seria um vetor de amadurecimento e de crescimento da prova”, avaliou Duda Magalhães, durante conversa com Daniel Krutman, CEO da Ticket Sports.
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A aproximação com as World Marathon Majors ganhou impulso depois de a Maratona do Rio aparecer em uma pesquisa da Brand Finance entre as 50 marcas de maratonas mais valiosas do mundo. A prova ficou na 11ª colocação do ranking.
“Quando sai essa pesquisa e a Maratona do Rio aparece ao lado das maiores, contendo inclusive uma declaração da CEO da World Marathon Majors, a Dawna Stone, percebemos que ela nos viu, a comunidade nos viu, sabem que existimos e que estamos aqui. Uma pesquisa independente nos colocou lá na frente. Então, eu acho que agora temos que remar e nos posicionar nessa história”, disse o presidente e sócio da Dream Factory.
Internacionalização
A estratégia internacional inclui uma agenda cada vez maior de participação em outras maratonas. A Maratona do Rio esteve em Sydney e estará nas provas de Buenos Aires, Nova York e Berlim, com estandes e executivos da organização.
A ideia é usar esses eventos para divulgar a prova brasileira, estabelecer contatos com corredores e profissionais do setor e, ao mesmo tempo, acompanhar práticas adotadas em mercados considerados mais maduros.
“Essa agenda de internacionalização, de estar presente em feiras, construir relacionamentos, aprender e trazer as melhores práticas é uma linha de investimento essencial”, reforçou Duda Magalhães.
A estratégia não começou agora. Entre 2010 e 2012, a Maratona do Rio chegou a participar de dez feiras internacionais por ano, além de promover ações com operadores de turismo e agentes de viagens estrangeiros.
O trabalho perdeu força nos anos seguintes e foi retomado em 2024, com apoio do poder público. Agora, a internacionalização passou a estar ligada ao projeto de transformar a prova em uma potencial Major.
Festival
A tentativa de internacionalizar a Maratona do Rio se apoia em uma transformação que começou antes do projeto de se tornar uma Major. Desde 2017, a organização vem trabalhando para deixar o modelo tradicional de uma maratona concentrada no domingo para transformar o evento em um festival de corrida.
A mudança começou pela data. A prova foi retirada do último domingo de junho e passou a ser realizada no feriado de Corpus Christi, com o objetivo de facilitar a presença de corredores de outras cidades brasileiras.
Depois, a programação foi distribuída por mais dias e distâncias. A meia maratona passou para o sábado, os 5 km foram colocados na quinta-feira e a organização ampliou os períodos de fechamento da orla.
Atualmente, a programação inclui provas de 5 km, 10 km, 21 km, 42 km e o Desafio Cidade Maravilhosa, de 63 km.
“A gente se posiciona para o consumidor, para o nosso cliente e, consequentemente, para as marcas, mostrando que não somos apenas uma corrida de domingo de manhã”, exaltou Duda Magalhães, presidente e sócio da Dream Factory.
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Para competir pela atenção de corredores estrangeiros e se aproximar do padrão das grandes maratonas globais, a organização entende que precisa oferecer mais do que uma prova esportiva.
