Há exatamente 10 anos, o Brasil escrevia um dos capítulos mais importantes da sua história. Não estou falando de um título mundial, de uma grande conquista esportiva ou mesmo de uma revolução interna. Falo de um projeto feito por pessoas e para pessoas, que mostrou ao mundo a capacidade, a criatividade, o bom humor e a hospitalidade de todo um povo. O que se viu no Rio de Janeiro em 2016 não foram os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de um grupo restrito ou de uma cidade isolada; foram os Jogos de uma nação guerreira que soube, diante do mundo, provar o seu valor.
LEIA MAIS: 10 anos depois, legado do Rio 2016 ajuda o Brasil na conquista de novas medalhas
Muito além das medalhas, o Rio 2016 representou a consolidação de um povo capaz de se adaptar às adversidades, encontrar saídas criativas e entregar uma festa inesquecível. Conhecido mundialmente pelo Carnaval, o Rio de Janeiro abraçou o maior evento do planeta com uma complexidade logística gigantesca. Foram mais de 11 mil atletas de 207 países, cerca de 25 mil jornalistas credenciados e milhões de espectadores tomando as ruas e arquibancadas. Para sustentar essa megaoperação, foram mobilizadas aproximadamente 8 mil pessoas contratadas diretamente, 45 mil voluntários e 85 mil terceirizados, um verdadeiro exército de quase 138 mil profissionais dedicados a colocar em prática nos poucos dias dos Jogos um trabalho colossal desenvolvido durante anos de planejamento minucioso e complexo.
Os números, por si só, impressionam: 30 milhões de itens diferentes, entre eles 32 mil bolas de tênis, 8.400 petecas, 400 bolas de futebol, 250 carrinhos de golfe e 54 barcos. Na Vila dos Atletas, a maior já construída na história dos Jogos, foram instaladas 100 mil cadeiras, 72 mil mesas e 34 mil camas, assim como 60 mil cabides. Isso sem contar os 200 quilômetros de cercas de segurança estendidos pela cidade e o transporte de centenas de cavalos para as competições de hipismo.
Tudo isso foi gerenciado e operado, em sua grande maioria, por profissionais brasileiros, responsáveis por organizar 306 eventos de 28 esportes (divididos em 42 modalidades) nos Jogos Olímpicos e 528 eventos de 22 modalidades nos Jogos Paralímpicos. Uma prova de fogo para qualquer equipe do mundo.
Mas o legado mais duradouro do Rio 2016 não está nos números recordes nem nas estruturas físicas erguidas, como o moderno Centro de Treinamento Olímpico que nasceu no Parque Olímpico. O verdadeiro legado é humano, profissional e global. Os profissionais que atuaram nessa imensa operação, nos mais diversos campos da gestão esportiva e da organização de grandes eventos, tornaram-se uma espécie de “exportação de talento brasileiro”.
Hoje, é praticamente impossível participar de um grande evento internacional, seja Jogos Olímpicos, Copa do Mundo, um Campeonato Mundial ou qualquer competição de ponta, sem encontrar brasileiros ocupando posições de destaque. A experiência adquirida sob a pressão e a complexidade do Rio de Janeiro 2016 transformou esses profissionais em referências globais. Eles levaram consigo não apenas o conhecimento técnico, mas também a criatividade, a capacidade de improvisação e aquela “gambiarra” que transforma problemas em soluções, exatamente como fizeram durante aqueles Jogos inesquecíveis.
Atualmente, os profissionais brasileiros são respeitados e requisitados em todos os continentes. A presença em cargos relevantes ao redor do mundo é a prova mais concreta de que o Rio de Janeiro 2016 foi muito mais que um evento esportivo; foi uma vitrine mundial do profissionalismo, da competência e da resiliência de um povo que, quando unido em torno de um propósito, é capaz de realizar o impossível.
Parabéns a todos que puderam tornar esse imenso sonho em uma realidade mais do que inesquecível colocando o Brasil, o Rio de Janeiro e os seus profissionais no topo do mundo.
O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
Romulo Macedo é mestre em Gestão da Experiência do Consumidor e especialista em Gestão Esportiva, com papéis relevantes em diversos eventos esportivos mundiais
Conheça nossos colunistas