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Catar contraria AFC, Uefa e Concacaf, apoia Infantino e embaralha sucessão da Fifa

Endosso da monarquia do Oriente Médio, que sediou Copa de 2022, pode barrar candidatura presidencial de Nasser Al-Khelaifi, do PSG

Gianni Infantino, presidente da Fifa, discursa no 74º Congresso da entidade, em Bangcoc, na Tailândia - Reprodução / Instagram (@fifa)

⚡ Máquina Fast
  • Gianni Infantino enfrenta ameaça de perder a reeleição na Fifa após pressão das principais confederações contra o projeto Fifa Forward Enterprises.
  • Apoio público da Associação de Futebol do Catar fortalece Infantino e dificulta convocação de Assembleia Geral Extraordinária para moção de desconfiança.
  • Suporte do Catar enfraquece a candidatura de Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, para suceder a presidência da Fifa.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Enfrentando a pior crise de sua gestão, desde que assumiu a presidência da Federação Internacional de Futebol (Fifa) em fevereiro de 2016, Gianni Infantino passou a encarar a ameaça real de perder a reeleição na entidade, após ser contestado publicamente por entidades como Concacaf (Américas do Norte e Central), Uefa (Europa) e AFC (Ásia), por conta do malogrado e polêmico projeto da Fifa Forward Enterprises (FFE).

O cartola pretendia que essa empresa passasse a concentrar os direitos comerciais de todos os torneios da entidade, além de ter uma participação minoritária vendida a Joshua Kushner, irmão do genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Infantino precisou desistir do projeto ao se deparar com a forte pressão feita sobretudo pelas três entidades, que concentram 136 federações filiadas à Fifa, o equivalente a 64,45% dos votos no Congresso da instituição, responsável por eleger o presidente.

Essa movimentação das confederações que reúnem a maior quantidade de membros da Fifa parecia representar um golpe irreversível nos planos de reeleição de Infantino.

Mas o cartola ítalo-suíço ainda conta com aliados influentes no futebol. Contrariando as entidades, incluindo a AFC, à qual é filiada, a Associação de Futebol do Catar (QFA) resolveu declarar publicamente apoio a Infantino.

“Saudamos a decisão do presidente da Fifa, Gianni Infantino, de retirar a proposta do Fifa Forward Enterprise no interesse da comunidade global do futebol. Embora a proposta tenha mérito, aplaudimos a sabedoria por trás da prioridade à unidade entre as associações-membro. A Associação de Futebol do Catar apoia plenamente os esforços do presidente Infantino para continuar crescendo e fortalecendo o esporte globalmente”, afirma a nota assinada pelo Sheikh Hamad bin Khalifa bin Ahmed Al Thani.

Ele preside a QFA e é um dos sete membros da AFC no Conselho da Fifa, que conta com 37 integrantes.

Barrar moção de desconfiança

O endosso do Catar representa uma dupla vitória de Infantino. Por um lado, dificulta as chances de prosperar algum pedido de Assembleia Geral Extraordinária, em que seu mandato eventualmente poderia vir a ser contestado.

Para que isso ocorra, seriam necessárias as assinaturas de 19 das 37 federações e associações com assento no Conselho.

Uefa e Concacaf somam 14 membros no órgão. Em tese, mesmo que mais uma federação asiática seguisse o caminho do Catar, haveria votos suficientes para que a moção de desconfiança contra Infantino pudesse ir a discussão.

O presidente conta com aval unânime das federações africanas no Conselho e tende a receber apoio majoritário dos países da Conmebol.

LEIA MAIS: Conmebol estuda proposta da Fifa sobre venda de direitos do futebol, mas enfrenta dilema sobre Copa 2030

No momento, seu esforço consiste em encontrar novos desertores entre representantes das três confederações opositoras, para evitar que o Congresso Extraordinário seja convocado.

Uma outra possibilidade de a moção de desconfiança ir a voto seria que 43 associações nacionais apresentassem cartas formais com essa solicitação.

Antes de lançar a ideia do FFE, Infantino afirmava haver recebido declarações oficiais de apoio de 200 federações para sua reeleição no fim deste ano. Após a polêmica, porém, associações europeias têm retirado esse endosso.

PSG

O apoio do Catar a Infantino praticamente soterra as movimentações eleitorais do presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi, para se firmar como alternativa para suceder o atual mandatário da Fifa.

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O clube francês é propriedade do Qatar Sports Investments (QSI), da família real do país do Oriente Médio, o que torna praticamente impossível que o dirigente possa realizar um voo político que contrarie os interesses de seus empregadores.

Al-Khelaifi é CEO do QSI e ainda preside a beIN Media, que detém direitos de transmitir competições como Champions League e Copa do Mundo para dezenas de países.

Nos últimos anos, o executivo ganhou forte projeção no futebol mundial, não apenas por transformar o PSG em uma potência continental, mas também por seu trabalho à frente da Associação de Clubes Europeus (ECA), órgão independente que representa mais de 850 equipes de futebol profissional do continente.

Sua atuação foi fundamental para sepultar a ideia de criação da Superliga Europeia, encabeçada por equipes como Real Madrid, Barcelona e Juventus. Al-Kheaifi é considerado atualmente um dos principais interlocutores do presidente da Uefa, Aleksander Ceferin.