A Arábia Saudita fez valer os investimentos bilionários na Federação Internacional de Futebol (Fifa) ao longo dos últimos anos e garantiu exposição privilegiada na Copa do Mundo de 2026, maior competição promovida pela entidade.
Uma das principais patrocinadoras do Mundial deste ano, que ocorre até 19 de julho tendo como sedes México, Canadá e Estados Unidos, a petrolífera estatal saudita Aramco monopolizou a presença nos painéis de led centrais, nos instantes que antecederam o início das partidas da primeira fase do torneio.
Ter a logomarca exibida nesse momento representa um ativo estratégico para as marcas, já que é uma situação em que as transmissões utilizam a câmera centralizada em plano aberto para exibir os jogadores duas equipes, enquanto eles aguardam a autorização do árbitro para que a bola role.
Nesse tipo de tomada, os painéis de led ao fundo da imagem conseguem obter uma exposição de destaque para os espectadores.
Levantamento feito pela Máquina do Esporte constatou que a Aramco ocupou os painéis de led, antes do apito inicial, em todos os 24 jogos da primeira fase da Copa de 2026.
Logo após a bola rolar, a logomarca da petrolífera em geral era substituída por outro patrocinador do torneio, como Visa, Adidas, Hyundai, Qatar Airways, Leonovo, Coca-Cola ou AD Predictstreet. Houve três partidas, porém, em que a Aramco permaneceu no painel mesmo depois do apito inicial.
Aparecer nas placas após o começo do jogo não deixa de ser uma opção interessante para as marcas, especialmente se a exposição ocorrer em um lance de grande repercussão como um gol, uma comemoração ou uma disputa de bola envolvendo um craque de renome.
Porém, as transmissões com múltiplas câmeras dos dias atuais muitas vezes tendem a buscar ângulos e closes que acabam por deixar os painéis de fora do olhar dos espectadores.
Parceira de peso
A Aramco converteu-se numa parceira de peso da Fifa nesta Copa do Mundo. O acordo entre a petrolífera e a entidade entrou em vigor em 2023, duas semanas após a Arábia Saudita haver sido confirmada como sede do Mundial de 2034.
Segundo informações divulgadas à época, o contrato prevê o pagamento de US$ 100 milhões anuais pela empresa, até 2034.
Esses números superam valores pagos por parceiros históricos da Fifa como Coca-Cola ou Visa, fazendo da Aramco a principal patrocinadora da entidade máxima do futebol.
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Nesta Copa, a estatal petrolífera patrocina também o Fifa Power Ranking, sistema baseado em dados, criado para medir e destacar o desempenho individual dos jogadores ao longo do torneio.
Em maio deste ano, a Arábia Saudita ampliou seu investimento no Mundial, depois que o Fundo Público de Investimento (PIF) tornou-se apoiador oficial do torneio.
A parceria envolve o Savvy Games Group e a cidade turística de Qiddiya, projetos que são financiados pelo fundo soberano como parte da estratégia para diversificar a economia do país, buscando superar a dependência da exportação do petróleo.
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Nos últimos anos, os recursos do governo saudita foram essenciais para impulsionar os negócios da Fifa.
Um exemplo mais notório envolveu a operação triangular que garantiu o pagamento de premiações que totalizaram US$ 1 bilhão aos times participantes da primeira Copa do Mundo de Clubes, realizada no ano passado, nos Estados Unidos, e que foi vencida pelo Chelsea.
A Fifa conseguiu levantar esses recursos graças à venda dos direitos globais de mídia do torneio para o DAZN, justamente por US$ 1 bilhão.
A plataforma de streaming, por sua vez, teve condições de realizar esse investimento porque vendeu 10% de seu capital para o PIF, pelo mesmo valor que pagaria à Fifa pelos direitos da Copa do Mundo de Clubes.
A premiação turbinada pelos petrodólares acabou servindo de chamariz para os clubes e garantiu o sucesso do torneio, que ocorrerá a cada quatro anos.
