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Esse talvez venha a ser o maior legado que a Copa do Mundo de 2026 trará para o mercado brasileiro. De apostas e de publicidade.
A cruzada que, aparentemente, começa a ser feita sobre as propagandas irresponsáveis que pipocaram em proporção desenfreada durante a transmissão dos jogos desta Copa do Mundo é tão necessária quanto foram os freios colocados à publicidade dos mercados de cerveja e de cigarro há quase 40 anos.
Até então, os louros às odds, aos ganhos aparentemente fácil de dinheiro e à diversão jogando dinheiro fora estavam restritas ao ambiente digital. Chegavam, no máximo, a um ou outro podcast ou transmissão de menor alcance.
A garantia de transmissão dos 104 jogos da Copa do Mundo pela CazéTV, porém, fez com que essa realidade fosse trazida para dentro de audiências milionárias. E isso fez toda a diferença.
Chamou a atenção para o fato de que talvez a linha tênue da propaganda irresponsável tivesse sido atravessada faz tempo e chegado, agora, a um alcance acima do aceitável.
A Cazé acabou pagando por ter feito o que quase todo mundo vinha fazendo. A diferença, agora, é que o discurso de que a empresa é “pequena” não cola mais. E ela deve sofrer a consequência de um problema que não é dela, mas da indústria.
O que o mercado de apostas quer: ser igual ao da cerveja ou do cigarro?
Fiz esse questionamento em abril de 2025, em uma coluna na Máquina do Esporte. Naquela época, poucos meses após a regulamentação do segmento, eu tinha uma expectativa de que as empresas deixariam de lado as propagandas irresponsáveis que estimulavam um consumo desenfreado das apostas para se preocupar com imagem, reputação e, obviamente, a saúde financeira e emocional dos clientes.
Isso não aconteceu, e o mercado continuou apostando que nada iria detê-los.
Hoje, o mercado das bets sofre o peso da regulamentação. Ou elas mudam o jeito de pensar – e de agir – ou fatalmente começarão a sofrer sanções. Enquanto não perceberem que a crise de imagem já se transformou em uma crise do negócio, as apostas seguirão o mesmo caminho da indústria do tabaco.
Erich Beting é fundador e CEO da Máquina do Esporte, além de consultor, professor e palestrante sobre marketing esportivo
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