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L’Oréal Paris transforma estádios em plataforma de combate ao assédio contra mulheres

Baseada no programa StandUp, ação que já treinou mais de 300 mil pessoas busca levar público feminino aos jogos enquanto reforça posicionamento

L'Oreal Paris, Cruzando Histórias e Botafogo realizam treinamento contra assédio antes de jogo pelo Brasileirão 2026 - Divulgação

⚡ Máquina Fast
  • L’Oréal Paris implementa programa StandUp para combater assédio contra mulheres em estádios de futebol, treinando torcedores e funcionários com metodologia dos 5Ds.
  • Marca mira a escala do futebol para promover segurança feminina, focando no público masculino, que representa 70% dos frequentadores dos estádios.
  • Projeto busca expansão para novos clubes e estádios pelo Brasil, visando impactar milhões e aumentar a presença feminina nos eventos esportivos.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

A L’Oréal Paris decidiu usar o futebol como plataforma para ampliar uma iniciativa de combate ao assédio contra mulheres. Desde 2024, a marca leva o programa StandUp à modalidade com a meta de alcançar cada vez mais torcedores e criar um ambiente mais seguro para o público feminino nos estádios.

O programa oferece um treinamento baseado na metodologia dos 5Ds: Distrair, Delegar, Documentar, Dialogar e Direcionar, para ensinar como testemunhas podem reconhecer uma situação de assédio e intervir de maneira segura. Criada pela organização Right To Be, a metodologia é aplicada no Brasil pela ONG Cruzando Histórias, parceira da L’Oréal Paris desde 2020.

A entrada no futebol aconteceu inicialmente por meio de uma parceria com o Botafogo. Em 2024, a relação começou com funcionários da área corporativa e categorias de base. No ano seguinte, o treinamento chegou às partidas no Nilton Santos, estreando em um jogo do Glorioso contra o Palmeiras. Em 2026, ganhou novas edições no estádio, incluindo uma ação realizada durante o confronto contra o Athletico-PR pelo Brasileirão, em agosto.

Para Maíra da Matta, gerente-geral da L’Oréal Paris no Brasil, a escolha pelo futebol veio justamente da necessidade de dar escala e relevância à discussão.

“Como criar relevância e ganhar escala? O grande desafio é fazer isso se tornar relevante, grande e chamar a atenção para a causa, porque ainda hoje as pessoas acham que a culpa do assédio muitas vezes é da mulher. Tem muita informação e muita explicação para uma coisa que está um pouco enraizada na cultura”, disse a executiva à Máquina do Esporte.

O problema

A escolha do futebol como caminho para a iniciativa está ligada ao diagnóstico feito pela L’Oréal Paris sobre a presença feminina nos estádios. Quase metade da população torcedora brasileira é formada por mulheres, mas elas representam apenas cerca de 30% das pessoas que frequentam os estádios.

A avaliação da marca é que a segurança é uma das principais barreiras para essa presença, com o problema não estando restrito ao entorno dos estádios ou às ruas. As situações de assédio também acontecem dentro das arenas.

Nesse cenário, o futebol funciona simultaneamente como ambiente em que o problema se manifesta e como instrumento para enfrentá-lo. Como os homens representam aproximadamente 70% do público dos estádios, a L’Oréal Paris entende que eles precisam estar no centro do treinamento.

“Este não é um treinamento para mulheres ou sobre mulheres, é um treinamento sobre assédio, no qual os homens, na maioria das vezes, são o nosso principal público-alvo, porque são as pessoas que estão nos estádios e são as testemunhas de verdade”, reforçou Maíra da Matta.

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Exposição x propósito

A estratégia coloca a L’Oréal Paris em um território que normalmente é ocupado por propriedades de patrocínio: estádios, jogos, torcedores, comunicação das equipes e ativações durante as partidas. A diferença, neste caso, é que a exposição da marca não é o objetivo imediato da iniciativa.

“É muito importante falar: esta não é uma ação de marca, de patrocínio ou de marketing, é realmente uma ação que está sendo construída porque acreditamos que podemos mudar a sociedade”, pontuou a gerente-geral da L’Oreal Paris no Brasil.

Isso não significa, porém, que a empresa não enxergue um retorno para a marca. A iniciativa tem relação direta ao slogan “Porque você vale muito” e com o posicionamento feminista que a marca procura sustentar.

“O slogan, apesar de ter já muitos anos, permanece muito atual, porque viemos o ressignificando e o adaptando para o momento em que estamos vivendo hoje. Infelizmente, ainda temos uma situação de muita desigualdade de gênero e essa desigualdade, no Brasil, desemboca de uma forma muito escancarada no esporte, é a forma mais fácil que temos de vê-la”, lembrou a executiva.

A questão, portanto, está no equilíbrio. A marca ganha relevância e associação com uma pauta social, mas proposta principal é precisa entregar um impacto que exista independentemente da exposição comercial.

“As pessoas hoje não querem consumir uma marca só porque ela entrega um bom produto. Um bom produto é o que elas já esperam de qualquer marca, mas buscam uma marca que tenha um compromisso além, que consiga ter realmente uma entrega, devolver para a sociedade algo que seja coerente com o seu propósito”, explicou.

Futuro

A relação com os clubes é central para a estratégia. A L’Oréal Paris possui o treinamento e a metodologia, mas precisa dos times para acessar um público massivo em um ambiente no qual a discussão sobre segurança das mulheres é particularmente relevante.

Foi esse o papel que o Botafogo desempenhou desde o início. Agora, a intenção é ampliar a aplicação dos treinamentos com outros clubes brasileiros, sempre com o objetivo de uma ação institucional que mobilize torcidas em torno da discussão.

A empresa mantém conversas com novos clubes para avaliar possibilidades de ações, partidas e estádios capazes de concentrar o público desejado. O movimento deve ultrapassar o Rio de Janeiro e chegar a outros estados brasileiros.

“A intenção é realmente fazer deste projeto algo muito grande. Temos uma ambição muito grande até o final do ano e, principalmente, para o ano que vem. Estamos abrindo outras frentes para ajudar a acelerar. Meu objetivo é escalar, impactar milhões, então precisamos ir para mais estádios, mais clubes”, contou a executiva.

O número de pessoas treinadas, mais de 300 mil, é hoje um dos principais indicadores utilizados pela L’Oréal Paris para acompanhar o programa. A intenção é avançar na medição para passar a compreender de maneira mais precisa sobre o impacto. Enquanto isso, as ações também trazem benefícios de marca aos clubes envolvidos.

“Tivemos uma reação positiva em mais de 90%. As pessoas realmente parabenizaram pela iniciativa. Isso é vai para a imagem do clube, ajuda na construção também da imagem do clube como mais democrático, mais inclusivo”, apontou Maíra da Matta.

“Minha ambição é grande: uma vez que quis entrar no futebol, quero chegar a milhões de brasileiros. O indicador principal vai ser a presença de mulheres nos estádios”, concluiu a gerente-geral da L’Oréal Paris no Brasil.