Enfrentando a pior crise de sua gestão, desde que assumiu a presidência da Federação Internacional de Futebol (Fifa) em fevereiro de 2016, Gianni Infantino passou a encarar a ameaça real de perder a reeleição na entidade, após ser contestado publicamente por entidades como Concacaf (Américas do Norte e Central), Uefa (Europa) e AFC (Ásia), por conta do malogrado e polêmico projeto da Fifa Forward Enterprises (FFE).
O cartola pretendia que essa empresa passasse a concentrar os direitos comerciais de todos os torneios da entidade, além de ter uma participação minoritária vendida a Joshua Kushner, irmão do genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Infantino precisou desistir do projeto ao se deparar com a forte pressão feita sobretudo pelas três entidades, que concentram 136 federações filiadas à Fifa, o equivalente a 64,45% dos votos no Congresso da instituição, responsável por eleger o presidente.
Essa movimentação das confederações que reúnem a maior quantidade de membros da Fifa parecia representar um golpe irreversível nos planos de reeleição de Infantino.
Mas o cartola ítalo-suíço ainda conta com aliados influentes no futebol. Contrariando as entidades, incluindo a AFC, à qual é filiada, a Associação de Futebol do Catar (QFA) resolveu declarar publicamente apoio a Infantino.
“Saudamos a decisão do presidente da Fifa, Gianni Infantino, de retirar a proposta do Fifa Forward Enterprise no interesse da comunidade global do futebol. Embora a proposta tenha mérito, aplaudimos a sabedoria por trás da prioridade à unidade entre as associações-membro. A Associação de Futebol do Catar apoia plenamente os esforços do presidente Infantino para continuar crescendo e fortalecendo o esporte globalmente”, afirma a nota assinada pelo Sheikh Hamad bin Khalifa bin Ahmed Al Thani.
Ele preside a QFA e é um dos sete membros da AFC no Conselho da Fifa, que conta com 37 integrantes.
Barrar moção de desconfiança
O endosso do Catar representa uma dupla vitória de Infantino. Por um lado, dificulta as chances de prosperar algum pedido de Assembleia Geral Extraordinária, em que seu mandato eventualmente poderia vir a ser contestado.
Para que isso ocorra, seriam necessárias as assinaturas de 19 das 37 federações e associações com assento no Conselho.
Uefa e Concacaf somam 14 membros no órgão. Em tese, mesmo que mais uma federação asiática seguisse o caminho do Catar, haveria votos suficientes para que a moção de desconfiança contra Infantino pudesse ir a discussão.
O presidente conta com aval unânime das federações africanas no Conselho e tende a receber apoio majoritário dos países da Conmebol.
No momento, seu esforço consiste em encontrar novos desertores entre representantes das três confederações opositoras, para evitar que o Congresso Extraordinário seja convocado.
Uma outra possibilidade de a moção de desconfiança ir a voto seria que 43 associações nacionais apresentassem cartas formais com essa solicitação.
Antes de lançar a ideia do FFE, Infantino afirmava haver recebido declarações oficiais de apoio de 200 federações para sua reeleição no fim deste ano. Após a polêmica, porém, associações europeias têm retirado esse endosso.
PSG
O apoio do Catar a Infantino praticamente soterra as movimentações eleitorais do presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi, para se firmar como alternativa para suceder o atual mandatário da Fifa.
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O clube francês é propriedade do Qatar Sports Investments (QSI), da família real do país do Oriente Médio, o que torna praticamente impossível que o dirigente possa realizar um voo político que contrarie os interesses de seus empregadores.
Al-Khelaifi é CEO do QSI e ainda preside a beIN Media, que detém direitos de transmitir competições como Champions League e Copa do Mundo para dezenas de países.
Nos últimos anos, o executivo ganhou forte projeção no futebol mundial, não apenas por transformar o PSG em uma potência continental, mas também por seu trabalho à frente da Associação de Clubes Europeus (ECA), órgão independente que representa mais de 850 equipes de futebol profissional do continente.
Sua atuação foi fundamental para sepultar a ideia de criação da Superliga Europeia, encabeçada por equipes como Real Madrid, Barcelona e Juventus. Al-Kheaifi é considerado atualmente um dos principais interlocutores do presidente da Uefa, Aleksander Ceferin.
