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2025: O ano das mudanças nos direitos de transmissão

Ano passado trouxe muitas modificações no universo dos direitos de transmissão, e 2026 promete ser um ano para o mercado entender o que deu e o que não deu certo

Processo ainda vai longe, mas a compra da Warner Bros. Discovery pela Netflix foi o principal assunto do mercado global de mídia em 2025 - Reprodução

O ano de 2025 chegou ao fim, e podemos dizer que foi um ano diferente não só nas transmissões, mas também do que já foi anunciado e entrou em vigor neste início de 2026.

Decidi aproveitar esta primeira coluna do novo ano para relembrar alguns destes assuntos que ocuparam parte da mídia especializada e também as discussões nas redes sociais.

Brasileirão

Aqui no Brasil, depois de muito tempo, em que apenas o Grupo Globo detinha os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de forma exclusiva para todas as plataformas, 2025 ficou marcado como o primeiro ano (de um ciclo que irá até 2029), em que as transmissões foram distribuídas em diferentes plataformas. Além da TV Globo, Sportv e Premiere, o Brasileirão também foi transmitido por Record, Amazon Prime Video e CazéTV. Cada um com sua exclusividade, seu elenco diferenciado e sua forma de transmitir e atrair o público.

Por ter sido o primeiro ano, a audiência ainda não se acostumou com a diversidade, mas a tendência é de que este modelo se consolide cada vez mais. O Grupo Globo ainda estreou a GeTV, com equipe e linguagem próprias do YouTube, para poder entrar de cabeça neste universo digital em busca de conexão com a Geração Z.

Copa do Mundo de Clubes

O ano passado também contou com a estreia da Copa do Mundo de Clubes, evento organizado pela Fifa e que, depois de muita controvérsia, acabou sendo um sucesso em todo o mundo após a parceria com o DAZN, que conquistou a exclusividade dos direitos, mas acabou sublicenciando em muitos mercados em que sua marca não era tão forte, como o Brasil (onde o Grupo Globo e a CazéTV transmitiram os jogos).

Dentro de campo, os clubes brasileiros acabaram se destacando, o que ajudou na audiência da competição. O Fluminense foi que mais avançou, sendo eliminado nas semifinais pelo Chelsea, que viria a conquistar o título. Com premiação recorde, marcas patrocinadoras globais e plataformas de mídias em todo o mundo, o apetite da Fifa por uma nova edição em 2029 está ainda mais forte. E o Brasil já se candidatou para sediar o evento.

Troca-troca na Uefa

Depois de mais de 30 anos de parceira com a agência Team, a Uefa decidiu inovar e, junto à Associação dos Clubes Europeus (ECA, na sigla em inglês), decidiu por um novo parceiro. A partir da temporada 2027/2028, a Relevent será a agência oficial das competições de clubes da entidade que comanda o futebol europeu.

A agência já iniciou o processo de venda dos direitos nos principais mercados e deve chegar ao Brasil em breve. Com todas as mudanças que já vimos no Reino Unido e na Alemanha por exemplo, onde o Paramount+ será uma das plataformas a transmitir os jogos da Champions League e da Europa League, é de se esperar que possa haver mudanças por aqui também.

Fórmula 1 e MLS

Há alguns anos, os direitos da Fórmula 1 nos Estados Unidos eram cedidos gratuitamente à ESPN. Com o sucesso da série “Drive to Survive”, a emissora da Disney passou a pagar US$ 5 milhões por temporada. Em pouco tempo, no entanto, os valores subiram consideravelmente e, na renovação para o ciclo atual, chegou a US$ 85 milhões.

Quando se achava que a parceria continuaria por mais um ciclo, a Liberty Media decidiu se aliar à Apple e abandonar seu tradicional parceiro no mercado norte-americano, passando a entregar, a partir de 2026, via AppleTV+, todo o conteúdo, não apenas das corridas, mas também tudo que o aplicativo entregava aos fãs, como câmeras exclusivas, material de bastidores e conteúdo exclusivo.

A partir deste ano, portanto, a Fórmula 1 sai de um parceiro tradicional de mídia para explorar o universo digital por assinatura (SVOD). O movimento é exatamente o inverso do que busca fazer a MLS, que está reduzindo o seu acordo com a Apple justamente em busca de uma maior exposição de marca e também dos jogos e equipes. No decorrer de 2026, vamos entender se este caminho será melhor ou pior do que os resultados que a MLS vinha obtendo na plataforma da Apple.

Ah, e quanto à maior categoria do automobilismo mundial, também há mudança no mercado brasileiro. Após cinco temporadas na Band, a F1 volta à Globo neste ano em busca de mais audiência e visibilidade.

UFC

O UFC também é uma liga que anunciou que a partir de 2026 estará de “casa nova”. A liga de artes marciais sai da ESPN nos Estados Unidos para estrear um acordo de 7 anos com o Paramount+. Além da nova casa, a estratégia de conteúdo também muda, já que os principais eventos, que até 2025 eram transmitidos no pay-per-view, passam a integrar o pacote principal de eventos, bastando assinar o Paramount+ para ter acesso a todo o conteúdo da liga de MMA. Poucas semanas depois, UFC e Paramount anunciaram que a parceria também se estenderia para toda a América Latina, inclusive no Brasil, onde o Fight Pass deixará de existir. 

Warner e Netflix

Por fim, acredito que a notícia mais surpreendente do mercado de mídia no ano passado tenha sido justamente a venda da Warner Bros. Discovery, mas não pela venda em si, e sim pelo comprador, a Netflix.

Quando o processo foi anunciado, a Netflix concorria com Comcast e Paramount, duas empresas muito tradicionais e com uma vida longa no mercado de mídia e produção de conteúdo. No entanto, a agressividade da Netflix passou por cima de tudo isso e acabou sendo ela, a empresa mais nova do mercado, a grande vencedora do processo (que ainda está longe de terminar, pois são necessárias muitas aprovações das autoridades nos Estados Unidos e em outros mercados com forte proteção à concorrência, além, obviamente, do questionamento e da oferta hostil da Paramount). Ou seja, esta é uma novela que ainda deve ter novos capítulos nas próximas semanas e meses.

Que venha 2026

Em resumo, o ano de 2025 trouxe muitas modificações no universo dos direitos de transmissão, mas o mais legal é que, na verdade, também já apresentou mudanças que virão em 2026, 2027, 2028 e daí em diante.

Estaremos por aqui, acompanhando tudo e entendendo o que deu certo, o que não deu certo e o que ainda vai mudar nos próximos anos. Que venha 2026, com muito esporte para todos.

O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte

Evandro Figueira é vice-presidente de mídia da IMG na América Latina

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