Faltando pouco mais de 120 dias para a abertura da Copa do Mundo de 2026, que terá como sedes Canadá, Estados Unidos e México, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) vê-se em meio a um drama envolvendo os ingressos para alguns dos principais jogos do torneio.
Tudo começou quando o fundo de investimentos da corretora TicketKings, dos Estados Unidos, conseguiu adquirir, numa só tacada, cerca de 8 mil ingressos para partidas de seleções de relevo que estarão na competição, entre elas Brasil, Inglaterra, Portugal e Escócia.
Segundo informações divulgadas pela Reuters, o fundo captou US$ 5,5 milhões para realizar essa compra.
Nos Estados Unidos, que sediará a maior parte dos jogos da Copa do Mundo de 2026, a atividade de cambista é legalizada. Por isso, a TicketKings pode se apresentar ao público como uma empresa que tem a missão de “democratizar o acesso ao entretenimento ao vivo”.
Na prática, porém, a atuação do fundo criado pela empresa surtiu o efeito contrário, ajudando a encarecer os ingressos para o Mundial e dificultando o acesso de compradores individuais.
A Máquina do Esporte apurou que, hoje, torcedores comuns que tentam adquirir entradas pelo site oficial do evento têm de lidar com uma série de limitações.
Há situações, por exemplo, em que o comprador solicita três entradas para determinado jogo, mas recebe acesso a apenas uma.
Chama atenção, porém, o modo relativamente simples como o fundo da TicketKings realizou essa compra massiva de ingressos.
Promessa de retornos elevados
A empresa prometeu aos investidores um retorno geral de 50% sobre o capital aportado, no prazo de seis meses. Para alguns jogos, como Portugal x Uzbequistão, a oferta de ganhos de 87% a mais. Ao todo, o fundo da TicketKings comprou entradas para 33 jogos da Copa de 2026.
A TicketKings tem se aproveitado da alta demanda por ingressos para o Mundial, para turbinar suas projeções de lucros com esse investimento.
Ingressos para espaços de alto padrão na final da Copa, que foram vendidos originalmente por US$ 8,3 mil, hoje são oferecidos por US$ 230 mil.
Na apresentação de slides à que a Reuters teve acesso, a TicketKings informa que a oportunidade de investir nesse negócio surgiu por conta de terceiros, que conquistaram, via sorteio, o direito de comprar os ingressos diretamente da Fifa.
Como não tinha recursos próprios para efetuar a compra até o prazo de 17 de fevereiro, a empresa recorreu ao fundo de investimentos.
Procurada pela agência de notícias norte-americana, a Fifa alegou desconhecer a proposta feita aos investidores da TicketKings. Segundo o porta-voz ouvido pelo órgão de imprensa, esse negócio poderia representar uma violação às regras de venda de ingressos estabelecida pela entidade e que o caso seria investigado.
Um detalhe curioso é que, no slide de apresentação do fundo de investimentos, a TicketKings alerta que os ingressos adquiridos por ela para a Copa de 2026 poderiam vir a ser cancelados, numa eventual ação de fiscalização da Fifa. A empresa argumentou, porém, que estaria tomando medidas para prevenir esse risco.
