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O homem que o UFC chama quando precisa de uma luta grande: a carreira de Max Holloway até o UFC 329

⚡ Máquina Fast Max Holloway é o lutador com mais tempo de octógono na história do UFC e enfrentará Conor McGregor no UFC 329. Holloway…

Max Holloway estreou no UFC em fevereiro de 2012, aos 20 anos; hoje, é quem mais teve tempo no octógono - Foto: Magnific

⚡ Máquina Fast
  • Max Holloway é o lutador com mais tempo de octógono na história do UFC e enfrentará Conor McGregor no UFC 329.
  • Holloway teve um reinado marcante nos penas, com destaque para a vitória unificada contra José Aldo e trilogia com Alexander Volkanovski.
  • A luta contra McGregor pode abrir caminho para Holloway disputar os cinturões dos penas ou meio-médios, categoria na qual estreia no UFC 329.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Max Holloway estreou no UFC em fevereiro de 2012, aos 20 anos, numa derrota por finalização para Dustin Poirier no UFC 143. Quatorze anos depois, é o lutador com mais tempo total de permanência no octógono na história da organização, com 8 horas, 52 minutos e 43 segundos de combate, o maior nocauteador da história da divisão peso-pena com nove nocautes dentro do UFC, e o nome escolhido pela organização para receber Conor McGregor de volta ao octógono no UFC 329, neste sábado (11/7), na T-Mobile Arena em Las Vegas. A trajetória entre esses dois pontos é a história de um lutador que transformou cada derrota em um degrau e cada vitória em um marco da organização.

O segundo parágrafo desta história começa em agosto de 2013, quando Holloway perdeu para McGregor por decisão unânime no UFC Fight Night 26, em Boston. Era a terceira luta do havaiano no UFC, McGregor estava construindo o nome na organização, e o resultado foi menos relevante do que o contexto: Holloway aplicou quatro das cinco quedas sofridas por McGregor em toda a carreira profissional naquele confronto, dado que o próprio havaiano trouxe à tona com bom humor na entrevista com Max Holloway pré-UFC 329, concedida à Stake na semana do evento: “Acho que o McGregor tem cinco quedas no UFC e eu sou responsável por quatro delas, o que é bem engraçado.”

Nos três anos seguintes à derrota para McGregor, Holloway venceu 12 lutas consecutivas e se tornou o desafiante número um dos penas. O volume de apostas gerado pelo UFC 329 já supera o de qualquer evento da organização nos últimos três anos, reflexo do poder comercial dos dois nomes envolvidos, e quem quiser acompanhar as odds em tempo real pode conferir os palpites UFC na plataforma, com mercados abertos até o momento em que a porta do octógono fecha no sábado.

A sequência de 12 vitórias abriu caminho para a luta mais importante da carreira até aquele momento: o confronto com José Aldo pelo cinturão unificado dos penas, no UFC 212, em junho de 2017 no Rio de Janeiro. Aldo havia defendido o cinturão por seis anos consecutivos, acumulando vitórias sobre Urijah Faber, Kenny Florian, Chad Mendes e Frankie Edgar. A única derrota no cartel havia sido o nocaute em 13 segundos para McGregor no UFC 194, resultado que muitos no meio consideravam uma anomalia estatística. Holloway foi ao Rio e encerrou o reinado de Aldo com um nocaute técnico no terceiro round que ninguém havia conseguido antes. Na entrevista à Stake, 14 anos depois de sua estreia na organização, o havaiano foi claro sobre o peso daquela noite: “Pra mim, pessoalmente, nada nunca vai superar eu ter enfrentado o José Aldo, o Rei do Rio, e ter tirado o cinturão unificado dele no Rio.”

O reinado, a trilogia com Volkanovski e a reinvenção

O reinado de Holloway nos penas durou até dezembro de 2019, quando perdeu o cinturão para Alexander Volkanovski por decisão unânime no UFC 245. As duas revanches seguintes, em julho de 2020 e julho de 2022, também foram para o australiano, por decisão dividida e por decisão unânime, respectivamente. A trilogia com Volkanovski definiu Holloway como um dos maiores da divisão sem que os resultados conseguissem ofuscar a qualidade das atuações: nas três lutas, o havaiano acumulou 363 golpes significativos conectados, contra 493 do australiano, numa série que elevou o nível técnico da divisão por anos.

Em abril de 2024, Holloway enfrentou Justin Gaethje pelo cinturão BMF no UFC 300, depois de reerguer o cartel com vitórias sobre Arnold Allen, o Zumbi Coreano e Yair Rodriguez. A luta chegou ao quinto round com Gaethje à frente nos cartões da maioria dos analistas. Nos segundos finais daquele quinto round, com o tempo praticamente esgotado, Holloway acertou uma sequência de socos que nocauteou o adversário. A cena foi transmitida ao vivo para mais de 2,5 milhões de assinantes do pay-per-view nos Estados Unidos e se tornou um dos momentos mais reproduzidos da história da organização.

Gaethje revelou mais tarde ao podcast de Joe Rogan que não estava mentalmente preparado para o que Holloway representava naquele octógono. O americano disse que, em determinado momento da luta, sentiu que não conseguiria vencer independentemente do que fizesse. Holloway, ao ser questionado sobre a declaração na entrevista à Stake, respondeu com a objetividade de quem prefere fatos a interpretações: “Só ele sabe, saca? E, sabe, é chato ele ter se sentido assim, mas é uma luta, saca? Eu fui lá, fiz o meu corre, e aí aconteceu o grande momento. Então, não tenho como te dizer.”

O nocaute rendeu a Holloway o cinturão BMF e recolocou o havaiano no centro das conversas sobre o título dos penas e leves. A derrota por nocaute para Ilia Topuria no UFC 308, em outubro de 2024, abriu uma nova rodada de questionamentos sobre o futuro de Holloway: Topuria foi o único lutador a nocauteá-lo na carreira profissional, no terceiro round. Para quem já havia declarado Holloway acabado após as derrotas para Volkanovski, a queda para Topuria parecia confirmar o diagnóstico. Mas Topuria depois subiu de categoria e perdeu o cinturão dos leves para Gaethje no UFC na Casa Branca, evento que registrou 17 milhões de espectadores no Paramount+ e se tornou o maior evento exclusivo da plataforma.

A vitória de Gaethje reabriu para Holloway um caminho que ele mesmo citou na entrevista à Stake: “Eu tenho uma história com o campeão dos 70 kg e todo mundo está dizendo que o Conor pode lutar pelo cinturão nos 77 kg. Então, se eu conseguir me colocar nessa conversa, seria muito bom.” Em outras palavras: vencer McGregor no sábado pode abrir a porta para Holloway disputar o cinturão dos leves contra o mesmo homem que ele nocauteou no UFC 300.

A derrota para Oliveira e o retorno à International Fight Week

Em março de 2026, Holloway defendeu o cinturão BMF conquistado no UFC 300 contra Charles Oliveira, o melhor finalizador da história dos leves. A luta foi uma das mais frustrantes da carreira do havaiano: Oliveira dominou no chão por longos períodos, acumulou cinco tentativas de finalização e venceu por decisão unânime. A derrota parecia encaminhar Holloway para uma posição secundária no ranking dos penas e leves.

Quatro meses depois, o telefone tocou de novo. O UFC precisava de alguém para receber McGregor de volta ao octógono e escolheu Holloway. O havaiano soube da possibilidade ainda durante férias no Japão com a esposa: “Eles meio que jogaram a ideia pra gente antes de eu viajar, tipo, ‘ó, você pode pegar o Conor McGregor’. E eu, tipo, caramba, fechou! Mas o detalhe é que era nos 170. E eu, tipo, não tô nem aí se for no peso-pesado, saca? Uma luta contra o Conor McGregor é uma luta grande, então pode assinar aqui.”

A disposição de aceitar a luta num peso acima do habitual diz algo sobre o perfil de Holloway. Lutadores que chegaram ao patamar que ele ocupa costumam proteger o cartel com mais cuidado. Holloway faz o oposto: busca as lutas que definem carreiras. “É sempre uma sensação boa saber que o UFC pode confiar em você pra esse tipo de luta grande. No fim das contas é ótimo saber que eu sou um dos caras do UFC, e que eles sabem que eu levo público.”

O adversário e os 14 anos de espera

McGregor não compete desde julho de 2021, quando sofreu uma fraatura no tornozelo contra Dustin Poirier no UFC 264. O irlandês chega ao UFC 329 com 22 vitórias e seis derrotas no cartel profissional, 19 delas por nocaute, e com uma sequência de derrotas que incluiu Nate Diaz, Khabib Nurmagomedov e duas para Poirier. A última vitória foi sobre Donald Cerrone em janeiro de 2020, por nocaute técnico em 40 segundos nos meio-médios, a mesma categoria do confronto com Holloway neste sábado.

José Aldo, que conhece os dois adversários de dentro, foi consultado pelo portal O Dia na semana do evento e ofereceu a perspectiva de quem foi nocauteado por ambos ao longo da carreira: “O favorito é o Max Holloway. Não porque ele é muito superior, mas porque ele ainda está ativo, lutando com frequência, com performances fortes e competitivas. Conor é uma incógnita. Não o vemos lutar há muito tempo. Por isso coloco o Max um passo à frente. Mas isso não significa que o Conor não pode ir até lá e nocauteá-lo. Isso pode acontecer. E não seria uma tragédia para o Max, porque o Conor ainda é um striker de elite.”

A avaliação de Aldo é representativa do consenso entre analistas. Belal Muhammad, ex-campeão dos meio-médios, foi além na análise ao MMA Fighting: “Cinco anos de afastamento, cinco anos de vida pesada, de recuperação, é muito para McGregor superar. Holloway está em forma, motivado depois da derrota, e ainda mais motivado agora sabendo que uma luta maior está no horizonte. Meu palpite é Holloway por TKO.”

Dricus du Plessis, ex-campeão dos médios, foi o único nome de peso a declarar apoio ao irlandês, mas com uma ressalva que resume bem o dilema de quem aposta em McGregor: “O Conor tem aquele timing assustador. Todo mundo que lutou contra ele diz isso. E basta um. Ilia nocauteou o Max, então é possível. Mas eu nunca vou contra o Conor.” A frase é uma declaração de fé, não de análise técnica.

A motivação e o que vem depois

Holloway foi explícito sobre o que o mobiliza para o UFC 329, além do adversário. Na entrevista à Stake, falou sobre a derrota para Oliveira com uma clareza que desarmou qualquer tentativa de interpretar o resultado como um sinal de declínio: “Muita gente me encheu o saco por causa daquela luta. Cara, eu tive o cara mais perigoso do mundo, o melhor lutador de agarrada da divisão, nas minhas costas por um bom tempo, e ele não conseguiu terminar o serviço. Tem umas coisas que a gente tinha que trabalhar, e eu acredito que a gente trabalhou.”

A preparação para o UFC 329 se beneficiou da mudança de categoria. Sem necessidade de corte de peso para as 170 libras, o treinamento passou a ser inteiramente orientado para performance: “Agora a gente tá comendo pra performar. Toda vez que eu tinha que cortar peso, era sempre tipo, a gente tinha que pensar em performance, mas também tinha que tirar um pouco disso porque precisava perder peso. Então aqui nos 170 é tudo sobre performance, mano.” A mudança de categoria tem uma contrapartida: McGregor, que compete naturalmente próximo às 170 libras, pode chegar ao confronto com mais força do que Holloway, que está competindo nos meio-médios pela primeira vez na carreira, categoria acima dos leves (155 libras) onde construiu boa parte de seu histórico recente.

Uma vitória sobre McGregor abriria dois caminhos: a disputa pelo cinturão dos penas, hoje nas mãos de Ilia Topuria, e a possibilidade de disputar o cinturão dos meio-médios pela primeira vez. “O pessoal já tá falando de como o vencedor dessa luta pega a disputa por aquele cinturão, e de como o vencedor dessa luta também pode disputar o cinturão dos 170. Quem sabe, saca? Então, no fim das contas, eu só tenho que ir lá e fazer o serviço.”

O card do UFC 329 inclui ainda três brasileiros no card preliminar: Cesar Almeida (Cesinha), ex-campeão de kickboxing com cartel de 7 vitórias e 2 derrotas que enfrenta Damian Pinas no peso-médio; Ryan Gandra, mineiro de Betim com cartel de 9 a 1 que nocauteou seu primeiro adversário no UFC em 41 segundos e agora enfrenta Zachary Reese; e Alessandro Costa (Nonô), paraense de Alenquer com cartel de 16 a 5, embalado por duas vitórias consecutivas, que aceitou chamado de última hora para enfrentar Cody Durden no peso-mosca.

Holloway chegou ao confronto com McGregor classificando a luta como a maior da carreira em outras entrevistas da semana do evento, mas na conversa com a Stake foi mais específico sobre a hierarquia pessoal. A noite de sábado vai dizer se o reencontro com McGregor supera Aldo no Rio, o UFC 300 ou qualquer outra coisa que veio antes. Por ora, a única certeza é que o UFC voltou a ligar para o homem certo, e ele atendeu.