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Champions League: Apesar de restrições nos uniformes, maioria dos clubes possui parceria com bets

Dos 36 times que disputarão a fase de liga da competição da Uefa, 22 são patrocinados de alguma forma por casas de apostas

Porto, que disputará a fase de liga da Champions League, tem a Betano como patrocinadora máster - Reprodução / Instagram (@fcporto)

⚡ Máquina Fast
  • 22 dos 36 clubes da Champions League 2026/2027 têm parcerias com casas de apostas, incluindo grandes equipes europeias.
  • Brasil, Espanha e Itália adotam restrições rígidas contra publicidade direta de apostas em uniformes, enquanto Alemanha, França, Portugal e Turquia liberam o patrocínio.
  • As casas de apostas mantêm forte investimento no futebol europeu através de estratégias alternativas, como parcerias digitais e exposições em mangas e uniformes de treino.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Alvo de forte polêmica no Brasil em tempos recentes, chegando a se tornar objeto de investigação no Congresso Nacional e a sofrer restrições por parte do governo e de órgãos regulatórios, as bets também despertam muita discussão em outros países.

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Principal vitrine do futebol mundial, a Europa tem adotado nos últimos anos uma série medidas buscando barrar a presença das casas de apostas em suas principais competições.

Ainda assim, as bets continuam fazendo valer seu poderio econômico e seguem patrocinando os principais clubes do continente, mesmo que essa relação não apareça necessariamente por meio de uma logomarca estampada no uniforme.

Isso fica evidente na fase de liga da Champions League 2026/2027, que se inicia nesta terça-feira (8).

Dos 36 clubes que participarão da disputa, 22 possuem parcerias com bets, incluindo gigantes como Arsenal, Real Madrid, Barcelona, Manchester City, Manchester United, Bayern de Munique, Internazionale, PSG, Borussia Dortmund, Roma, Aston Villa, Porto, Sporting, Stuttgart, Galatasaray e Fenerbahçe.

Além disso, as empresas de apostas esportivas ainda são o principal setor no patrocínio máster, com sete delas estampando a parte frontal da camisa. Na sequência vem o setor financeiro, com seis clubes, e companhias aéreas, com cinco.

“Esses números mostram que tratam-se de mercados maduros e regulamentados em vários países, comprovando uma realidade de investimento nas principais ligas do mundo; algumas mais, outras menos, mas que demonstram a importância desta indústria global no futebol, com investimentos fundamentais para as receitas dos clubes, seja pela exposição nas camisas, seja pela parceria institucional”, diz Antonio Guerardi, CMO da Ana Gaming Brasil, holding que opera a 7K Bet.

A liderança das bets no patrocínio máster se deve a mercados como o de Portugal, onde a exposição das marcas de apostas é liberada nas camisas dos clubes. Os dois representantes do país que seguem no torneio nesta temporada, Porto e Sporting, estampam a logomarca da Betano no espaço principal do uniforme.

Mercados com restrição

Mas essa não é a realidade de todos os mercados. Espanha e Itália, por exemplo, vetam completamente a exibição de marcas de apostas em camisas (seja máster, manga ou treino).

No caso dos times italianos, alguns deles encontraram alternativas para “driblar” essa lei. A Internazionale e a Roma possuem parcerias com marcas do segmento, no caso, a Betsson, mas a exposição fica por conta da nomenclatura betsson.sport, que não é considerada uma casa de aposta.

Já na Espanha, os patrocínios com bets são direcionados aos canais digitais por meio de anúncios e ativações em plataformas como Instagram, TikTok e Youtube, casos principais de Barcelona e Real Madrid.

Na Inglaterra, a partir desta temporada, os clubes da Premier League foram proibidos de exibir patrocínios de casas de apostas na frente das camisas de jogo, podendo mantê-los em outras propriedades. Foi o que aconteceu com o Aston Villa, que direcionou a parceria para as mangas.

Além disso, as agremiações da Premier League também costumam fazer parcerias digitais e estão liberados para anunciar em propriedades de seus estádios (ao contrário de Espanha e Itália), que é o caso do Arsenal e Manchester City. Já o Manchester United inovou e fechou uma parceria milionária para expor a marca nas camisas de treino.

Na Alemanha, França e Portugal, os mercados são mais liberais e muito parecidos ao Brasil, permitindo estampar marcas de apostas nos uniformes.

Na França, assim como ocorre por aqui, as empresas precisam estar licenciadas pela ANJ, entidade que regula o setor no país.

Na França, o PSG possui um consolidado patrocínio com empresa de bet voltada para ativações em suas plataformas digitais, enquanto o Lens tem patrocínio na parte inferior das costas da camisa.

Na Alemanha, o Bayern de Munique tem um acordo comercial com uma bet voltado para o mercado asiático, com foco nas redes sociais. Já o Borussia Dortmund possui uma relação com plataforma voltada para ativação em sua arena, o Signal Iduna Park.

Na Turquia, apesar de apenas a empresa estatal Iddaa (e suas subconcessionárias autorizadas) poderem operar legalmente esse mercado no país, os principais clubes também contam com patrocínios de bets, casos do Galatasaray e do Fenerbahçe, ambos nas mangas.

“Mesmo sob rigorosa fiscalização e restrições nos uniformes em alguns países, a força financeira das bets mostra sua presença na Europa, sendo ainda o setor que mais patrocina clubes na principal propriedade de marketing. Não deixa de ser uma demonstração que é possível manter a publicidade, mesmo que por meio de parcerias estratégicas que vão além da exposição nas camisas, consolidando cada vez mais o mercado legal”, diz Ricardo Magri, especialista em desenvolvimento de negócios iGaming e diretor executivo da EBAC, com passagem pela Sportradar.

Confira como funciona a legislação de patrocínios de bets no futebol nas principais ligas do mundo:

Inglaterra: Proibição parcial. A partir da temporada 2026/227, os clubes da Premier League foram proibidos de exibir patrocínios de casas de apostas na frente das camisas de jogo. As marcas de bets ainda podem estampar mangas de camisas, uniformes de treino e painéis de led nos estádios.

Espanha: Probição quase total. É completamente proibido exibir marcas de apostas em camisas (seja máster, manga ou treino), bem como dar nomes de operadoras a estádios ou competições (naming rights). Mas está liberada a parceria em plataformas e redes sociais.

Itália: Proibição quase total. A Itália foi pioneira nas restrições severas, proibindo exibir marcas de apostas em camisas (seja máster, manga ou treino), bem como dar nomes de operadoras a estádios ou competições (naming rights). Mas está liberada a parceria em plataformas e redes sociais. Por outro lado, para contornar a regra, marcas criaram sites de informação e estretenimento ou notícias esportivas (ex: betsson.sport), estampando essas verticais de mídia nos clubes em vez das plataformas de apostas em si.

Alemanha: Patrocínio liberado. É permitido estampar marcas de apostas nos uniformes de times de futebol.

França: Patrocínio liberado. É permitido estampar marcas de apostas nos uniformes de times de futebol, desde que a operadora seja rigidamente licenciada pela ANJ, a autoridade que regula o setor de jogos no país.

Portugal: Patrocínio liberado. O patrocínio de empresas é permitido na frente das camisas e nos estádios.

Turquia: Patrocínio liberado. O patrocínio de empresas é permitido na frente das camisas e nos estádios, no entanto, precisam pertencer à empresa estatal Iddaa (e suas subconcessionárias autorizadas).