A Copa do Mundo 2026 mobiliza o mercado consumidor no Brasil em diversos segmentos da economia. Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva, em parceria com a QuestionPro, o torneio gera impacto direto no orçamento e nos hábitos da população.
“A Copa entra no orçamento dos brasileiros porque entra antes na rotina. Ela aparece na comida comprada para assistir ao jogo, no churrasco com família e amigos, na camiseta, no bar cheio, no álbum de figurinhas e no bolão do trabalho”, aponta Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
Consumo
De acordo com o levantamento, 48% dos brasileiros pretendem comprar camisetas ou produtos relacionados ao evento, o que representa um contingente de 79 milhões de pessoas.
O estudo mapeou os principais setores ativados pelo torneio no país, destacando o varejo de alimentos, artigos esportivos e produtos licenciados.
Os dados indicam que o evento atua como um indutor de consumo de conveniência e de bens duráveis, modificando o planejamento financeiro das famílias durante o período dos jogos.
Vestuário
A camisa da seleção brasileira mantém forte apelo entre os consumidores, embora o mercado se divida entre itens oficiais e réplicas. Atualmente, 23% dos brasileiros declaram possuir o uniforme oficial, enquanto 27% contam com versões piratas e 50% não possuem nenhuma peça.
Para o período do torneio, 25% planejam adquirir um modelo oficial, 24% buscarão uma versão não oficial e 51% não pretendem efetuar a compra.
A preferência pelo mercado paralelo é mais acentuada na classe DE, na qual 33% planejam comprar camisas piratas, contra 24% que pretendem adquirir a oficial.
Entre os 51% que descartam a compra, o preço elevado é o principal obstáculo para 64% dos entrevistados. Outros 11% apontam desinteresse por futebol, 10% citam motivos políticos (índice que sobe para 24% entre eleitores de esquerda) e 4% afirmam que torcerão para outra seleção.
Alimentação
O setor de alimentos e bebidas registra as maiores intenções de gastos com a Copa do Mundo. O hábito de reunir amigos para assistir às partidas motiva 64% dos brasileiros a planejar a compra de comidas e bebidas, alcançando um mercado potencial de 105 milhões de pessoas. Além disso, 59% pretendem organizar reuniões ou churrascos durante os jogos.
“[O futebol] reúne pessoas, desperta memórias e influencia escolhas de consumo. No Brasil real, a Copa está na mesa posta, na figurinha trocada, na aposta simbólica entre colegas e nos momentos compartilhados em torno do futebol”, destaca Meirelles.
A disposição para gastos com alimentação especial varia conforme o poder aquisitivo. A intenção de compra atinge 74% na classe AB e 63% na classe C, recuando para 49% nas classes D e E.
O planejamento de reuniões e churrascos segue comportamento semelhante, sendo opção para 68% da classe AB, 55% da classe C e 47% da classe DE.
Álbum de figurinhas
O mercado de colecionáveis e jogos de prognósticos esportivos amadores também apresenta volumes expressivos. O álbum oficial de figurinhas atrai o interesse de 30% da população, o que equivale a 49 milhões de pessoas.
Essa atividade tem maior penetração entre as mulheres (32%) e em domicílios com filhos (35%). Os principais motivos para colecionar são o entretenimento e a interação familiar, ambos com 44% de citações.
Para os 70% que não pretendem colecionar o álbum, as justificativas concentram-se na priorização de outros gastos (37%), desinteresse pelo produto (33%) e ausência do hábito (31%), enquanto 26% consideram o preço das figurinhas elevado.
Paralelamente, os bolões continuam como uma ferramenta de engajamento social, com 39% de intenção de participação entre os brasileiros, movimentando interações em ambientes corporativos e familiares.
Metodologia
A pesquisa quantitativa foi realizada por meio de entrevistas digitais com autopreenchimento entre os dias 2 e 8 de junho de 2026. O Instituto Locomotiva e a QuestionPro ouviram 1.030 homens e mulheres com 18 anos ou mais, cobrindo todas as regiões do território nacional.
A amostra foi ponderada por gênero, faixa etária, escolaridade e classe social com base nos parâmetros da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Anual do IBGE, apresentando margem de erro de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos.
