O Airbnb que todos conhecem nasceu quase por acaso em 2007, quando Brian Chesky e Joe Gebbia, designers recém-formados em San Francisco (EUA), decidiram alugar três colchões infláveis na sala do próprio apartamento para visitantes de uma convenção de design que lotou os hotéis da cidade, oferecendo café da manhã (daí veio o nome “Air Bed & Breakfast”, inclusive). Hoje, a empresa é um marketplace digital que conecta anfitriões e hóspedes, monetizado por comissões dos dois lados das reservas. Está presente em mais de 220 países e espera arrecadar, apenas no primeiro trimestre deste ano, pelo menos US$ 2,59 bilhões.
Nos últimos anos, porém, a empresa deixou de ser apenas uma plataforma de hospedagem e está cada vez mais focada em experiências integradas dentro do próprio app, que vão desde aulas com chefs de cozinha e visitas guiadas a museus até excursões de caminhada (hiking), caiaque, meditação e retiros de ioga. Para se ter uma ideia, em 2024, a empresa reportou US$ 81 bilhões em reservas brutas globais associadas a experiências, buscando ampliar o gasto por usuário ao complementar as estadias com imersões locais, uma tendência vista ainda mais entre turistas da Geração Z. E é aí que o esporte entra no jogo.
No ano passado, o Airbnb firmou uma parceria com a LaLiga para conectar dia de jogo (matchday) e turismo local, com pacotes alinhados ao calendário da competição e ativações nos estádios. Assim, a empresa busca capitalizar momentos em que os clubes, por exemplo, têm dificuldade de monetização, no pré e no pós-jogo (não apenas horas, mas dias), transformando o dia de jogo em uma estadia prolongada e gerando mais consumo nas cidades-sede.
Mais recentemente, na semana passada, a empresa lançou uma experiência rural na cidade natal de Andrés Iniesta, ídolo do Barcelona, em que um hóspede e dois acompanhantes passam o dia na região, jogam uma partida 4×4 com o ex-atleta e se hospedam em uma propriedade local.
Pouco antes, a parceria de três anos com o Tour de France seguiu o mesmo caminho, com a projeção de oferecer encontros com o ciclista Mark Cavendish para grupos restritos. Em 2024, cerca de 10 milhões de pessoas acompanharam a prova ao longo do percurso, e um em cada quatro franceses planeja viajar para destinos ligados à prova, que é a mais tradicional do ciclismo mundial. Uma grande demanda para a plataforma, portanto.
O maior teste, porém, será a Copa do Mundo de 2026, em que as experiências terão uma demanda nunca antes vista. Com 48 seleções e jogos em 16 cidades de Estados Unidos, Canadá e México, a expectativa é de superar 3 milhões de visitantes em seis semanas na competição em que o Airbnb fechou parceria com a Fifa para ser a “plataforma oficial de reservas de acomodações alternativas e experiências para torcedores” (acordo que, aliás, também incluiu a Copa do Mundo de Clubes de 2025 e ainda engloba a Copa Feminina de 2027).
A projeção é de 382 mil hóspedes na plataforma, sendo 90 mil apenas no México, com gasto médio de US$ 299 por noite e potencial de US$ 327 milhões em valor agregado ao Produto Interno Bruto (PIB) do país. Para ter acomodações suficientes, a empresa anunciou recentemente um programa de incentivos que oferecerá US$ 750 para ter novos anfitriões.
No médio prazo, a parceria deve render ainda mais frutos à companhia, já que 65% dos visitantes tendem a retornar às cidades-sede nos cinco anos seguintes, adicionando 1,7 milhão de novas noites à plataforma. Dessa forma, para o Airbnb, a Copa de 2026 será o maior teste de pico de demanda que a empresa já enfrentou, além de um teste de escala, infraestrutura, hospitalidade e experiências.
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