Líderes, não cometam o erro de esperar.
A Copa do Mundo de 2026 não é um evento de 30 dias (dessa vez, quase 40); é um ano inteiro de conversa, desejo e comportamento girando em torno do futebol.
Em 2022, o Mundial gerou engajamento de bilhões de pessoas no planeta. Em 2026, com mais jogos, três países-sede e um calendário emocional ainda mais intenso, essa onda voltará ainda maior. A pergunta não é se a sua marca tem lugar nessa narrativa, mas sim se ela chegará preparada quando o apito emocional do consumidor soar em janeiro.
O resgate da nossa cultura de torcida não é um detalhe criativo; é o ativo mais rentável que o Brasil tem quando o assunto é emoção coletiva. Sua marca não disputa só atenção; disputa espaço na memória afetiva das pessoas. Em tempos de Copa, o que parece “sazonalidade” é, na verdade, neurociência em campo: o ganho emocional de fazer parte da festa pesa mais do que o custo da compra. Ninguém quer ficar de fora do churrasco, do bolão, da viagem, da maratona de jogos. É o efeito de contágio social operando em tempo real. E é aí que a lembrança da sua marca se cola ao prazer, à confiança e à sensação de que “eu vivi isso com eles”.
Vencerá em 2026 quem se tornar inseparável do ritual coletivo. Não bastará ter uma “campanha de Copa”. Será preciso facilitar a festa: entregar o kit perfeito, o delivery ágil, o combo que resolve tudo, a solução que deixa a casa, o bar ou o clube prontos para receber gente. E, na identidade, ir além do verde e amarelo. O jogo está em criar peças, colaborações e coleções inspiradas no Brasil real, na nossa cultura, nas nossas ruas, na mistura de sotaques, ritmos e histórias, transformando a paixão em estilo de vida, não em fantasia de ocasião.
No digital, a regra é simples: quem sente o jogo junto ganha a conversa. Um lance polêmico, uma virada improvável, uma jogada genial, tudo vira gatilho para conteúdo, promoção-relâmpago, benefício imediato. A marca que estiver pronta para “hackear” a emoção em segundos mostrará que entende o timing da torcida. Não é sobre fazer piada por fazer; é sobre provar que você está na arquibancada simbólica, torcendo junto.
Em paralelo, há o movimento de renovação da seleção brasileira e das narrativas. As marcas que, desde já, se posicionarem como catalisadoras de otimismo, confiança e orgulho colherão lealdade lá na frente. Quem estiver ao lado do torcedor que embarcará para Estados Unidos, Canadá e México, simplificando viagem, hospedagem, câmbio, segurança e tecnologia, não venderá só serviço; realizará um sonho. E quem realiza sonho não é esquecido.
No centro de tudo isso está a brasilidade. O modo único como o Brasil transforma jogo em espetáculo, encontro em festa, torcida em cultura. Investir em brasilidade em 2026 não é encher leiaute de bandeirinha; é assumir que o nosso jeito de torcer, conviver e celebrar é um dos maiores ativos de marca do mundo. É escolher disputar lugar na memória, não apenas espaço na prateleira.
O Brasil está pronto para celebrar por 365 dias. Líderes, a contagem regressiva para o lucro já começou. Não deixem para sair do vestiário só no dia da abertura. Quem entra em campo atrasado dificilmente vira o jogo.
O artigo acima reflete a opinião do colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
Liana Bazanela é cofundadora da Hoc Sports
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