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Ministério Público da França investiga possível conflito de interesses envolvendo presidente do PSG

Além liderar time francês e a Associação Europeia de Clubes, Nasser Al-Khelaifi preside BeIN Media Group, detentor de direitos de transmissão da Ligue 1

Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, durante entrevista - Reprodução/YouTube @psg

Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, durante entrevista - Reprodução / YouTube (@psg)

⚡ Máquina Fast
  • Nasser Al-Khelaifi está sob investigação do Ministério Público da França por possível conflito de interesses envolvendo contratos da BeIN Sports com a Ligue 1.
  • O contrato de €100 milhões da BeIN Sports para transmissão de uma partida semanal da Ligue 1 é considerado o pior da história da liga em direitos audiovisuais.
  • Al-Khelaifi nega irregularidades e conta com respaldo do governo do Catar, mas enfrenta questionamentos sobre sua influência em direitos esportivos europeus.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Considerado um dos homens mais poderosos do futebol europeu na atualidade, Nasser Al-Khelaifi entrou na mira do Ministério Pública (MP) da França, que apura possível conflito de interesses envolvendo o presidente do PSG e da Associação de Clubes Europeus (EFC).

O motivo da apuração tem a ver com o fato de que, além de comandar o clube e a entidade, o executivo também preside do BeIN Media Group, rede estatal sediada em Doha, no Catar, que se tornou um dos maiores detentores de direitos esportivos no planeta.

A rede do Oriente Médio opera em 43 países, distribuídos em cinco continentes, contando com 55 milhões de assinantes ao redor do mundo.

O BeIN detém exclusividade, em alguns mercados, das transmissões das principais competições de futebol da Europa, incluindo Champions League, LaLiga, Premier League e Ligue 1.

É justamente o contrato de longa duração com a Liga Francesa de Futebol (LFP), firmado em 2024, que motivou a investigação contra Al-Khelaifi.

O procedimento, que ainda está na fase preliminar, apura se o executivo utilizou de sua enorme influência para forçar os demais clubes a aceitarem um contrato economicamente menos vantajoso com o canal que ele próprio comanda, em vez de buscarem opções mais lucrativas.

Naquele ano, a BeIN Sports garantiu a transmissão de uma partida semanal da Ligue 1 por € 100 milhões, em um contrato que é considerado um dos piores já firmados pela LFP, na área de direitos audiovisuais.

LEIA MAIS: Após perder astros, Ligue 1 alcança pior acordo de direitos de transmissão em 19 anos

A meta inicial da entidade era faturar € 1 bilhão no novo ciclo de transmissão. Com a saída de grandes concorrentes como o Canal+ da licitação (num momento de forte debandada de astros do campeonato), a organização esportiva foi obrigada a aceitar ofertas bem menores, como a do DAZN, que paga € 400 milhões para exibir oito jogos ao vivo por rodada.

Dessa forma, os direitos de mídia da Ligue 1 rendem atualmente € 500 milhões, metade do pretendido pela LFP.

Defensores do executivo alegam que os € 100 milhões que a BeIN Sports paga por um jogo semanal ajudaram a salvar os clubes franceses de dificuldades financeiras ainda maiores, num cenário em que nenhum outro canal se dispunha a adquirir essa propriedade.

Sem a entrada da rede do Catar, a LFP teria de se contentar apenas com os € 400 milhões do DAZN.

Executivo nega irregularidades

O advogado de Al-Khelaifi, Renaud Semerdjian, declarou à AFP que seu cliente “sempre agiu de maneira independente, imparcial e objetiva”. Ele negou irregularidades nas negociações dos direitos de mídia da Ligue 1.

“As alegações feitas contra o sr. Nasser Al-Khelaifi são infundadas, nem legais nem factualmente”, afirmou o profissional.

Em um passado recente, o executivo conseguiu se esquivar de problemas na Justiça, como na acusação feita pelo MP da Suíça contra ele, por suposto suborno a dirigentes da Federação Internacional de Futebol (Fifa).

Também chegou a ser acusado de corrupção nas candidaturas do Catar a sede do Mundial de Atletismo de 2017 e 2019, caso que acabou por ser arquivado em 2023 pelas autoridades francesas.

Nos últimos anos, por conta de sua atuação no PSG e na entidade de clubes, Al-Khelaifi passou a desfrutar de grande influência junto aos dirigentes europeus, sobretudo a partir de 2021, depois que ele se colocou publicamente contra a ideia da Superliga Europeia, recusando-se a levar sua equipe para o torneio rebelde idealizado por Juventus, Real Madrid e Barcelona.

Com isso, ele ganhou status de homem de confiança do presidente da União das Associações Europeias de Futebol (Uefa), Aleksander Čeferin, que neste ano tentou costurar uma candidatura Al-Khelaifi para bater de frente com Gianni Infantino na Fifa.

A ideia acabou naufragando depois que a Associação de Futebol do Catar (QFA) resolveu declarar publicamente apoio a Infantino, em meio à polêmica envolvendo o projeto da Fifa Forward Enterprise (FFE).

LEIA MAIS: Catar contraria AFC, Uefa e Concacaf, apoia Infantino e embaralha sucessão da Fifa

“A Associação de Futebol do Catar apoia plenamente os esforços do presidente Infantino para continuar crescendo e fortalecendo o esporte globalmente”, afirmou a nota assinada pelo Sheikh Hamad bin Khalifa bin Ahmed Al Thani, no mês passado.

A projeção política alcançada por Al-Khelaifi se deve aos cargos que ele ocupa em investimentos esportivos feitos pelo país. Contrariar a posição oficial do governo representaria o fim de sua trajetória à frente desses negócios.