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Brasil 2027: O ciclo da maturidade e o novo horizonte do mercado esportivo

Interesse genuíno e crescente do público pelo futebol feminino, que está em franca expansão, consolida a modalidade como um território de oportunidades sólidas e irreversíveis para o mercado global

Arsenal bateu o Corinthians e conquistou o título da primeira Copa dos Campeões Feminina - Reprodução / X (@ArsenalWFC)

O lançamento da marca oficial da Copa do Mundo Feminina da Fifa 2027 sinaliza o início do cronômetro para a maior possibilidade de transformação cultural e comercial da história do esporte no Brasil. A identidade visual carrega uma simetria poderosa: o “M” em destaque, que em português celebra a Mulher e o Mundo, transforma-se em um “W” na leitura em inglês, remetendo a Women e World.

Essa dualidade não é apenas um recurso gráfico. E o “Brasil com S” não é apenas uma escolha estética. Trata-se de um manifesto de posicionamento que indica que o mercado nacional atingiu a maturidade necessária para converter sua identidade em um ativo de valor global.

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Os dados sustentam esse novo patamar de gestão. Entre as edições de 2019 e 2023, a audiência global da modalidade expandiu de 1,1 bilhão para 2 bilhões de telespectadores, um salto de 78% em um único ciclo, de acordo com o Fifa Post-Event Review, de 2023. No Brasil, essa tendência se reflete em uma base consolidada de 30 milhões de fãs ativos, conforme mapeado pelo Ibope Repucom (Sponsorlink).

Para ilustrar esse cenário com um exemplo ainda mais recente, a final da primeira Copa das Campeões Feminina da Fifa entre Corinthians e Arsenal marcou um divisor de águas definitivo para o esporte. Ao registrar o histórico pico de mais de 1 milhão de pessoas conectadas simultaneamente em uma única transmissão digital, o confronto deixou de ser apenas uma disputa de título para se tornar um “case” de escala e engajamento global.

Este recorde não foi um evento isolado, mas sim o sintoma de um novo ecossistema de consumo que valida a tese de que o futebol feminino de clubes já opera em patamares de audiência de massa. Mais do que um número, essa marca comprova o interesse genuíno e crescente do público por uma modalidade que está em franca expansão, consolidando o futebol feminino como um território de oportunidades sólidas e irreversíveis para o mercado global.

O interesse nacional é transversal, atraindo a Geração Z por meio de pilares de equidade e batendo recordes de engajamento digital. De acordo com a Nielsen Sports, 82% dos brasileiros já enxergam na Copa de 2027 o principal vetor de impacto social e visibilidade institucional desta década.

O slogan “Go Epic” serve como o catalisador para uma mudança de escala. Enquanto sedes anteriores operaram com estádios de menor capacidade, o Brasil oferece arenas com média superior a 50 mil lugares, o que permite projetar um público recorde, superando a marca de 1,97 milhão atingida na Austrália e Nova Zelândia, novamente de acordo com o Fifa Post-Event Review, de 2023.

No marketing, o diferencial reside no timing estratégico: com 71% dos fãs locais afirmando, via Nielsen Sports, ter maior confiança em marcas que investem no feminino, o ambiente é fértil para converter visibilidade em valor de marca e retorno sobre investimento (ROI).

A Copa de 2027 já possui identidade e cronograma definidos. O que está em construção agora são as alianças estratégicas que transformarão este potencial em um legado de profissionalização e eficiência, e um novo horizonte para a indústria do entretenimento esportivo global.

O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte

Liana Bazanela é cofundadora da Hoc Sports

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