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Metade dos clubes da Premier League 2026/2027 é patrocinada por bets ilegais no Reino Unido

Equipes estão em vias de perder milhões em receitas, diante dos planos do governo de proibir publicidade de plataformas não licenciadas no país

Everton é patrocinado pela Stake, que deixou de operar no Reino Unido - Reprodução / Instagram (@everton)

⚡ Máquina Fast
  • Premier League proíbe patrocínio máster de bets, mas clubes mantêm acordos com casas de apostas em outras áreas dos uniformes e mídias.
  • Metade dos clubes da Premier League têm contratos com operadores não licenciados no Reino Unido, gerando temores diante de possíveis proibições futuras.
  • A pressão contra apostas não regulamentadas cresce, com lobby da Premier League e disputas entre operadores licenciados e não licenciados, diante de preocupações sociais e financeiras.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Na primeira temporada de vigência da regra que proíbe o patrocínio máster de camisa feito pelas marcas de bets, o futebol inglês dá sinais claros terá dificuldade imensa de desmamar por completo do dinheiro abundante proporcionado pelas casas de apostas.

As normais atuais da Premier League não impedem um time de possuir acordos comerciais com empresas desse segmento. As bets seguem livres para estampar suas marcas em uniformes de treinos, mangas de camisa de jogo ou mesmo em outras propriedades como painéis de led, perfis nas redes sociais e site oficial das equipes inglesas.

LEIA MAIS: Mesmo proibida no máster, Premier League mantém forte presença de apostas nas camisas

Levantamento feito pelo jornal britânico The Guardian mostra que metade dos 20 clubes da Premier League possui acordo de patrocínio ou publicidade com empresas de jogos de azar não licenciadas no Reino Unido.

O argumento usado para justificar esse tipo de contrato é de que as casas de aposta, apesar de não poderem operar no país, utilizam a grande projeção global da competição inglesa para promover sua marca a públicos em outros mercados internacionais.

Em tempos recentes, porém, as autoridades britânicas têm procurado fechar o cerco contra esse tipo de patrocínio. Nas últimas semanas, o governo promoveu uma consulta pública, encerrada na quarta-feira (9), sobre a proibição das parcerias no futebol envolvendo operadores não licenciados no Reino Unido.

Cenário de incertezas

Essa movimentação política cria um cenário de incertezas para uma parte dos clubes da primeira divisão inglesa. Atualmente, dez dos 20 times da Premier League possui acordo com alguma casa de aposta não regulamentada no Reino Unido.

O temor dessas equipes é de que elas possam sofrer perdas significativas de receitas, em caso de uma proibição a esse tipo de patrocínio.

Apesar de ser a liga profissional de futebol mais rica do planeta e possuir normas que garantem uma distribuição mais igualitária de receitas coletivas (acordos de mídia, por exemplo), a Premier League possui uma espécie de fosso comercial enorme entre seus integrantes.

De um lado estão clubes maiores e que estão entre os mais ricos de planeta, como Manchester United, Manchester City, Liverpool ou mesmo Arsenal, que conseguem firmar acordos com grandes marcas globais de segmentos menos polêmicos, como tecnologia, aviação, entre outros.

Eles até fecham contratos com casas de apostas, mas as parcerias são sempre com plataformas autorizadas no país e estão longe de ser a principal fonte de faturamento dessas equipes.

Do outro lado estão os times menores, que possuem menos projeção global e não conseguem atrair as grandes marcas de outros segmentos. Para esses clubes, o dinheiro das casas de apostas sediadas em outros países possui um peso significativo nas finanças.

Pressão

A pressão pela proibição vem não apenas de setores da sociedade britânica contrários ao jogo de azar, mas de operadores licenciados como Ladbrokes e William Hill, que passaram a travar uma batalha com a Premier League em torno do tema.

De maneira discreta, mas incisiva, a Premier League tem feito lobby contra uma proibição, alegando que os serviços oferecidos pelas plataformas não licenciadas seriam voltados para o mercado asiático.

Os críticos argumentam, porém, que qualquer pessoa utilizando recursos como VPN pode se cadastrar e apostar em um site ilegal, a partir do Reino Unido.

Segundo o The Guardian, as apostas não regulamentadas cresceram consideravelmente nos últimos anos, no país

A estimativa é de que operadores não licenciados faturaram £ 379 milhões junto a usuários britânicos no primeiro semestre de 2025, de acordo com dados da Campaign for Fairer Gambling.

Isso equivale a 9% do que movimenta o mercado de jogos on-line país. Em 2022, o percentual estava em 2%.

O governo tomou medidas para reprimir operadores não licenciados, sob a justificativa de que eles não oferecem proteções ao cliente.

O crescimento do mercado não regulado tem sido associado a danos financeiros, dependência e suicídio. Discurso este que vem sendo reproduzido com força pelas bets licenciadas, em sua cruzada contra as concorrentes não legalizadas.

Uma das maiores empresas de apostas do Reino Unido, a Entain, que é dona da Ladbrokes, enviou nesta semana uma nota para todos os dez clubes da Premier League ligados a operadores não licenciados. “O risco ao futebol, à integridade esportiva e à sociedade é real”, afirma a carta.

Patrocínio de não licenciados avança

Segundo o The Guardian, o número de clubes da Premier League que mantêm relações comerciais com operadores não licenciados aumentou de seis para dez, entre a última temporada e a atual.

Uma das hipóteses levantadas para esse crescimento está justamente na decisão da liga de impor a proibição do patrocínio máster de camisa feito pelas bets.

O Everton anunciou um novo acordo de mangas de camisa com a Stake, válido por três anos, ao passo que o Fulham transferiu seu patrocínio com o Sbotop para o uniforme de treino.

Outros oito clubes, incluindo Chelsea e Tottenham, têm acordos comerciais que incluem publicidade no perímetro em seus estádios ou ações envolvendo jogadores.

A 8XBet, licenciada na ilha caribenha de Curaçau, possui contratos com Chelsea, Newcastle, Aston Villa, Ipswich e Coventry.

Em meio à forte polêmica envolvendo o tema, o acordo de patrocínio do Everton com o Stake (que deixou o mercado britânico após o escândalo envolvendo uma atriz pornô) foi aproveitado por ativistas contrários às apostas, já que o primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, é torcedor do clube e assistiu ao jogo de estreia da temporada, contra o Crystal Palace.

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