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Felipe Nasr, o Mr. Endurance, ilustra o quanto 2026 promete nas pistas

Brasil terá representantes nas principais categorias mundiais em um ano que pode ser histórico para o esporte a motor nacional

Felipe Nasr (à esq.) conquistou as 24 Horas de Daytona pela terceira vez em 2026 - Reprodução / X (@Rolex24Hours)

Felipe Nasr conquistou, no último domingo (25), a vitória nas 24 Horas de Daytona. Foi a terceira vitória consecutiva do piloto brasileiro na segunda maior corrida de longa duração do planeta, a bordo de um protótipo Porsche preparado pela tradicionalíssima equipe Penske.

O resultado representa um início formidável de temporada, em um 2026 que começa dotado de ingredientes para ser histórico para o Brasil no esporte a motor.

Lá fora

Na F1, é a chance de consolidação de Gabriel Bortoleto com o novo regulamento e o vínculo com a Audi, que assumiu definitivamente a operação que era da Sauber. O brasileiro, que emplacou o fim de um incômodo jejum da bandeira verde e amarela no grid, chega credenciado por uma sólida temporada inaugural em 2025 e já desembarca em 2026 com um novo patrocínio ao fechar com o Mercado Livre.

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A categoria rainha estará de volta à Globo, que já anunciou equipe de transmissão e um programa na grade da TV aberta, tendo vendido várias cotas de patrocínio para sua plataforma de F1. É mais um sinal auspicioso, capaz de repercutir positivamente no futuro dos brasileiros nas categorias F2 e F3.

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O pernambucano Rafael Câmara vem com a chancela da Ferrari Driver Academy e o título da F3, e é o nome para ficarmos de olho na F2. Ele pode, como fizeram Oscar Piastri e o próprio Bortoleto, emplacar títulos consecutivos na F3 e na F2 para fazer jus a um dos cobiçados cockpits na F1. O grid terá também Emmo Fittipaldi, filho mais novo do bicampeão Emerson Fittipaldi, representando a bandeira nacional.

Na F3, com Fefo Barrichello e Pedro Clerot, o país também tem dois representantes confirmados para o ano todo. Aqui cabe ressaltar que os dois estrearam em monopostos na primeira temporada da história da F4 Brasil, em 2022. O campeonato nacional exporta talentos desde sua criação e agora isso começa a aparecer no principal palco do planeta.

Depois de um ano muito forte na F4 europeia, Gabriel Gomez negocia uma vaga na F-Regional Europa, onde deve correr também Alceu Feldmann Neto. E nas classes internacionais de F4 o Brasil também deverá figurar na disputa por vitórias.

Em suma: no plano de carreira de monopostos na Europa, o país terá representação expressiva em todas as categorias, com chances reais de título.

A linha de montagem está completa.

E não é apenas na longa e concorridíssima estrada rumo à F1. Nos Estados Unidos, Caio Collet coloca de volta a bandeira verde e amarela na Fórmula Indy, com Enzo Fittipaldi e Nick Monteiro despontando na Indy NXT.

Nasr, por sua vez, é o nome do principal campeonato dos EUA de endurance, o IMSA. Mas não é apenas nos protótipos que o Brasil tem esperança de conquistas. Dudu Barrichello foi a revelação do WEC em 2025 e agora disputará de Aston Martin o mesmo IMSA, em carro de GT. Dudu, aliás, também foi ao pódio nas 24 Horas de Daytona, em terceiro lugar na sua classe.

Na Fórmula E, Lucas di Grassi segue em ação, e agora o Brasil tem Felipe Drugovich na forte equipe Andretti.

Em casa

A cena doméstica também promete neste ano, com a inauguração do Autódromo de Chapecó (SC), a reforma completa de Goiânia (GO) para a perna brasileira da MotoGP, e as conclusões das obras em Brasília (DF) e Cuiabá (MT), que receberam corridas em 2025 embora não tivessem 100% concluídos.

Depois de 20 anos construindo sua história de sucesso, a Porsche Cup terá como mais um atrativo em 2026 a realização de uma etapa como evento suporte das 24 Horas de Le Mans, sendo o primeiro campeonato brasileiro a promover uma prova dentro do mítico evento de endurance. De quebra, renovou com o C6 Bank, que permanecerá como dono dos naming rights da categoria até 2028.

Já a Nascar Brasil seguirá sua trilha cada vez mais vistosa e agora terá um carro novo e cinco equipes profissionais. O campeonato atrai pilotos e patrocinadores, e o intercâmbio com a plataforma nos Estados Unidos também já rende dividendos.

Por fim, a Stock Car promete retomar sua tradição com o retorno dos motores V8.

Ou seja, o grid dos eventos, pilotos e oportunidades para 2026 é amplíssimo. Vamos acelerar.

O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte

Luis Ferrari é sócio-fundador da Ferrari Promo, agência-boutique com ênfase no mercado do esporte a motor, e possui formações em Jornalismo e Direito, extensão universitária em Marketing e pós-graduação em Jornalismo Literário, além de ser empresário de relações públicas

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