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Gabriela Donatello, especial para a Máquina do Esporte

Gabriela Donatello

3 min de leitura

Análise

Será que o corredor de 2026 ainda será corredor em 2027?

Muito além da maratona: a verdadeira vitória do mercado esportivo no ano que vem será fazer as pessoas continuarem correndo

Gabriela Donatello, especial para a Máquina do Esporte • Colunista

20/10/2026 06h15

Multidão larga na edição de 2026 da Corrida Integração, em Campinas (SP) – Rogério Capella / Divulgação

⚡ Máquina Fast
  • O mercado de corrida prevê 3 milhões de inscrições até o fim de 2026, mas preocupa-se com a permanência dos corredores no ano seguinte.
  • O foco deve ir além do desempenho e dos desafios tradicionais para valorizar diferentes objetivos e perfis de corredores.
  • Marcas e organizadores precisam oferecer experiências acolhedoras e produtos diversificados para manter o interesse e a recorrência na corrida.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Mais um ano se passou. Já estamos em outubro e está permitido dizer por aí que “o ano passou voando”. Passou mesmo. Na verdade, passou correndo e em um ritmo (pace) recorde.

Para quem trabalha no mercado esportivo, é inevitável pensar em alguns aspectos do futuro. E o que mais tem ficado na minha cabeça agora é: o corredor de 2026 permanecerá corredor em 2027?

Nos acostumamos com as notícias sobre o número de pessoas começando a correr. Aqui, na Ticket Sports, a projeção é de 3 milhões de inscrições até o fim do ano. São assessorias lotadas, grupos com todos os temas possíveis, empresas incentivando seus funcionários, corridas com clima de festival e por aí vai.

É lindo acompanhar esse movimento. A corrida ganhou espaço nas conversas, nas redes sociais, nas agendas de fim de semana e, principalmente, na vida de muita gente que até pouco tempo não se imaginava participando de uma prova.

Mas, enquanto comemoramos cada novo corredor, será que podemos contar com ele no ano que vem?

Existe uma diferença enorme entre começar uma atividade física e transformá-la em um hábito.

Parece que criamos uma espécie de roteiro para a vida de todo corredor. Primeiro, os 5km. Depois, os 10km. Então, a primeira meia-maratona. E, finalmente, os tão sonhados 42km. No meio do caminho, entram o relógio, a planilha, o recorde pessoal, o tênis com placa e uma infinidade de produtos e serviços que fazem parte desse universo.

Não me entendam mal. Adoro ver pessoas se desafiando, buscando evolução e conquistando objetivos que antes pareciam impossíveis. Essa busca por performance também é um dos grandes motores do nosso mercado.

Mas quem disse que todo mundo precisa querer correr uma maratona?

E se alguém quiser correr 5km pelo resto da vida? E se o objetivo for simplesmente encontrar os amigos, cuidar da saúde ou ter um momento para si?

Será que estamos valorizando esse corredor da mesma forma?

Quando olhamos para o mercado, é natural que boa parte das nossas estratégias esteja voltada para crescimento. Mais participantes, mais inscrições, mais provas, mais produtos, mais consumo.

Mas talvez estejamos chegando a um momento em que precisamos falar mais sobre permanência, a famosa recorrência que tanto falamos como empresa no começo desse ano.

Afinal, não basta que milhares de pessoas descubram a corrida em 2026 se uma parcela significativa delas perder o interesse logo depois.

E isso não é uma responsabilidade exclusiva dos corredores. É também uma oportunidade para marcas, organizadores, assessorias e todos nós que fazemos parte dessa indústria.

Precisamos pensar em experiências que acolham quem está começando, produtos que façam sentido para diferentes perfis e comunicações que não estejam sempre associadas a correr mais rápido, correr mais longe ou bater um novo recorde.

Porque a evolução não significa necessariamente aumentar a distância ou melhorar o ritmo. Às vezes, evoluir é conseguir manter a constância. É deixar de enxergar a corrida como uma obrigação. É encontrar prazer em algo que antes parecia impossível.

O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte

Gabriela Donatello é formada em Comunicação Social e pós-graduada em Gestão de Marketing. Atualmente, é gerente de marketing da Ticket Sports, com uma trajetória de oito anos dedicada ao universo dos eventos esportivos, atuando em diversas frentes do setor

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