Chegou ao fim o drama que tirava o sono dos cartolas da Federação Internacional de Futebol (Fifa), ameaçando deixar mais de 1,4 bilhão de pessoas sem acesso às transmissões da Copa do Mundo de 2026, que será realizada de 11 de junho a 19 de julho, nos Estados Unidos, Canadá e México.
Faltando dez dias para o início do torneio, a entidade fechou, nesta segunda-feira (1º), um acordo com a Zee Entertainment, garantindo assim a exibição do Mundial para a Índia.
Conforme noticiou anteriormente a Máquina do Esporte, a Fifa enfrentou problemas para vender seu principal torneio aos mercados chinês e indiano, que concentram as duas maiores populações do planeta.
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No caso da China, a entidade precisou oferecer um desconto de 80% no preço inicial pelos direitos, que era de US$ 300 milhões. A Fifa teve de se contentar com um contrato de US$ 60 milhões, que abrange também as Copas de 2030 e 2034, além dos torneios femininos de 2027 e 2031.
O fator que emperrou as negociações nos dois países foi o fuso-horário, que fará com que a maior parte dos jogos do Mundial seja exibida após as 23h para os públicos asiáticos, resultando em audiências menores, que tendem a afugentar os anunciantes.
Um aspecto que ajudou a complicar a história foi o grande número de seleções na Copa do Mundo deste ano (48 no total), que acabará por levar a confrontos de times sem tradição e com poucos atrativos para as audiências chinesa e indiana.
Para piorar, o futebol está longe de figurar entre os esportes mais populares nas duas nações. Na Índia, particularmente, esse posto pertence ao críquete.
Quando as negociações com as empresas de comunicação indianas tiveram início, em meados de 2025, a Fifa pretendia faturar o equivalente a US$ 100 milhões com a venda dos direitos no país.
Neste ano, mesmo após ter baixado o valor para US$ 35 milhões, a entidade ainda seguia sem propostas concretas de interessados em assumir o torneio.
A JioStar, principal emissora do país, fruto de uma joint venture do Grupo Disney com a Reliance, mostrava-se disposta a pagar apenas US$ 20 milhões pelos direitos.
Como será o acordo com a Zee
O contrato da Zee Entertainment com a Fifa será nos mesmos moldes do firmado pela entidade com o China Media Group, com oito anos de duração e envolvendo também os direitos dos Mundiais masculinos de 2030 e 2034, além dos femininos de 2027 e 2031.
“O mercado indiano é de importância estratégica para a Fifa, pois demonstra um potencial imenso impulsionado por um público jovem e apaixonado. Acreditamos que o extenso ecossistema de transmissão e distribuição digital do ‘Z’, aliado ao profundo entendimento dos espectadores locais e capacidades multiplataforma, desempenhará um papel fundamental na ampliação do alcance do futebol com os fãs de todas as partes da Índia”, afirmou Romy Gai, diretor de negócios da Fifa.
Os valores do negócio não foram revelados, mas a tendência é de que tenham ficado acima dos US$ 20 milhões da JioStar.
Para fortalecer suas ofertas esportivas, a empresa também anunciou o lançamento de quatro canais dedicados: Unite8 Sports 1, Unite8 Sports 1 HD, Unite8 Sports 2 e Unite8 Sports 2 HD.
De acordo com a empresa de mídia, o objetivo da iniciativa é “garantir uma experiência de visualização envolvente para os fãs de esportes em todo o país, enquanto se prepara para trazer eventos da Fifa para o público indiano nos próximos oito anos”.
A Zee ainda declarou que a “aquisição representa uma grande adição ao seu portfólio esportivo e dá à emissora o controle de alguns dos maiores eventos do calendário global de futebol”.
“O futebol atravessa regiões e demografias, e os investimentos na obtenção dos direitos de mídia e no lançamento de canais esportivos dedicados refletem nossa clara crença em seu potencial a longo prazo. Nossa abordagem tem sido investir em propriedades em que vemos relevância atual e potencial de crescimento futuro. Nossa parceria com a Fifa nos permitirá desbloquear o verdadeiro valor do esporte em linha com nosso foco aguçado no crescimento e na lucratividade, ao mesmo tempo em que amplificamos a empolgação do jogo para cada torcedor”, disse Punit Goenka, CEO da Zee Entertainment.
