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Evandro Figueira, especial para a Máquina do Esporte

Evandro Figueira

5 min de leitura

Análise

O fuso horário do futebol e seu impacto na internacionalização

Para que o futebol brasileiro cresça no exterior, não é o fã internacional que precisa se adaptar aos nossos horários, mas, sim, nós, donos do produto, que precisamos chegar aos torcedores de fora em horários e plataformas que facilitem a experiência deles

Evandro Figueira, especial para a Máquina do Esporte • Colunista

29/10/2026 06h10

Questão do fuso horário precisa ser analisada quando o assunto é melhorar a internacionalização do futebol brasileiro - Divulgação / Pixabay

⚡ Máquina Fast
  • Horários das partidas no futebol brasileiro precisam ser adaptados para atender mercados internacionais estratégicos.
  • Ligas europeias ajustam seus jogos para alcançar fãs globais e aumentar receitas de direitos de transmissão.
  • Internacionalização do futebol brasileiro exige flexibilização dos horários para conquistar torcedores estrangeiros.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Há dois temas que estão sempre muito presentes nas discussões relacionadas ao futebol brasileiro. O primeiro é o horário das partidas disputadas em território nacional; o segundo é a chamada internacionalização do nosso futebol, com o objetivo de ampliar seus horizontes e, consequentemente, sua possível base de fãs em outros países. Para muitos, esses temas podem parecer não ter nenhuma relação, mas, na verdade, estão diretamente conectados: um pode, sim, impactar os resultados do outro.

Cada mercado é único e tem características específicas. Sabemos, por exemplo, que, no Brasil, especialmente no Nordeste, é inviável jogar futebol ao meio-dia. Na Inglaterra, porém, as temperaturas mais amenas permitem partidas que começam às 12h ou às 14h, enquanto 17h é o horário mais tardio para o início dos jogos.

Aos sábados, 15h é normalmente o horário que concentra a maior quantidade de partidas simultâneas. Nesse período, por conta de uma lei local criada na década de 1960, nenhum jogo é transmitido pela televisão, justamente para estimular a presença nos estádios, principalmente nas partidas das divisões inferiores.

As outras quatro grandes ligas também distribuem seus jogos ao longo do dia. A LaLiga, por exemplo, tem partidas começando às 14h, e seu último horário é às 21h. São horários muito parecidos com os praticados pela Bundesliga e pela Ligue 1. A Serie A Italiana, por sua vez, também tem jogos começando às 12h30, com o último horário sendo às 20h45.

Ao analisarmos mais de perto a estratégia dessas ligas, podemos entender que a distribuição dos horários não é pensada unicamente para o público local (tanto o torcedor que vai ao estádio quanto aquele que assiste ao jogo em casa). Os horários também buscam atender a mercados internacionais importantes, nos quais essas ligas já geram receitas com direitos de transmissão, além de mercados emergentes onde ainda estão se desenvolvendo.

A Premier League, por exemplo, tem nos Estados Unidos seu principal mercado internacional. Por lá, a liga já gera uma receita anual superior a US$ 400 milhões. Os horários funcionam bem em território norte-americano justamente porque há partidas no período da manhã, antes da NFL, cujo primeiro horário de jogos é às 13h, na Costa Leste. As partidas da Premier League também funcionam bem para a América Latina, segundo mercado internacional mais importante da liga, já que os jogos das ligas locais normalmente acontecem mais para o final da tarde.

Quando olhamos para o outro lado do Meridiano de Greenwich, os horários do meio-dia ou das 14h também funcionam bem para o mercado chinês, que é um dos principais focos de crescimento da liga inglesa. Na China, esses horários podem corresponder a 19h e 21h, respectivamente, mantendo a Premier League em uma faixa próxima ao horário nobre de um dos principais mercados da Ásia.

Brasil

Voltando à realidade brasileira, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) foi a primeira a olhar para essa expansão internacional. Hoje, as competições de clubes da entidade têm a temporada completa exibida em mais de 130 países, enquanto a final, disputada em um sábado, é transmitida para mais de 190 países.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), com foco principalmente no mercado europeu, também passou a colocar jogos decisivos da Copa do Brasil (semifinais e final) aos fins de semana, quando as partidas podem ser disputadas mais cedo, em horários razoáveis para os principais mercados da Europa.

O Campeonato Brasileiro, que já tem como característica realizar mais de 70% de suas rodadas nos fins de semana, teria a mesma flexibilidade para atender a mercados importantes. Jogos às 11h da manhã, por exemplo, atendem a mercados como China, Japão, Austrália e Índia. Partidas às 16h ou às 17h, além de atenderem ao mercado doméstico, são disputadas em horário nobre na Europa e na África, bem como no início da tarde no restante da América Latina e nos Estados Unidos. Jogos à noite, entre 20h e 21h aos sábados, por exemplo, atendem à Costa Oeste dos Estados Unidos, a toda a América Latina e à Ásia, onde seriam acompanhados durante a manhã de domingo.

Enfim, para que o futebol brasileiro cresça no exterior, não é o fã internacional que precisa se adaptar aos nossos horários. Somos nós, donos do produto, que precisamos chegar aos torcedores de fora em horários e plataformas que facilitem a experiência deles. Assim, auxiliaremos na criação de um vínculo maior com nossos clubes e, só então, poderemos falar efetivamente em uma estratégia de internacionalização do futebol brasileiro.

O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte

Evandro Figueira é vice-presidente da IMG na América Latina

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